Taça de Portugal: «Calendarização podia ter sido feita de forma diferente»
Costinha foi o porta-voz do plantel do Torreense que procura fazer história já neste domingo (17h15), frente ao Sporting, na final da Taça de Portugal. O número 10 da formação do Oeste destacou a excelente temporada da equipa, apontou que o calendário podia ter sido feito «de forma diferente» e garantiu que a pressão está do lado dos verdes e brancos.
— Como vê a equipa a sentir esta semana tão importante para a história do Torreense?
— É uma semana bastante importante para nós. Virámos a página do campeonato para nos focarmos na final da Taça. Se não o fizéssemos, também não conseguíamos desfrutar de uma coisa nem estar completamente focados na outra. Como estamos na final da Taça, queremos desfrutar, usufruir e dar este orgulho também à cidade e ao clube, porque bem merece. São muitos anos sem poder usufruir desta final. Vamos tentar libertar-nos de tudo o que é o jogo, desfrutar e mostrar a nossa qualidade, porque o grupo também tem muita.
— Como é que se gere o calendário tão apertado? Uma equipa que não está habituada a jogar com esta intensidade e com este curto espaço de tempo entre jogos...
— É evidente que não somos um clube que esteja habituado a fazer jogos de três em três dias, e claro que a calendarização podia ter sido feita de forma um pouco diferente. Obviamente que, provavelmente, ninguém pensaria que a equipa estaria no play-off e iria à final da Taça de Portugal. Mas a nós cabe-nos fazer outro tipo de gestão. Acho que a equipa que amanhã se apresentar em campo vai dar tudo para conseguirmos vencer, como é óbvio, estamos aqui para isso.Mas acho que fica a nota para os anos seguintes, porque isto pode sempre acontecer, apesar de a probabilidade ser pouca. Mas lá está, este ano essa probabilidade bateu-nos à porta. Temos três "finais" que vamos ter de jogar no espaço de pouco mais de uma semana. Mas como disse, a equipa que entrar amanhã vai estar completamente focada. Acho que o cansaço não se vai notar porque é um jogo completamente especial. E depois, na próxima quinta-feira, viramos a página deste jogo e quem jogar na quinta-feira certamente estará completamente pronto para dar o máximo.
— Como é que um dos jogadores mais experientes do balneário pode ajudar a malta mais nova a gerir não só as emoções, mas também a questão estratégica?
— Eu, como parte integrante dos mais velhos do plantel, acho que me cabe tranquilizar a malta. Passar a mensagem de que é apenas mais um jogo, e a verdade é essa. Obviamente que é um jogo com um cariz um pouco especial, sabemos o que representa para a cidade e para o clube. Mas lá está, acho que cabe-me a mim e aos mais velhos — e nem só aos mais velhos, porque às vezes há mais novos que já têm essa maturidade, como temos muitos no plantel. Acho que passa um pouco por aí: passar a máxima tranquilidade, libertar de toda a pressão que possa existir, não só pela final, mas pelo adversário que está do outro lado. Amanhã não vamos olhar a caras. Quem entrar lá para dentro, são 11 contra 11 e vamos dar o máximo por esta cidade.
— Tem muitos anos de Primeira Liga, muitos anos de futebol, e estás agora na final da Taça com 33 anos. Até a forma como este jogo é encarado por si é diferente? Ou seja, não há apenas este entusiasmo, há aqui também uma forma de amadurecer as coisas e encarar esta experiência de outra maneira?
— De facto, este acho que é o jogo que toda a gente gostaria de ter na sua carreira. Conheço muitos jogadores que, infelizmente, não tiveram esta oportunidade. Felizmente para mim, consegui tê-la antes de acabar a carreira. Se calhar, se me perguntassem antes, eu diria que já nem pensava que me poderia acontecer. Sejamos honestos, para o Torreense estar numa final da Taça é preciso muito trabalho, mas também alguma sorte, e mesmo assim nem sempre acontece. Felizmente, estamos a fazer uma época fantástica. Conseguimos, com muito trabalho, chegar a esta final. Claro que, em termos individuais e para a minha carreira, acho que é um marco fantástico que vou guardar com muito carinho. Sabemos tudo o que implica esta final, desde a preparação e, no próprio dia, as famílias. Certamente a minha amanhã estará aqui bastante cedo e vai usufruir se calhar mais do dia do que eu. Mas claro, fico muito contente por conseguir chegar a esta final, mas ficaria mais contente ainda se conseguisse mandar o troféu para cima.
— Como médio, quais são os pontos fortes e menos fortes do meio-campo do Sporting?
— Debilidades no Sporting é difícil encontrar, porque estamos a falar de uma das melhores equipas não só de Portugal, mas da Europa. Fez uma caminhada fantástica não só em Portugal, mas também na Liga dos Campeões. Sabemos que é um meio-campo que tem muita rotatividade. O Hjulmand e o Morita têm muita qualidade. Felizmente, eu tive a oportunidade de jogar com o Morita e sei perfeitamente isso. Vou poder estar, se calhar, no primeiro jogo do Morita em Portugal, como no último. É uma curiosidade.E depois, um pouco mais à frente: Trincão, Pote, seja quem jogar, todos têm muita qualidade. Mas nós, olhando para nós, também temos muita qualidade e vamos tentar fazer com que isso transpareça amanhã. Sabemos que vamos estar muito mais tempo sem a bola, mas quando a tivermos, lá está, é passar essa tranquilidade. Mostrar que na Segunda Liga também há muito talento e qualidade, e espero que amanhã seja o dia em que consigamos mostrar essa qualidade.
— A nível individual, vencer a Taça pode projetar-vos de uma maneira diferente?
— Não creio. Se me perguntasse pelo campeonato, acho que é algo que pode trazer melhores coisas para a carreira e para os contratos do que propriamente a Taça. A final da Taça é um jogo onde podemos escrever os nossos nomes na história, tanto do clube como de Portugal, porque é muito difícil um clube da nossa dimensão conseguir ganhar. Se isso acontecesse, acho que ficaríamos eternizados. Não tanto pela questão do contrato, porque acho que a questão da Liga seria muito mais vantajosa nesse aspeto.
— Qual foi o momento mais marcante nesta caminhada até ao Jamor?
— Acho que foram bastantes. Eu não estive presente na eliminatória na Correlhã porque não pude, mas lembro-me, por exemplo, da Oliveirense em casa, nos penáltis, que foi algo marcante para nós. E agora, mais recentemente, acho que o jogo em casa com o Fafe, com o estádio completamente cheio, a festa bonita que fizemos. O marco histórico de passarmos à final. A cidade certamente celebrou bastante e foram momentos que acho que ninguém se vai esquecer tão depressa. Toda esta época está a ser muito gratificante.
— Como se sente o grupo e o Costinha ao ver que esta final já é real?
— Sinceramente, acho que o grupo está a viver isto com bastante naturalidade. E se calhar, os jogos assim tão próximos ajudam um pouco, porque não dá tempo para pensar tanto nos jogos. Acho que há dois dias tivemos um jogo bastante importante e nem nos deu muito tempo para pensar na final da Taça. Acho que só agora que chegámos aqui é que começámos a pensar que realmente isto era real. Mas sinto o grupo bastante calmo, tranquilo. Lá está, é mais um jogo e amanhã é continuar com essa tranquilidade e tentar pôr em prática o plano de jogo.
— O facto de a pressão estar mais do lado do Sporting pode ser algo que jogue a vosso favor? Ou seja, o Torreense acaba por entrar aqui sem nada a perder?
— Não, a perder temos bastante, porque é um troféu. É a possibilidade de eternizarmos o nosso nome tanto no clube como na cidade. Mas obviamente que o Sporting é bastante favorito, a pressão está toda do lado deles. Sabemos que o avançar do relógio, se as coisas não estiverem a acontecer para eles, pode ser um fator que podemos aproveitar. Sabemos que o Sporting vai entrar fortíssimo, vai querer marcar cedo e depois gerir o resultado. Mas como disse, se o avançar do relógio for a nosso favor, tanto com um golo nosso como com um empate a zero, acho que para o Sporting pode ser uma pressão acrescida, sem dúvida.