Ninguém levou de vencida a primeira disputa do 'play-off' - Foto: Torreense
Ninguém levou de vencida a primeira disputa do 'play-off' - Foto: Torreense

«Torreense está a fazer a melhor época de sempre de uma equipa da Segunda»

Campanha da equipa de Torres Vedras com destaque em Espanha

O Torreense vive dias de sonho, entre o play-off de subida à Liga e a final da Taça de Portugal, agendada para este domingo. A campanha da equipa de Torres Vedras chegou ao país vizinho, até porque existem sete jogadores espanhóis no plantel.

«É a melhor temporada de sempre de uma equipa da Segunda», diz o diretor geral, André Sabino, em reportagem do jornal Marca. «Estar na final da Taça e, ao mesmo tempo, a lutar pela subida é algo inédito. Nunca ninguém tinha chegado tão longe», acrescenta.

O Torreense pode regressar ao convívio dos grandes em Portugal e conquistar o primeiro grande troféu, naquela que é a segunda presença na final da Taça. «Conseguimos que as pessoas acreditem que um clube pequeno pode fazer coisas grandes», afirma o avançado Manu Pozo, recrutado ao Valladolid.

Apesar da ambição de vencer a prova-rainha, a prioridade parece ser clara para os responsáveis e jogadores. «O Torreense não joga o principal escalão desde 1992 e não disputa uma final da Taça desde 1956, mas mentiria se dissesse que a subida não é o principal objetivo. Pode transformar todo o clube», explica André Sabino. A mesma opinião é partilhada pelos jogadores. «Jogar na Primeira valoriza-nos. Enfrentas equipas de Champions: Benfica, FC Porto, Sporting... Seria um passo muito grande na nossa carreira», reconhece Arnau Casas, defesa formado no Barcelona. Manu Pozo reforça: «Toda a gente sonha em ganhar a Taça, mas subir muda a vida do clube e da cidade».

Para a final contra o Sporting, o favoritismo é atribuído ao adversário, mas a equipa de Torres Vedras encara o desafio sem receios. «O Sporting é uma equipa de topo em Portugal e na Europa. São favoritos. Nós vamos sem pressão. Só temos coisas a ganhar», salienta o diretor geral.

A cidade está mobilizada para apoiar a equipa. «Torres Vedras está totalmente envolvida. Vários vizinhos pediram-me bilhetes para a final da Taça. Estavam a tentar comprar, mas estão esgotados», conta Arnau Casas. O apoio tem sido uma constante, como nota Manu Pozo: «Nunca tinha vindo tanta gente ao estádio, mesmo nos jogos fora. Estamos a deslocar 500 a 600 pessoas, o que era impensável».

O sucesso do Torreense tem um forte contributo espanhol, com sete jogadores dessa nacionalidade no plantel: Arnau Casas, Manu Pozo, Alejandro Alfaro, Javi Vázquez, Luis Quintero, Unai Pérez e Musa Drammeh. «Somos quase irmãos», diz Arnau, enquanto Manu Pozo acrescenta que a união se reflete em campo: «Estamos muito entrosados e isso nota-se».

André Sabino explica a aposta: «Vou muito a Espanha e pensei que seriam contratações importantes. Procuramos jogadores técnicos com passado em grandes escolas de formação». A filosofia do clube, segundo o diretor, é «acreditar no potencial para valorizar os futebolistas e ajudar a melhorar as suas vidas».

Após a final da Taça, as atenções viram-se para o decisivo jogo com o Casa Pia. «Enfrentamos uma equipa da Primeira Divisão, com jogadores de Primeira e um orçamento de Primeira. Mesmo assim, estamos confiantes», afirma Sabino.

Curiosamente, uma eventual subida poderá obrigar o Torreense a jogar provisoriamente no Estádio Municipal de Rio Maior, casa emprestada do... Casa Pia. «Como quando éramos pequenos: quem ganhar, fica com o campo», brinca Arnau Casas.

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