Congresso do Futebol (foto FPF)
Congresso do Futebol (foto FPF)

Supertaça no estrangeiro com quatro clubes é desejo da FPF

Federação quer ainda que os clubes que participem nas competições europeias entrem só na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal e que a meia-final tenha apenas uma mão

Na sessão de encerramento do Congresso de Futebol Português, moderada por Helena Pires CEO da FPF, foi destacado o envolvimento de vários agentes do futebol nacional e a criação de microgrupos de trabalho dedicados a áreas específicas, como a Taça de Portugal, Sub-23, Campeonato de Portugal, Campeonatos Nacionais de Formação e participação das equipas da Madeira e dos Açores.

O diretor técnico nacional, Óscar Tojo, explicou que o trabalho incidiu sobretudo sobre o futebol masculino, uma vez que outras comissões estavam a analisar futsal, futebol de praia e futebol feminino. «Olhámos para os dados, reunimos de forma autónoma e, a partir daí, chegámos a recomendações», afirmou.

Uma das competições que a FPF quer alterar é a Taça de Portugal. «Tendo em conta aquilo que é o aumento da densidade competitiva e os períodos congestionados que os clubes têm, principalmente os clubes que estão nas competições europeias, nós temos a responsabilidade de proteger estes clubes e, nesse sentido, a medida e a nossa recomendação é que estes clubes só entrarem em prova na quarta eliminatória da Taça de Portugal. E em relação àquilo que é a meia-final, retirar a meia-final a duas mãos e fazer apenas a uma mão», explicação dada por Óscar Tojo.

Como a comissão e competições teve a participação dos clubes profissionais foi decisivo para os responsáveis apresentar estas duas recomendações em relação à Taça de Portugal, mas também a Supertaça terá alterações pois a FPF pretende implementar um modelo Final Four para aumentar o interesse, estilo o que acontece em Itália e em Espanha, e realizar essa competição no estrangeiro.

Outra das propostas relevantes anunciadas no Congresso do Futebol diz respeito ao Campeonato de Portugal, onde a comissão recomenda o alargamento da prova de 56 para 64 clubes, distribuídos por quatro séries de 16 equipas. Segundo Pedro Silva, responsável por esta área, a medida responde a três problemas principais: falta de mérito desportivo, tempo de paragem excessivo entre épocas e elevada percentagem de descidas. Com o novo modelo, os vencedores de cada série teriam acesso direto à Liga 3, existiriam mais jornadas de competição e maior estabilidade para os clubes.

Relativamente às equipas das regiões autónomas, Jorge Vicente sublinhou a preocupação da Federação em promover maior equidade territorial. Uma das primeiras medidas passa por permitir o acesso das equipas insulares aos campeonatos nacionais de formação sem limitação de quotas, reduzindo desigualdades no acesso às competições.

Quanto à competição Sub-23, Óscar Tojo considerou-a estratégica para o desenvolvimento do talento nacional. Dados apresentados indicam que, dos cerca de 1600 atletas envolvidos, aproximadamente 700 progridem na carreira, sendo 65 a 70% portugueses, e que desde 2018 esta competição gerou cerca de 340 milhões de euros em mais-valias. A Federação pretende criar um modelo renovado, com formato e regras diferentes, capaz de potenciar ainda mais esta prova como rampa de lançamento para o futebol profissional.

Nos campeonatos de formação, a comissão recomenda a uniformização das competições Sub-15, Sub-17 e Sub-19 e a introdução de substituições volantes, começando pela segunda divisão do Campeonato Nacional Sub-15, com o objetivo de tornar a prática mais inclusiva e democrática.

As conclusões apresentadas reforçam a intenção da FPF de promover um futebol mais equilibrado, sustentável e adaptado às exigências atuais, ficando agora as propostas dependentes de apreciação e eventual implementação pelos órgãos competentes.