Super Liga chega ao rugby português
Oito clubes do principal escalão do rugby português criaram uma nova associação, a Super XV Rugby Portugal, com intuito de ajudar a transfigurar o estado da bola oval nacional.
Nesse âmbito, Benfica (9 títulos), Grupo Desportivo de Direito (12), Agronomia Rugby (2), Belenenses Rugby (10), Cascais Rugby (6), São Miguel, CDUL (20) e Técnico (3), oito emblemas que somam 62 títulos entre si - dos 66 disputados desde 1958/1959, com a Académica a erguer os restantes quatro -, visam criar e organizar uma nova competição, Super XV Top 8, uma superliga fechada, para já, a oito equipas do topo nacional.
«A ideia, não é colidir com a Divisão de Honra (principal competição)», garantiu Luís Lança Morais, presidente do Grupo Desportivo de Direito, um dos emblemas que esteve na génese da criação da nova associação nascida da «vontade comum» dos clubes.
Sempre em articulação com a Federação Portuguesa de Rugby (FPR), a Super XV Rugby Portugal deseja, de forma conjunta e concertada, contribuir para «a evolução das competições nacionais», discutir e apresentar novas propostas de modelos competitivos «mais atrativos e equilibrados» face aos modelos vigentes, lê-se num documento de apresentação da Super XV Rugby Portugal.
«Neste momento, vamos iniciar conversações com a FPR, para discussão dos modelos competitivos para a próxima época», realçou Lança Morais.
Uma das hipóteses pode passar por uma «Divisão de Honra, com menos jornadas. Apurado o campeão, a própria tabela classificativa final servir de apuramento/admissão para o Torneio. Ou seja, os primeiros oito classificados serem apurados diretamente para disputar o Super XV TOP 8», explicou em conversa com A BOLA o responsável dos advogados, um dos clubes que faz parte da revolução que se avizinha.
Arranque em 2027 tendo o REC como inspiração
O novo troféu está previsto começar já «na época 2026/27”. O «modelo» e «regulamento» do torneio está a «ser discutido» entre os oito envolvidos, frisou.
À imagem do que sucede com o Rugby Europe Championship (REC), torneio europeu que Portugal venceu este ano, o desenho da nova competição poderá reunir «dois grupos de quatro clubes, todos contra todos a uma volta», adiantou, apurando-se «para a fase final os dois primeiros de cada grupo» que, desta forma, «disputam as meias-finais e final», num total de «cinco jornadas», revelou ainda Lança Morais.
A ação da Super XV Rugby Portugal, cujo objetivo passa por «reforçar o desenvolvimento, a competitividade e a sustentabilidade da modalidade» em Portugal, não se cinge à componente desportiva e competitiva.
«Tem ainda por objetivo criar sinergias e benefícios comuns aos seus clubes associados, tal como criar economia de escala com uma central de compras, para melhor negociar, por exemplo, equipamentos, transportes, seguros desportivos, segurança, etc…», exemplificou o líder do Direito e um dos mentores da Super XV Rugby Portugal.
Na génese, a nova competição procura, além de valorizar «o produto desportivo», reforçar o «potencial mediático» e a capacidade do râguebi «atrair patrocinadores e parceiros», deseja colaborar com a federação de Rugby e restantes agentes da modalidade na construção de «um ecossistema mais forte e sustentável», lê-se no documento a que a A BOLA teve acesso.
Em suma, deseja contribuir para o «crescimento» e «reforço da competitividade do râguebi português» com «impacto nos clubes, atletas, seleções nacionais, arbitragem, patrocinadores e adeptos», finaliza a nota de imprensa.