Luka Modric com Cristiano Ronaldo, em Toronto
Luka Modric com Cristiano Ronaldo, em Toronto

Depois de ter representado a Croácia 202 vezes, Luka Modric, 40 anos, despediu-se, frente a Portugal, das grandes competições internacionais de seleções. Para o pequeno génio nascido em Zadar, então cidade da Jugoslávia, o apito final do norueguês Espen Eskås desencadeou uma série de emoções, que não escondeu, ficando na retina o abraço apertado a Cristiano Ronaldo, com quem partilhou balneário durante seis épocas mágicas no Santiago Bernabéu.

Durante o Europeu de 2012, quando estava a efetivar-se, por insistência de José Mourinho, a transferência de Modric dos ‘spurs’ para os ‘merengues’, assisti, na Praça do Mercado Velho, em Poznan, Polónia, na véspera do Irlanda (treinada por Giovanni Trapattoni)-Croácia a uma cena inesquecível, que vou partilhar.

Já passava das cinco da tarde, chovia, os ‘supporters’ irlandeses estavam em grande número numa esplanada coberta, e à medida que esgotavam os barris de cerveja do estabelecimento, iam cantando, pacificamente, uma lenga-lenga que, basicamente, dizia «stand up for the boys in green» [«levantem-se pelos rapazes de verde» (cor da Irlanda)]. Foi então que chegaram dezenas de adeptos croatas, o que, atendendo ao sangue quente dos eslavos e ao nível de alcoolemia dos irlandeses, tornou a situação potencialmente perigosa. Porém, mal se aperceberam da entrada em cena dos rivais, os integrantes do «Green Army» começaram a cantar «stand up for Luka Modric, stand up for Luka Modric», ao que os croatas, surpreendidos, aplaudiram comovidamente. Como não é difícil calcular, caíram nos braços uns dos outros e foi preciso pedir reforço de cerveja, para um fim de tarde que se prolongou até altas horas da noite.

Luka Modric, pés de veludo e determinação de aço, jogador de equipa por vocação, ganhou direito a ser considerado como um dos melhores jogadores do século XXI.

PS - Jamais esquecerei um cartaz que três senhoras de cabelo branco e permanentes irrepreensíveis mostraram às câmaras de televisão, depois de um Portugal-Irlanda, na velha Luz (3-0, golaço de Rui Costa), num jogo que valia o apuramento para o Euro/96, em Inglaterra - e por isso as ditas senhoras faziam parte do contingente de 30 mil irlandeses presentes no anfiteatro encarnado -, que dizia assim: «Os nossos maridos pensam que andamos às compras em Dublin.» Fabuloso!

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…

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