Sporting: 'pesadelo' no Dragão e a boa notícia para as Aves
O boletim médico de Alvalade assemelha-se a um diário de guerra, fustigado por baixas que teimam em não dar tréguas. Antes do Clássico, a enfermaria já reclamava Fresneda, João Simões, Ioannidis e Nuno Santos. No Dragão, o infortúnio aumentou ainda mais: Gonçalo Inácio, Hjulmand e Maxi Araújo também vergaram sob o peso da dor.
Contudo, nem só de sombras se faz o horizonte leonino; para a deslocação ao Aves SAD, há uma réstia de luz: Nuno Santos está de volta, pronto para o combate, pois A BOLA sabe que o canhoto superou o revés muscular de Alverca, resquício amargo de uma paragem de 15 meses que o tendão rotuliano lhe impôs, num calvário que parecia não ter fim. Portanto, depois das lágrimas derramadas no Ribatejo, será tempo de voltarem os sorrisos.
A maior dor de cabeça resultante do Dragão chama-se Gonçalo Inácio. O central, num lance aos cinco minutos, viu o pé esquerdo ceder depois duma falta não assinalada sobre William Gomes. Resistiu, tentou ludibriar o destino que não lhe surgiu pela frente porque o especialista de A BOLA Pedro Henriques deveria ter sido expulso, mas aos onze minutos a agonia venceu e Debast teve de entrar. Para domingo, a sua presença é uma miragem; resta aferir a gravidade do tempo que o destino lhe roubará.
Depois, o capitão. Morten Hjulmand sentiu o rigor de uma entrada de Gabri Veiga — vermelho perdoado, segundo defendeu Pedro Henriques — que lhe martirizou a tibiotársica direita. O dinamarquês aguentou até onde a resiliência permitiu, mas o intervalo trouxe o arrefecimento da zona e o latejar da lesão. Ainda retornou para a segunda parte, mas o cair do pano da sua resistência, aos 50 minutos, Bragança rendeu-o. A sua ida ao Minho é uma incógnita envolta em dúvida. E a confirmar-se será uma baixa de grande vulto, tendo em conta que o dinamarquês é voz de comando tanto dentro como fora de campo.
Maxi Araújo foi o último a tombar, vítima de adutores que reclamam repouso perante tamanha vertigem competitiva. Parece o mal menor, mas Rui Borges poderá optar pela prudência, dando-lhe o fôlego que o corpo reclama e concedendo, eventualmente, uma oportunidade a Ricardo Mangas, que até não se saiu mal quando foi chamado a jogo no Dragão.
No estaleiro permanece Fresneda, fustigado por um tendão desgastado. Já se sabia que falharia o FC Porto e Aves SAD, isto após não ter estado disponível para a segunda mão dos quartos de final da Champions com o Arsenal e o dérbi com o Benfica.
Outra ausência certíssima é a de João Simões, que após nova cirurgia ao quinto metatarso do pé direito na quarta-feira, só voltará a sentir a relva na próxima época. O jovem médio foi exemplo de resistência à dor, mas teve mesmo de parar.
Por fim, o enigma Ioannidis. O helénico vive num labirinto de recuos e avanços desde novembro. Embora o cenário de operação tenha sido afastado, a prudência dita que o seu regresso seja guardado para o duelo com o Tondela. Até lá, o ataque leonino continuará entregue à (quase) solidão de Luis Suárez, um colombiano que, embora pareça feito de aço, não é imune ao desgaste, valendo-lhe o fôlego de Rafael Nel nas horas de maior aperto.
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