Maxi e William Gomes exemplificam a intensidade de um jogo disputado a ferros, mas muito longe das balizas. Foto Rogério Ferreira/KAPTA +
Maxi e William Gomes exemplificam a intensidade de um jogo disputado a ferros, mas muito longe das balizas. Foto Rogério Ferreira/KAPTA +

Leão agarrou-se aos arames que o prendem e resistiu até ao fim (crónica)

O Sporting, com três substituições devido a lesão, equilibrou na primeira parte e até teve mais bola. Na segunda resistiu à maior pressão do FC Porto, que só no último minuto de compensação criou verdadeira oportunidade de golo

O Sporting está na final da Taça de Portugal depois de ter empatado um jogo em que voltaram a ficar evidentes as dificuldades físicas que atravessa nesta fase da época. Inácio, na primeira parte, Hjulmand e Maxi, na segunda, tiveram de sair devido a lesões. O leão, contudo, agarrou-se aos arames que o prendem nesta altura, uniu-se em torno de gigantes como Morita e Diomande e saiu a zeros do Porto, depois de uma segunda parte de algum sofrimento mas, na prática, com muito pouco perigo criado por quem estava atrás de empatar a eliminatória.

Esperavam-se cautelas de parte a parte e elas existiram. O FC Porto a ter de resistir à tentação de atacar desenfreadamente, o Sporting recusando-se a olhar para a vantagem trazida de Alvalade e, com isso, remeter-se a posição subjugada.

Nem de propósito, os triângulos invertidos do meio-campo encaixaram um no outro como se tivessem nascido para conviver naqueles largos metros quadrados de relvado. Começando pelos donos da casa, sem qualquer intenção de precedências, alinhemos os pares: Rosario/Trincão (embora este fugisse muito mais vezes do local original) e sobretudo Gabri Veiga/Hjulmand e Froholdt/Morita. Residiu aqui a chave do equilíbrio vivido na primeira parte.

A um ligeiro e, dir-se-ia, natural ascendente inicial do FC Porto respondeu o Sporting — que ficou sem Gonçalo Inácio aos dez minutos por lesão, one down — com uma progressiva capacidade de reter a bola e trocá-la com paciência e segurança, enervando de certa forma o conceito mais impetuoso dos donos da casa. Resultou daqui que se chegou ao descanso com os leões a dominarem no capítulo da posse de bola e com muito poucos lances de perigo.

Ainda assim, contas feitas, coube aos portistas a maior fatia de emoção perto da baliza contrária, nos últimos minutos da primeira parte, com Debast e Maxi Araújo, em pouco tempo, a impedirem o sucesso de remates azuis e brancos. Não lhes chamemos oportunidades claras de golo, mas chamemos-lhe aproximações sérias, que deixaram toda a gente a pensar que sinais seriam estes para a segunda metade do encontro.

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Foram sinais pouco surpreendentes: o FC Porto regressou das cabinas mais assertivo, até porque só tinha 45 minutos para alcançar o objetivo atrás do qual corria. Foi apertando o cerco e ocupando mais o meio-campo do Sporting. Mas foi basicamente isso: o meio-campo, já que os sinais de perigo junto às áreas continuaram a escassear. Cinco minutos depois do reinício Morten Hjulmand sentou-se no relvado e pediu a substituição. Two down e ainda mais espaço para os donos da casa aumentarem o domínio.

O Sporting só se soltou ligeiramente perto dos 70 minutos, quando Trincão apareceu na área portista e sacudiu a pressão. Logo a seguir Farioli lançou tripla substituição, colocando em campo Moffi, Pepê e Mora. Os resultados práticos não foram grandes. Pouco depois Maxi também teve de sair lesionado (three down) e em cima dos 90 minutos Alan Varela foi expulso.

Mesmo com dez o FC Porto não desarmou, embora o Sporting tenha criado excelente oportunidade quando Luís Guilherme se isolou e permitiu grande defesa a Diogo Costa. No último lance do jogo, um canto, tempo para a maior emoção, com Moffi a cabecear, Rui Silva a efetuar bela intervenção, Morita a impedir segundo remate e Froholdt, à terceira, a cabecear por cima. Teria sido castigo demasiado cruel para um leão solidário, que soube ter a bola longe da sua baliza durante 112 minutos de jogo.