Chocou o mundo e retirou-se aos 29 anos: o 'Beckham japonês' já não gosta de futebol e dedica-se ao chá
No verão de 2006, no auge da fama e com apenas 29 anos, o melhor futebolista japonês de sempre, Hidetoshi Nakata, chocou o mundo ao anunciar o fim de carreira. O último jogo foi no Campeonato do Mundo na Alemanha, contra o Brasil, encerrando assim um capítulo que o elevou ao patamar das lendas.
Nakata ganhou fama pelo seu estilo de jogo único e pela sua técnica apurada. Ainda enquanto jogava na liga japonesa, destacava-se pelos seus dribles brilhantes, mas chamava a atenção, sobretudo, por pintar o cabelo antes de cada jogo. Foi precisamente essa imagem excêntrica, aliada a um talento inegável, que atraiu a atenção dos agentes europeus.
O desejo de jogar na Europa concretizou-se rapidamente. Em 1998, o Perugia pagou quase quatro milhões de euros para o levar para uma Serie A que nunca esteve tão forte. Dois anos depois, transferiu-se para a Roma, onde, segundo ele próprio, se apaixonou verdadeiramente pela cultura italiana.
Itália significa moda, música, design, arquitetura, comida. Influenciou-me muito
Embora na Roma, ao lado do ícone do clube Francesco Totti, tivesse dificuldades em garantir um lugar no onze inicial, o seu valor continuou a crescer. Em 2001, o Parma comprou-o por quase 20 milhões de euros, tornando-o o futebolista asiático mais caro da história – um recorde que manteve durante 14 anos. A sua carreira prosseguiu no Bolonha, na Fiorentina e, por fim, no Bolton, em Inglaterra, por empréstimo.
Empresário de sucesso
Devido ao seu estilo excêntrico e paixão pela moda, foi apelidado de 'David Beckham japonês', com a popularidade atingiu o auge durante o Campeonato do Mundo de 2002, que se realizou no Japão e na Coreia do Sul.
Embora tivesse qualidade para mais alguns anos de futebol de alto nível, decidiu pendurar as chuteiras. Simplesmente, já não havia paixão, que ele afirma ser a única razão pela qual jogava. «Não sou um fã de futebol. Adorava jogar, mas nunca sonhei em ser profissional. No final, de alguma forma, aconteceu, joguei no Campeonato do Mundo, joguei em Itália e em Inglaterra. Sempre que joguei, joguei por paixão. No final, reformei-me porque perdi a paixão. Se não a tivesse, e continuasse a jogar, sentir-me-ia como se estivesse a mentir a mim mesmo», disse.
Após o fim da carreira, Nakata afastou-se completamente do desporto e virou-se para um novo capítulo – uma vida repleta de viagens, empreendedorismo e promoção da cultura japonesa. Viajou pelo mundo durante três anos e depois regressou à sua terra natal, onde encontrou uma nova paixão na indústria do saké.
«Enquanto vivia em Itália, nos meus tempos livres, visitava adegas. Comecei a apreciar não só o vinho, mas também as pessoas que o produzem e o ambiente à sua volta. E quando regressei ao Japão, pensei na nossa cultura tradicional. Obviamente, não somos conhecidos pelo vinho, mas sim pelo saké. E disse a mim mesmo: 'OK, isto é algo único, porque o saké é produzido apenas no Japão.' Assim, vi uma grande oportunidade para descobrir e promover esta bebida», contou Nakata.
Hoje, com 49 anos, é um empresário de sucesso. Fundou uma empresa, obteve a qualificação de 'Sake Master' e tornou-se um dos principais promotores desta tradicional bebida japonesa. Além disso, possui também uma marca de chá de alta qualidade, a Hanaahu.