Rui Borges, aqui com Trincão, foi passando mensagens aos jogadores durante o clássico (Foto IMAGO)
Rui Borges, aqui com Trincão, foi passando mensagens aos jogadores durante o clássico (Foto IMAGO)

Saiba como Rui Borges preparou o jogo do Sporting no Dragão

Frase que tem servido de mote foi a base para um leão de 'faca nos dentes'

O Sporting apresentou-se no Estádio do Dragão para disputar a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal frente ao FC Porto com a vantagem de um golo levada de Alvalade mas com uma equipa limitada em termos de opções por força do quadro de lesionados — Fresneda, Nuno Santos, João Simões e Ioannidis — e com uma equipa muito desgastada em termos físicos devido ao ciclo complicadíssimo de jogos de alta intensidade a que esteve sujeito nos últimos tempos (os dois diante do Arsenal para a Champions e o dérbi com o Benfica).

Face a este cenário, Rui Borges teve de dar algumas voltas à cabeça para tentar encontrar uma solução que o levasse a não perder pela primeira vez na casa portista — até ao momento de leão ao peito empatou sempre — e definiu algumas chaves mestras que transmitiu ao plantel. Na base de tudo esteve uma frase já mil vezes repetida pelo treinador: «Quando nos faltar a inspiração, que não falte a atitude.» Portanto, mesmo que não fosse brilhante, de faca nos dentes.

Em termos estratégicos, sabia que era preciso jogar de fato macaco, ser inteligente a defender em bloco baixo e cirúrgico nas transições mas, acima de tudo, igualar o FC Porto na intensidade a meio-campo, sem abrir brechas atrás. Antes do jogo falou ao plantel e procurou apelar ao orgulho dos jogadores, à boa época que, segundo defende, têm feito até aqui, sabendo de antemão que era um jogo peculiar e com circunstancias distintas: a equipa tinha de ser pragmática, intensa mas sobretudo inteligente a gerir os tempos de jogo, com a receita a passar por ataques prolongados, sabendo sofrer sem bola mas sem abrir espaços atrás e sem conceder muito espaço nos corredores centrais.

E assim, malgrado o sofrimento, com uma defesa miraculosa de Rui Silva no último lance da partida a um remate de cabeça de Moffi, o leão conseguiu garantir a terceira presença consecutiva no Jamor.