Sporting não adiou o que devia
Opassado domingo foi particularmente nefasto para o Sporting, ultrapassado pelo Benfica na Liga, ainda que à condição, e agora mais longe do FC Porto, que ao vencer depois o Tondela é bem capaz de ter dado passo decisivo para o título.
O dérbi de Alvalade, bem disputado, podia ter caído para qualquer um dos lados, mas a melhor jogada (coletiva) do Benfica em toda a época deu a José Mourinho uma bela oportunidade para promover o direito a marca registada.
A queda do Sporting para o terceiro lugar até pode ser temporária, mas a 29 de abril será fácil avaliar o impacto do adiamento da receção ao Tondela. É verdade que o ajuste de calendário acabou por dar um jeitaço à equipa leonina para virar a eliminatória com o Bodo/Glimt e realizar a melhor campanha de sempre na Liga dos Campeões, mas é pertinente questionar qual terá sido o impacto deste adiamento na luta por aquele que é sempre assumido como objetivo maior do clube: a conquista do título nacional.
Nem está em causa o ruído criado à volta do enquadramento regulamentar do adiamento, que dificilmente entrou no balneário leonino, mas o peso de andar sempre a correr atrás do prejuízo, tendo em conta a diferença pontual que já existia para o FC Porto.
Independentemente dos resultados até final, o adiamento deve ser incluído na avaliação da temporada, ainda que Rui Borges, que ainda ontem disse que não é de lamentos, talvez esteja mais focado na profundidade que o plantel oferece nesta reta final. A imprevisibilidade das lesões não explicará tudo, sobretudo em comparação com o FC Porto, que não adormeceu à sombra da liderança no mercado de inverno. Nem todas as apostas de janeiro dos dragões foram certeiras, mas o Sporting pouco ou nenhum rendimento tirou dos dois jogadores recrutados a meio da temporada. E se Luís Guilherme tem o desconto da lesão - embora tenha um golo e zero assistências em 12 jogos - Souleymane Faye nem sequer tem convencido Rui Borges a dar-lhe oportunidades: oito jogos apenas e uma assistência.
Enquanto faz contas ao retorno dos 20 milhões de euros que investiu em janeiro, a SAD leonina pode analisar os dividendos que tirou da venda de Afonso Moreira, por apenas dois milhões de euros (e 20% de futura mais-valia). O jovem avançado soma sete golos e dez assistências em 33 jogos pelo Lyon, tendo sido uma das figuras da vitória sobre o PSG. No passado domingo.
Esse negócio devia ter sido adiado.