Jaime Faria teve as meias-finais na mão         Fotografia Imago
Jaime Faria teve as meias-finais na mão Fotografia Imago

Jaime Faria: «Queria dar uma vitória aos portugueses»

Jaime Faria não conseguiu contrariar o ascendente do italiano Luciano Darderi e não haverá tenistas nacionais em singulares nas meias-finais do 11.º Estoril Open, ainda assim o lisboeta considera ter efetuado um torneio positivos e agora é hora de começar a pensar nos pisos rápidos nos Estados Unidos

Após 2.29 horas intensas de encontro dos quartos de final, o italiano Luciano Darderi (21.º do ranking) derrotou Jaime Faria (88.º) pelos parciais de 2-6, 7-5 e 6-2, fazendo cair o último português em singulares no 11.º Estoril Open, e deixando a representação nacional reduzida à variante de pares através de Nuno Borges e Francisco Cabra, os quais terão, hoje (15h) pela frente os franceses Titouan Droguet e Kyrian Jacquet nas meias-finais para voltarem a discutir o título do torneio que ganharam há quatro anos.

Já Faria, de 22 anos e número dois nacional, não conseguiu repetir os resultados de Nuno Marques em 1995, Frederico GIl em 2010 e João Sousa em 2018 — que tal como Gil chegou à final, só que a ganhou —, de haver um luso nas meias-finais da principal prova nacional.

Jaime, que chegou a servir para fechar o encontro, esteve a um passo de alcançar tal objectivo mas acabou por sofrer uma reviravolta face a Darderi.

Faria parecia ter a vitória assegurada quando liderava por 5-2 no segundo set. Contudo, a partir desse momento, permitiu a recuperação do segundo cabeça de série do torneio, que venceu cinco jogos consecutivos e forçou um terceiro parcial.

Apesar da diferença de mais de 60 lugares na hierarquia, o lisboeta dominou a fase inicial do encontro. Com um ténis de qualidade e um serviço forte, frustrando o adversário e quebrando-lhe o serviço por duas vezes para fechar o primeiro set, aproveitando uma dupla falta e um erro não forçado do italiano.

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A superioridade manteve-se no arranque do segundo set, com um novo break a colocá-lo a vencer por 3-1. A vantagem dilatou-se até ao 5-3, altura em que Faria pareceu sentir a pressão de fechar a partida, perdendo o seu jogo de serviço pela primeira vez.

A partir daí, o controlo do jogo passou para o transalpino, que se galvanizou com o ambiente adverso nas bancadas. Curiosamente, o comportamento excessivo de parte do público, que apoiava Faria, pareceu afetar mais o tenista da casa. Este chegou mesmo a pedir silêncio aos seus apoiantes e a protestar contra o ruído.

Visivelmente abalado, Faria não conseguiu reencontrar o seu melhor nível e acabou por ceder no set decisivo. A expressão do português no final do encontro refletia a desilusão por ter deixado escapar uma oportunidade soberana de, à sua quarta presença nos quartos de final, atingir pela primeira vez as meias-finais de um torneio do circuito ATP.

«Ele é top 20 por alguma razão. Estive muito perto. Portanto, estou apenas feliz com o meu nível. Ele continuou a puxar pelo nível, a melhorar e é isto que os bons jogadores fazem. Para chegar a um patamar destes, é continuar a trabalhar. Tenho muitos jogos destes nas pernas. Ele é mais velho e tem mais anos deste nível do que eu. Mas é o meu caminho, é o meu processo», foi contando Jaime.

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«Para ser sincero, acho que ele já estava à espreita do 'break' há algum tempo no set. Eu fui-me aguentando com muita qualidade. As condições foram mudando, foi ficando de noite e um bocadinho mais ao jeito do jogo dele», explicou. «Sabia que precisava de meter muita qualidade no serviço e nas primeiras pancadas, mas ele foi-me conseguindo contrariar. Ao 5-3, eu faço três primeiros serviços a 220, todos com boa qualidade. Mas é isto o ténis.»

«Estava a vencer no segundo set, mas já não estava a ser melhor do que ele há algum tempo», reconhece. «E a verdade é que é muita qualidade. Não há muito a dizer, é apenas aprender e saber aceitar a derrota. A coisa boa do ténis é que há muitas oportunidades. Para a semana sigo já para o Canadá, para uma superfície [piso rápido] de que gosto e sinto que tenho boas hipóteses»,, vai explicando quando aponta a caminhada até ao US Open.

Por fim, solicitado a fazer um balanço deste Estoril Open, acaba por considerar que foi uma jornada positiva. «Foi uma muito boa primeira ronda, uma segunda ronda sólida e a terceira quase perfeita, mas é isto. Foi um bom torneio. É um jogo que vai somar para a minha experiência, para a minha aprendizagem. Agora é fazer bocadinho o briefing do jogo com a minha equipa, aprender e pensar já nos próximos encontros deste género, nas coisas que se podem melhorar», completou lamentando apenas «não conseguir dar uma vitória aos portugueses.»

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