Pedro Lima volta a marcar no Casa Pia-Sporting - Foto: Miguel Nunes
Pedro Lima volta a marcar no Casa Pia-Sporting - Foto: Miguel Nunes

Está encontrada a fórmula do leão: Pedro Lima e mais dez (crónica)

Sporting não foi brilhante mas foi muito seguro e bateu sem problemas o Casa Pia

Um Sporting de cara lavada voltou aos triunfos na Liga, depois do choque da derrota caseira com o Académico de Viseu, impondo-se sem grandes problemas ao Casa Pia.

Sim, a diferença no marcador foi mínima até depois dos 90', criando alguma incerteza, algum nervosismo nos adeptos dos leões — pelo menos naqueles que acompanharam o jogo pela rádio ou na internet, porque quem esteve no estádio ou viu na televisão percebeu que seria muito, muito difícil que os gansos conseguissem marcar, tamanha a incapacidade para criarem ocasiões... Na verdade, o leão, sem encantar, pareceu ter sempre o jogo controlado, graças ao golo madrugador de Pedro Lima, a pedra fundamental numa nova fórmula de Rui Borges.

Galeria de imagens 30 Fotos

Se a inclusão do brasileiro no onze do Sporting, após a boa exibição frente ao Marítimo, na Allianz Cup, já se adivinhava, com o brasileiro a substituir Flávio Gonçalves, Rui Borges operou mais duas alterações em relação ao onze que perdera em casa com o Académico de Viseu.

No centro da defesa, Ibrahima Ba voltou ao banco e jogou Eduardo Quaresma. A meio-campo, Silas Andersen surgiu na vez de Doumbia.

Com isso, o leão ganhou segurança, poder de choque, capacidade de pressão, limitando de forma brutal a capacidade do adversário sair em contra-ataque ou com a bola dominada. Em teoria, tendo o dinamarquês em vez do italiano, perdia presença na área, e Silas, na verdade, se lá entrou duas ou três vezes sem ser em lances de bola parada foi muito. Mas Rui Borges soube compensar a falta de criatividade ou de instinto ofensivo da dupla mais recuada do meio-campo. Primeiro, porque Pedro Lima foi capaz de aparecer em todo o lado, mas foi sobretudo um segundo avançado e não um médio ofensivo. Depois, porque Fresneda fugiu muitas vezes do corredor direito para a zona central, e foram as incursões inesperadas do espanhol que mais desequilibraram a bem montada defesa dos gansos.

Foi assim, aliás, que surgiu o primeiro golo do leão, aos 13', já Irankunda atirara livre à figura. O australiano voltou a aparecer na jogada, com um cruzamento para o coração da área. A bola chegou à direita, Luís Guilherme deu para trás para Fresneda — lá está, a provocar desequilíbrios na área — e o espanhol encontrou Pedro Lima, que se é supersticioso bem pode parar de o ser, porque dez minutos antes ficara sem a bota da sorte (após pisão de Ofori que o árbitro deixou passar), a do bis contra o Marítimo, e foi com a nova que inaugurou o marcador.

A vantagem madrugadora deu confiança mas sobretudo tranquilidade ao leão. Sem sentido de urgência, não teve de acelerar muito, escolheu os momentos certos para atacar. Faltou apenas mais pontaria, sobretudo de Suárez, mas houve também um grande Patrick Sequeira na baliza casapiana a manter a incerteza no resultado.

O Casa Pia respondeu ao intervalo com a entrada de Livolant, mas nunca conseguiu criar perigo. Sim, o Sporting também se tornou mais inofensivo — se bem que aos 70' Flávio Gonçalves perdeu incrivelmente o 2-0, cara a cara com Sequeira, que levou a melhor —, mas o melhor que os locais conseguiram foram dois remates à figura, de Pedro Rosas e David Sousa.

No último lance, um livre lateral, o guarda-redes do Casa Pia subiu à área do Sporting. Ninguém tremeu, saiu o contra-ataque e Geny Catamo (que aos 63' e aos 82' já obrigara Sequeira a duas belas defesas) aproveitou a baliza vazia e fez o 2-0.

Para o Sporting, a nova fórmula, com meio-campo mais seguro, foi vencedora, mas não brilhante. Para funcionar, provavelmente precisa sempre de um Pedro Lima assim, inspirado, a desequilibrar.

Próximo artigo

A iniciar sessão com Google...