Rui Borges fez conferência de imprensa na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete - Foto: SPORTING CP
Rui Borges fez conferência de imprensa na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete - Foto: SPORTING CP

Altimira recuado, falta de maturidade e um treinador que é sempre solução: tudo o que disse Rui Borges

Técnico do Sporting fez a antevisão do jogo com o Ac. Viseu, da jornada 9 do campeonato

Quando o Sporting parecia lançado após duas vitórias importantes, com o SC Braga (3-1) na Liga e com o Lens (2-0) na UEFA Champions League, ambas fora, eis que balde água fria caiu sobre o leão em Alvalade, derrota (1-3) com o LASK Linz na 3.ª jornada da Liga dos Campeões. Frustração pelo resultado mas também enorme desilusão pela fraca exibição.

Na antevisão do encontro com o Ac. Viseu — este domingo às 20h30 em Alvalade —, da ronda 9 do campeonato, Rui Borges falou sobre o adversário numa conferência em que se falou muito de tática.

Mas na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, o treinador, com os leões a correr atrás de FC Porto e Benfica na Liga, falou também sobre a falta de maturidade para ser mais espertos e inteligentes. Assumiu responsabilidades e garantiu ser sempre solução e não problema. Eis tudo o que disse Rui Borges:

— Foi eliminado na Taça mas no campeonato o AC. Viseu ganha há quatro jornadas consecutivas… Este é um jogo perigoso para o Sporting?

— Todos os jogos são perigosos. Mérito do treinador, da sua equipa, do trabalho… o Ac. Viseu está a fazer um excelente início de época. É uma equipa já madura, com ideias muito boas. Particularmente conheço-a de a enfrentar já há alguns anos e não mudou muito nesse sentido. Por isso, é uma equipa que está motivada, que vem de quatro vitórias seguidas. Independentemente do jogo da Taça de Portugal, são jogos diferentes, competições diferentes. Mudou praticamente os onze jogadores e na Taça acaba por acontecer muitas vezes essa surpresa. Por isso, não acredito que isso a belisque. Estão a conseguir construir algo ao longo deste início de época, com todo o mérito, e isso deixa-nos em alerta, porque estão em 5.º e com muita qualidade, com muito mérito e nós temos de olhar para eles nesse sentido, independentemente de ser uma equipa que acabou de subir à Liga. Tem a sua qualidade individual e coletiva e nós esperamos estar preparados para aquilo que iremos encontrar.

— Debast está dentro ou fora? Pode haver alterações na equipa?

— Podem acontecer alterações, sim. O Zeno [Debast] não estará para este jogo nem para o jogo de terça-feira [Marítimo na Taça da Liga]. Por isso, é uma baixa para a nossa equipa. Dentro das nossas soluções, iremos apresentar o melhor onze para defrontar o Ac. Viseu e sermos fortes em nossa casa, voltar às vitórias, que é importante. Mas sim, pode haver uma ou outra alteração.

— Kaique jogou estes dois jogos na Champions, vai continuar no campeonato?

— É opção técnica. Amanhã [domingo] têm de ver quem joga. O Zeno não está para estes dois jogos e o Zalazar também não.

— Ba já vai para o banco há três jogos mas não somou minutos? Porquê? E vai ser agora?

— É solução para amanhã. Tem mais treino e é uma opção como qualquer outro colega.

— E o que falta a Flávio Gonçalves para ir mais a jogo como antes?

— Não perdeu nada. Teve muito a ver com estratégia. Em termos de características individuais do adversário. Dentro da estratégia deste jogo [LASK], o Sergi baixava para cinco e o Geny ficava por fora. Neste caso tinham que ser dois médios a fazer a linha do 5x2x3. O Flávio é um criativo e para dar aquele equilíbrio acabou por perder por estratégia de jogo e não pelo Flávio. Acreditamos muito nele. Teve a ver com estratégia mais do que tudo o resto.

— Pode jogar com o A. Viseu?

— Pode fazer sentido, é um adversário diferente.

A tática, os golos em casa...

— O recuo de Altimira para zona entre os centrais é para continuar ou será consoante os adversários? O que ganha ou perde com essa questão tática?

— Deviam perceber aquilo que é a ideia do treinador e de que forma estratégica aborda os jogos dentro do que é o adversário. Nós não fugimos à nossa ideia de jogo. Independentemente do adversário, tentamos de forma estratégica adaptar-nos em termos defensivos, desde que cheguei ao Sporting, desde que esta equipa técnica chegou aqui. Mas relativamente à época passada e ao início desta, nós, quando as equipas constroem a três, afastamo-nos para fazer pressão homem a homem, principalmente em nossa casa, até para ir buscar referências. Defendemos a cinco, como sempre fizemos, a única diferença é que antes em alguns jogos fizemos com o Geny [Catamo] e nestes três jogos optámos pelo Sergi [Altimira], mas não mudou nada no que é a estratégia de jogo ofensiva do Sporting.

— Fica o meio-campo mais vazio?

— Mas porque é que fica mais vazio? Não fica e explico: defendíamos a cinco contra equipas que constroem a três, com dois ficamos 5x2x3, defendemos com dois médios, o Sergi baixou para cinco, não defendemos com dois médios? Defendemos igual, ou não? Defendemos igual. Respondo com todo o gosto e estou a explicar porque gosto dessas perguntas que têm a ver com a parte tática e estratégica do jogo. Não tem a ver com o Sergi baixar ou não baixar e o meio-campo não muda nada. Nós sempre defendemos equipas que constroem a três em 5x2x3 ou em 5x4x1, um bloco mais baixo depois. Por isso, não muda nada, muda o jogador que quer defender. De forma estratégica não mudou absolutamente nada. O Sergi é uma não questão para mim, tem a ver muito com aquilo que é a estratégia e não perdemos porque o Sergi encaixou a cinco, quer dizer, nos outros dois jogos e o Sergi foi espetacular, grande estratégia, agora perdemos e questionam por que é que o Sergi continuou a cinco? É simples, basta olhar que defrontámos três equipas que construíram a três e nós defendemos a cinco, quando assim é, é para bater homem a homem.

— Em jogos que não correram tão bem já se falou em falta de atitude competitiva, agora em falta de energia…

— O único jogo em que claramente não estivemos à nossa altura foi na segunda parte contra o Vitória de Guimarães, foi má! No Estrela perdemos na fase final a energia, no Arouca foi um jogo totalmente diferente depois de ficarmos com 10. Poderíamos ter feito outras coisas, mas depois de abrir o melão é que vemos se é bom ou mau. Tomo decisões, umas são boas, outras são más, o futebol é bonito nisso. No momento em que tomei as decisões era as que achava melhor. São jogos com histórias totalmente diferentes. O Famalicão é um momento, o Estrela são momentos individuais. A única equipa que nos criou algum perigo e nos encostou foi o Vitória na segunda parte e o Arouca quando estávamos com dez. Sinto e consigo perceber quando estão no máximo deles, o corpo às vezes não responde. Às vezes falta maturidade para sermos mais espertos e inteligentes e conseguirmos quebrar essa falta de energia ou excesso de passes falhados. Respirar um bocadinho e voltar outra vez. Não é justificação, a culpa é sempre do mister. Podemos fazer coisas melhores e aprendemos todos os dias, vamo-nos conhecendo cada vez mais e melhor. O nosso propósito é fazer o melhor, ganhar e tirar o máximo rendimento dos jogadores.

— Numa altura de críticas é mais problema ou solução?

— A crítica faz parte e existe desde o primeiro dia em que cheguei ao Sporting. Lido bem com a crítica, entendo-a e compreendo-a. Desde que seja com respeito, está tudo certo. Sou sempre solução.

— Há explicação para o facto de o Sporting sofrer o dobro dos golos em casa?

— Temos sofrido mais golos do que desejávamos. É um conhecimento mútuo e estamos em busca de sermos melhores. O facto de estarmos mais vezes expostos a momentos de transição é algo em que temos que crescer. Tentamos melhorar e diminuir esse aspeto. Sabemos isso e está identificado.

— Voltando ao LASK, como explica que o Sporting tenha tido menos energia com uma semana limpa, ao contrário do adversário ?

— Disse falta de energia mas não é justificação. Tínhamos a obrigação de ter feito mais, outro resultado, mesmo perante este adversário e a boa estratégia que teve. Em alguns momentos em que falhámos mais passes houve um acumular de coisas que fugiu do normal... Se tivéssemos conseguido igualar a intensidade, o erro da tática ou posse, conseguíamos superar. Não senti a intensidade do jogo de Lens ou de Braga, foi coletiva, não foi individual.

— Porque só fez as substituições aos 80’?

— Já vi grandes treinadores fazerem só uma substituição e não ganharem, já vi o Guardiola… O futebol é bonito por isso. Toda a gente percebe de futebol, faz equipas... Jogámos com 11, o Altimira defendeu como defendemos sempre. Às vezes, até digo aos jogadores que ludibriar muito os adversários depende da cara dos jogadores que estão e que passam depois a estar…

— Na questão do ataque mudou alguma coisa, por exemplo com o Geny e o espaço que passa a ter e a utilização de um médio mais cerebral?

— Posso responder à sua pergunta como uma pergunta? O Geny defendia a 5 e os médios que ficavam era o Sergi e o Doumbia... Tínhamos algum médio cerebral? Não, ia defender à direita. Ganhámos mais em termos defensivos. Temos o Geny mais perto para acelerações, ele é rápido. A parte do médio mais cerebral depende dos momentos do jogo, mais decisões táticas minhas e na tentativa de buscar o melhor de cada um.

Próximo artigo

A iniciar sessão com Google...