Sporting: a arma invisível que decide jogos em Alvalade (e não é Rui Borges...)
Se o rosto público é o de Rui Borges, o trabalho invisível do sucesso tem assinatura: Fernando Morato, natural de Bragança, 30 anos, é o fiel escudeiro do treinador leonino desde os primeiros passos da carreira, em Mirandela. Sempre na sombra, longe do foco mediático, mas permanentemente presente no desenho estratégico da equipa.
Morato tornou-se uma espécie de engenheiro de pormenores, responsável por transformar momentos estáticos em armas letais. Com impacto direto no que a equipa do Sporting produz no relvado, pois estamos a falar do principal responsável dos leões pela estruturação dos lances de bola parada. A atenção ao detalhe, capacidade analítica e criatividade têm sido fundamentais para acrescentar imprevisibilidade ao jogo leonino. Mais do que um recurso circunstancial, sobretudo quando se aproximam as decisões, as bolas paradas transformaram-se numa via estratégica para desbloquear jogos e somar pontos.
Dos 59 golos marcados pelo Sporting esta época, 14 nasceram de lances de bola parada — valor que reforça a importância estratégica deste momento do jogo. Só em cantos, os leões já somam sete golos no campeonato, superando o total alcançado em toda a época passada. Alverca, Santa Clara, Aves SAD (por duas vezes), Rio Ave (também duas vezes) e Moreirense foram vítimas de esquemas bem trabalhados e executados com precisão.
A estes sete golos juntam‑se mais quatro resultantes de livres ou combinações estudadas (Casa Pia, Estrela por duas vezes e Famalicão), além de três grandes penalidades convertidas (Arouca e Moreirense por duas vezes). Frente ao FC Porto, o golo surgiu em recarga após bola parada, reforçando a tendência.
Obcecado com o detalhe
Quem trabalhou com ele de perto, não hesita: é meticuloso, observador e obcecado pelo detalhe. Morato dedica horas ao estudo de padrões defensivos adversários e à criação de novas rotinas ofensivas. O seu trabalho não procura protagonismo, mas... eficácia.
Giro o disco 💿 e toca o mesmo!
— Liga Portugal (@ligaportugal) February 21, 2026
Luis Suárez continua de pé quente 🔥 e o Sporting CP agradece!
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A ligação entre ambos, construída desde Mirandela, permite uma sintonia rara. Borges confia, Morato executa. Faz também a ligação diária com o departamento de performance e desde que chegou à Liga é o responsável pelas bolas paradas ofensivas da equipa. É reservado mas vive muito o jogo. E o Sporting tem beneficiado dessa química numa altura em que a capacidade de decidir jogos em momentos específicos se torna vital. E analisando todo o sucesso neste tipo de ações salta à vista a variabilidade. Ora batendo direto, desenhando combinações curtas pela ala, atacando o primeiro poste, promovendo o desvio para o segundo ou apostando na movimentação em bloco para libertar o melhor cabeceador.
Se o Sporting tem sido capaz de desbloquear jogos complicados, muito se deve a este laboratório silencioso longe das câmaras. Uma ciência que tem rendido pontos...