«Seria um sonho ver o Marco Silva a treinar o clube do meu coração»
Marco Silva iniciou a carreira de treinador principal no Estoril, em outubro de 2011, aos 34 anos. O Estádio António Combra da Mota foi a primeira tela do jovem técnico que pintou a primeira obra de arte logo na época de estreia: a conquista da Liga 2 e a subida dos canarinhos ao principal escalão, sete anos depois.
A subida de divisão precipitou a contratação de talentos com experiência de Liga em 2012, como Carlitos, antigo jogador do clube e do Benfica. O extremo, então com 30 anos, regressou a Portugal após seis temporadas na Suiça (Sion e Basileia) e Alemanha (Hannover) pela porta da Amoreira e ficou encantado com Marco Silva.
14 anos volvidos, o antigo extremo não escondeu a satisfação por ver o nome do antigo técnico na rota do Benfica, clube que representou em 17 partidas entre 2004 e 2005. Carlitos considera que Marco Silva «percebe muito de futebol» e seria uma «excelente opção».
Elogios não faltaram para o técnico de 48 anos: «O Marco Silva foi o melhor treinador que tive na minha carreira. Seria um sonho vê-lo a treinar o clube do meu coração.»
Carlitos destacou a qualidade tática de Marco Silva, que, em 2012/13, guiou o Estoril até ao quinto lugar na temporada de estreia da Liga. Para o extremo, a qualificação para as competições europeias, foi uma consequência dos «melhores treinos» que teve na carreira.
«Nesses dois anos em que estive no Estoril fomos uma das equipas da Liga que melhor futebol praticavam. Jogávamos de igual para igual contra qualquer equipa, mesmo contra os grandes», frisou. Um dos maiores exemplos da qualidade canarinha contra a elite do futebol português teve lugar... no Estádio da Luz, a 6 de maio de 2013.
O Benfica recebeu o Estoril na jornada 28 com quatro pontos de vantagem para o principal perseguidor FC Porto, antes da visita ao Estádio do Dragão. Os canarinhos, que contaram com Carlitos no onze, surpreenderam tudo e todos e colocaram-se em vantagem aos 58', por intermédio de Jefferson.
Maxi Pereira ainda empatou para as águias, mas o empate final (1-1) diminuiu a margem de manobra encarnada antes da visita ao FC Porto. Os dragões venceram o clássico de forma dramática (2-1) e o Benfica, então treinado por Jorge Jesus, perdeu o título.
Os estorilistas surpreenderam o futebol português em 2012/13... e ainda fizeram melhor na temporada seguinte. Marco Silva guiou os canarinhos até ao quarto lugar, igualando a melhor classificação de sempre da história do clube.
Carlitos, que assinou seis golos e três assistências em 57 jogos na segunda passagem pelo Estoril, atribuiu o mérito ao comandante... de poucas palavras. O antigo extremo recorda uma abordagem mais «tranquila» e «reservada» de Marco Silva, que «sabia sempre quando tinha de falar».
Mais cerebral do que emocional, o técnico luso «passava sempre uma boa mensagem aos jogadores dentro e fora de campo». Carlitos regressou ao Sion no verão de 2014, enquanto Marco Silva rumou ao Sporting, onde realizou uma «excelente época».
«O Sporting não tinha a estrutura nem o tipo de jogadores que tem hoje. Era uma equipa mais fraca e ele conseguiu ganhar a Taça de Portugal», defendeu. Marco Silva rumou no final da temporada ao Olympiakos e iniciou mais de uma década longe do futebol luso.
Carlitos considera que Marco Silva «adquiriu experiência e maturidade» ao serviço de Olympiakos, Hull City, Watford, Everton e Fulham.
O impacto da qualificação europeia...
A primeira missão que o Benfica tem de superar é a mesma que Carlitos enfrentou no Estoril em 2013: garantir a qualificação para a fase final da UEFA Europa League.
O antigo extremo relativizou o peso da entrada das águias na 2.ª pré-eliminatória da prova e considerou que «profissional que é profissional tem de estar pronto» para iniciar a época oficial a 23 de julho. As férias «são mais curtas», mas a fé numa boa temporada encarnada permanece intacta.
O ex-Benfica e Estoril considerou, ainda assim, que a indefinição na liderança técnica das águias pode prejudicar o novo comandante. «Era melhor que o Benfica acabasse com a novela o mais rápido possível para o novo treinador entrar e implementar as suas ideias», reiterou.
O contexto atípico associado ao início de época não impede Carlitos de apontar as águias ao caminho dos títulos: «O Benfica aposta para ganhar todos os anos. A pressão está sempre lá e muito mais agora pois não ganha o campeonato há três anos.»
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