Revolução nas transmissões televisivas para evitar a sexualização das atletas
A partir dos próximos Campeonatos da Europa de Atletismo, em Birmingham, as transmissões televisivas das competições passarão a seguir novas e rigorosas diretrizes com o objetivo de evitar a sexualização das atletas. A medida entrará em vigor já no evento que decorre de 10 a 16 de agosto.
Esta decisão, considerada forte e simbólica, resulta de um guia com novas recomendações publicado em meados de junho pela União Europeia de Radiodifusão (UER). O documento, com cerca de 20 páginas, foi elaborado em colaboração com a Federação Europeia de Atletismo e várias atletas, visando proibir práticas de filmagem consideradas problemáticas.
Entre as novas regras está o fim dos planos em contra-picado, dos grandes planos focados em partes específicas do corpo e do uso excessivo de repetições em câmara lenta («slow motion»). Estas últimas terão de ser previamente revistas antes da sua emissão para garantir que não contêm imagens embaraçosas e que não acrescentam valor à análise desportiva.
Um dos principais objetivos desta iniciativa é combater o ciberassédio, limitando a utilização indevida destas imagens nas redes sociais, onde frequentemente são fonte de assédio. Várias atletas já relataram sentir-se desconfortáveis com as câmaras durante as competições.
A medida surge na sequência de declarações do responsável da Olympic Broadcasting Services (OBS) antes dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, que alertou para o tratamento frequentemente estereotipado dado às mulheres nas transmissões, em comparação com os homens.
Para além dos ângulos de câmara, o guia da UER incentiva a que as transmissões se foquem mais na técnica desportiva e na performance, em detrimento de momentos comprometedores. O papel dos comentadores também é destacado, sendo incentivados a centrar a sua análise no gesto desportivo, contribuindo assim para valorizar o desempenho das atletas.