Seleção: o efeito do escocês, a barreira que salta e a importância de ter quatro guarda-redes
Roberto Martínez prometeu e está a ser uma realidade: o arranque dos trabalhos da Seleção Nacional tem sido marcado por muita finalização, antevendo-se uma equipa de tração à frente tal como se pede a um candidato à conquista do Mundial.
Esse foi um dos motivos para a chamada de Ricardo Velho. Pelo que tem sido possível perceber, a presença do guarda-redes do Gençlerbirligi (Turquia) ajuda a elevar os muitos exercícios de ataque ao golo. Tal como recordou ontem José Sá, é melhor ter alguém com a experiência e qualidade do antigo guardião do Farense do que o habitual recurso a jovens da formação.
Ademais, esses mesmos jovens estão agora ocupados, nomeadamente os que habitualmente alinham pelos sub-19, escalão que se encontra a participar na qualificação do Europeu da categoria. Ao subir o grau de dificuldade nas várias estações de trabalho, aumenta a exigência na hora de rematar à baliza.
Nos 15 minutos abertos à Comunicação Social tem sido possível observar a dinâmica e simetria do ponto de vista numérico: são sempre aos pares, incluindo os treinadores Ricardo Pereira e Iñaki Vergara.
Já quando a imprensa sai de cena e o trabalho coletivo aumenta a intensidade, nenhum dos quatro guardiões tem descanso. Velho não veio só para fazer número, portanto.
Outro dos elementos da equipa técnica com protagonismo é Austin McPhee, responsável pelo treino de bolas paradas. Este momento de jogo tem sido integrado em cada treino, sempre com muitas variações, ou não fosse o escocês também membro da equipa técnica liderada por Unai Emery no Aston Villa, vencedor da Liga Europa e quarto classificado na Premier League. A equipa de Birmingham marcou, ao longo da época, 18 golos de bola parada em todas as provas, correspondentes a 32 por cento do total de golos (sem penáltis).
O treino de livres diretos ganhou também um protagonista: as barreiras formadas por bonecos em bicos de pés, mas que também se elevam para simular o que acontece habitualmente nos jogos.
O resto, cabe aos craques. Especialistas não faltam e já se habituaram à bola oficial do Mundial. Como disse José Sá: «É boa para Bruno Fernandes.» Resta saber o que também diz Cristiano Ronaldo.