Se é uma prenda Da(w)da por Chiquinho... é de valor (crónica)
Se é Chiquinho... pode haver golo ou assistência. O extremo do Alverca é um dos principais agitadores do ataque do emblema ribatejano — tal como, de resto, já tinha acontecido na temporada passada e cujos registos (20 jogos, dois golos e quatro assistências) atestam bem a influência do camisola 10 —, sendo que a curva ascendente que o conjunto orientado por Sérgio Ferreira tem vindo a trilhar na presente campanha tem muito do antigo internacional jovem luso.
Mas se para dançar são precisos dois, então apresentemos Dawda Camara. Porque esta sociedade parece estar pronta para qualquer tipo de música: um assiste, outro fatura.
Chegados aqui, é tempo de constatarmos o facto: o Alverca meteu a segunda e parece estar, finalmente, a embalar. Depois de uma entrada irregular no campeonato (dois empates e três derrotas nas primeiras cinco jornadas), o conjunto do Ribatejo venceu (3-1) com clareza no reduto do Nacional, na ronda anterior — Chiquinho e Dawda Camara (lembram-se?) estiveram em destaque, com um passe para finalização do extremo e dois remates certeiros do ponta de lança — e ontem voltou a ser feliz. A velocidade trazida da Madeira fez-se sentir no regresso a casa e logo aos três minutos... mais festa: assistência de Chiquinho e desvio certeiro de Dawda Camara. Siga a dança, pois então.
O golo fez muito bem aos visitados e o domínio foi quase absoluto até ao intervalo. E se nesse período o marcador não voltou a funcionar, bem que o Rio Ave pode agradecer à menor eficácia dos adversários, assim como às boas intervenções de Vitor Hugo, em estreia absoluta pelos nortenhos.
Roland Galcík foi o único a ameçar a baliza de Matheus Mendes, mas os dois remates (24' e 39') do eslovaco não tiveram sucesso.
O conforto dos alverquenses manteve-se na etapa complementar, ainda que com maior maturidade no controlo da posse do que propriamente vertigem pela baliza contrária, como tantas vezes tinha acontecido na primeira parte. As ocasiões voltaram a existir, mas com a meia distância a ser a arma mais utilizada. Sem efeitos, porém. A história foi escrita logo aos 3 minutos: a prenda Da(w)da por Chiquinho teve mesmo muito valor.
Os vila-condenses prolongaram o mau momento e chegaram ao quarto jogo consecutivo sem vencer: três derrotas e um empate. Convém começar a arrepiar caminho...
É ponta de lança? Marcou o único golo do desafio e selou os três pontos para a sua equipa? Então a probabilidade de ser o destaque é muito grande. Validamos esta tese e elegemos o hispano-mauritano como a grande figura do encontro. Sendo que, refira-se, o camisola 19 fez mais: trabalhou sempre muito nos apoios frontais e esteve perto de bisar, quando atirou a rasar o poste (34').
Quem não soubesse que estava em estreia absoluta pelo Rio Ave dificilmente ousaria dizê-lo. Porque o guarda-redes brasileiro demonstrou uma tranquilidade muito acima da média entre os postes, algo que, no fundo, não espanta para quem já o acompanhava no Lusitânia de Lourosa. Sem culpa no golo sofrido, realizou várias intervenções de grande nível que evitaram outros números.
As notas dos jogadores do Alverca:
Matheus Mendes (5), Steven Baseya (5), Sergi Gómez (5), Isaac James (5), Diogo Spencer (6), Rayan Lucas (6), Davy Gui (6), Francisco Chissumba (6), Chiquinho (7), Dawda Camara (7), Figueiredo (6), Vivaldo (5), André Vidigal (5), Matheus França (5), Yaya Bojang (—) e Zé Rafael (—).
As notas dos jogadores do Rio Ave:
Vitor Hugo (6), João Tomé (5), Pancho Petrasso (5), Simon Garcia (5), Pedro Amaral (4), Andreas Ntoi (5), Tamas Nikitscher (4), Diogo Bezerra (4), Miguel Patrício (4), Roland Galcík (5), Jalen Blesa (4), Marious Vrousai (4), Sebastian Clemmensen (4), Malik Sellouki (4), Tamble Monteiro (5) e Caike (4).
Sérgio Ferreira (treinador do Alverca):
Estou muito satisfeito porque vencemos, mas também por ser a primeira vitória em casa. É sempre bom ganhar perante os nossos adeptos. A equipa não foi perfeita, mas fez coisas muito boas, com e sem bola, e queremos continuar nesta senda.
Sotiris Silaidopoulos (treinador do Rio Ave):
Claro que não podemos estar satisfeitos com a nossa prestação. Temos de falar todos juntos. Não podemos ter este tipo de prestações. Acho que esta paragem vai ser boa para nós para conectarmos os jogadores e fazermos melhor no futuro.