SC Braga: sócios com lugar anual protestam com os preços de época
Os sócios do SC Braga que têm lugar anual no anfiteatro arsenalista estão em polvorosa com a subida dos preços.
De acordo com os dados divulgados recentemente pelo clube, além dos lugares anuais na Pedreira, há também a possibilidade de os associados adquirem pacotes que dão acesso aos jogos realizados no Estádio Amélia Morais e também no Pavilhão AMCO Arena. Olhando para todas estas possibilidades, os preços variam entre os 20 e os 330 euros.
A contestação está a subir de tom e nas redes sociais estão já a surgir movimentações com vista à recolha de assinaturas que permitam a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária, na qual os sócios bracarenses pretendem discutir toda esta situação.
No seguimento deste tema, António Salvador, presidente do SC Braga, enviou uma comunicação, por e-mail, aos associados dos guerreiros do Minho, que A BOLA divulga na íntegra.
Caros Sócios,
Tenho recebido, nos últimos dias, várias interpelações a propósito dos Lugares Anuais 2026/27. Respeito os comentários, as críticas, os apelos e os argumentos e é por isso que entendo dirigir-me a todos, pedindo que esta comunicação permaneça no seio da família gverreira.
Sem prejuízo da posterior partilha de outras informações e fundamentos em espaços e momentos mais apropriados, quero esclarecer os sócios de que o trabalho das equipas internas que suportou estas decisões foi sólido e cuidado, tendo merecido a validação da Administração.
Fizemo-lo cientes de que haveria discórdias, mas também convictos de que o receio da decisão pode servir o conforto particular, mas não serve, seguramente, o interesse coletivo. Tenho a responsabilidade, enquanto Presidente do SC Braga, de privilegiar o que é certo para o Clube no médio/longo prazo, em detrimento da minha e da nossa conveniência momentânea.
É por respeito aos muitos sócios que a mim se têm dirigido que abordo, desde já, este tema. Faço-o sem pretensão de encerrar o debate, porque continuarão a existir argumentos razoáveis e válidos contra a decisão que foi tomada, mas porque tenho o dever de rebater e eliminar um raciocínio que é falso e não pode ter acolhimento.
Muitos têm sido aqueles que alegam que esta é uma medida reveladora de uma política que vê os sócios de forma mercantilista. Que a Direção e a Administração deliberam em prejuízo dos associados. No fundo, uma retórica divisionista do “nós contra eles” que é minha obrigação recusar e que não pode contaminar esta nem qualquer discussão, mais ainda no pré-arranque para uma época em que muito me importa alimentar a união entre o Clube, os sócios e as equipas.
As decisões que tomamos são aquelas que acreditamos ser as melhores para o SC Braga, logo para os seus associados.
E não, não é a ganância que move a nossa relação com os sócios e há um histórico sólido que o confirma, bastando recordar que:
- Há 8 anos que o SC Braga pratica uma política de exclusividade para os seus associados, limitando os bilhetes para o público visitante aos 5% regulamentares. Esta é uma medida com impacto financeiro negativo, tomada exclusivamente para defesa, proteção e valorização dos sócios;
- Há vários anos que o SC Braga promove e disponibiliza opções de deslocação para os jogos disputados na condição de visitante. Ciente do esforço financeiro que tais viagens implicam, o Clube comparticipa em média mais de 50% de cada deslocação. De forma episódica, o mesmo já aconteceu em bilhética, sobretudo quando o visitado praticou preços acima do padrão;
- Ainda recentemente, aquando da meia-final da UEFA Europa League, o Clube promoveu e disponibilizou opções de deslocação para Friburgo, que implicaram fretar charters e garantir transportes terrestres. O SC Braga assumiu cerca de 60% dos custos desta operação, aliviando os encargos para os sócios e percebendo a importância de facilitar a sua presença;
- Não raras vezes ao longo dos anos, o Clube tem decidido, no decurso da temporada, oferecer aos detentores de Lugar Anual o acesso a jogos que não estavam inicialmente contemplados. São disso exemplo, ainda na época transata, as eliminatórias dos oitavos, quartos e meias-finais da UEFA Europa League.
Todas estas políticas e decisões têm um impacto financeiro positivo para os sócios e são assumidas recorrentemente e ano após ano pelo Clube. Tal como já referi, elas são tomadas de forma convicta e por entendermos que são o melhor para o SC Braga.
Tal não deve obstar a que sejamos responsáveis e racionais na gestão. O nosso objetivo, de há 23 anos a esta parte, é fortalecer o Clube, tornando-o mais capaz, mais sólido e mais preparado para ser competitivo e vencedor. Não o fazemos sozinhos, mas dentro de um contexto no qual operam adversários nacionais e internacionais. Para os batermos, precisamos de ser melhores, mas também precisamos de ter mais recursos.
O SC Braga é top-4 nacional há nove épocas consecutivas e tem duas presenças no pódio desde 2020. O SC Braga é 33.º do ranking UEFA.
Manter ou subir estas fasquias exige competência, mas também exige recursos. Não é nem será aos sócios que os reclamaremos.
Internamente, todos os dias, a pressão é tremenda.
Para termos mais e melhores parceiros. Para organizarmos mais e melhores eventos. Para encontrarmos novas fontes de receita e multiplicarmos as já existentes. Com sabedoria e discrição, temos feito tudo ao nosso alcance para que a participação em competições e os direitos de transmissão sejam cada vez mais relevantes para a nossa operação e estamos convictos de que assim sucederá.
Neste contexto de grande exigência interna, não podemos ter rubricas de receitas que não reflitam este posicionamento e esta ambição. Seríamos irresponsáveis se o fizéssemos e a história não deixaria de nos julgar, porque há SC Braga depois de mim e de nós.
Temos um défice enorme para os nossos competidores nacionais e internacionais no que respeita às receitas com o chamado ‘matchday’, sendo muito evidente que praticamos uma política de preços absolutamente desfasada do top nacional e europeu. Assumirmos esse desequilíbrio não deve significar que o ignoremos.
Em 2026/27, renovamos as nossas metas para o ‘matchday’ e revimos os preços gerais. Nas áreas corporate e hospitalidade, aplicamos aumentos que os parceiros e as empresas entenderam e aceitaram, tendo alcançado taxas de renovação altíssimas e estando já perto da ocupação total em todas as categorias.
A equipa entendeu que era o momento de rever e reformular também os Lugares Anuais, facilitando a categorização e eliminando camadas de complexidade que a anterior tabela vinha acumulando há anos. Fizemo-lo sem deixar de reconhecer e premiar as famílias e os sócios mais assíduos, mas também cientes da necessidade de rever os preços e de devolver parte desse aumento, nomeadamente com a inclusão dos jogos na AMCO Arena, que têm impacto para largas centenas de sócios.
Temos consciência de que as alterações introduzidas oneram muitos associados, mas também sabemos que há casos em que o custo total sai reduzido na comparação com épocas anteriores.
Cada sócio terá a sua situação particular e não me cabe a mim, nem o farei, questionar a capacidade e as circunstâncias individuais. Cada um de vós saberá o impacto que esta paixão pelo SC Braga pode ter no respetivo orçamento, pessoal e familiar. Cada um de vós terá a liberdade de decidir o que lhe parece possível e aceitável. Da minha parte terão compreensão e respeito.
Acatarei todas as decisões e aceitarei todas as discordâncias, mas não posso deixar de reafirmar que nos move a responsabilidade face ao futuro deste Clube e que os aumentos de custos para os sócios (nos casos em que estes se verifiquem) não significam que o SC Braga não invista, e muito, em medidas que representam um impacto positivo, conforme os vários exemplos que elenquei.
Assim continuará a ser em 2026/27 e espero ter-vos a todos no apoio às equipas e na ambição que partilhamos de ver o nosso Clube cada vez maior. Nisso, sei que estamos sempre de acordo.