Leão acordou tarde e caiu no xadrez verde e branco (crónica)
A eficácia decide jogos e quem não marca... arrisca-se a sofrer. São velhas máximas do futebol, mas raramente espelham o que se passa dentro das quatro linhas de forma tão certeira como a primeira parte do embate da 6.ª jornada entre Moreirense e Marítimo.
Em situações idênticas antes do embate em Moreira de Cónegos — ambos haviam perdido nas duas jornadas anteriores —, os dois conjuntos estavam apenas separados por três pontos na tabela. A tentar impor-se desde cedo, a turma insular começou por demonstrar um domínio territorial e iniciativa de jogo, muito pelos pés de Guzzo.
Surpreendeu, por isso, que o golo inaugural tenha sido celebrado pelos verdes e brancos. Na primeira aproximação dos comandados de Vasco Botelho da Costa à baliza de Pastor, Manuel Mendonça fez golo, estreando- se a marcar na Liga, ele que já igualou o número de tentos que assinou na temporada transata (um), ao serviço do Sporting B.
Ferido depois do duro golpe, o leão do Almirante tentou reencontrar-se em campo, mas a situação agravou-se... pouco depois. Ainda antes do relógio assinalar meia hora, Leonardo Vonic também debutou no que aos golos no principal escalão diz respeito. O ponta de lança croata cedido pelo FC Porto, aliás, realizou a primeira partida pelos cónegos.
Se já tinha sentido (bastante) o primeiro golo, a formação do Funchal ficou ainda mais frouxa, tentando responder sem sucesso até ao intervalo. Letal, a máquina oleada dos minhotos levou uma vantagem confortável para o balneário.
Os maritimistas regressaram do descanso com a mesma letargia. Apesar de ainda terem ameaçado de bola parada, foi o Moreirense a ficar próximo do terceiro... por duas ocasiões: o recém-entrado Ayuma salvou os verde-rubros quase em cima da linha e Landerson quase marcou após uma arrancada espetacular.
Dominando quase sempre as operações, mas com uma posse de bola maioritariamente estéril, a equipa de Van de Gaag pareceu resignada a determinado ponto. Agradeceram os axadrezados, que gerirarm a bel-prazer a almofada segura no marcador... até apanharem um susto.
O capitão Romain Correia ainda resgatou uma réstia de esperança para os insulares, mas Parsemain tinha outras ideias e sentenciou a contenda logo a seguir, cobrando de forma exímia o castigo máximo que conquistara.
O Moreirense sorri, retoma o trilho dos triunfos e já sabe vencer em casa esta temporada, prolongando a série de derrotas dos madeirenses para três. Agora não há pontos que separem os dois emblemas.
Formado no Sporting, o criativo algarvio de 21 anos deixou Alcochete no verão ao fim de quase uma década e já se está a adaptar na perfeição à nova realidade. Tremendo com a bola nos pés, foi o farol do jogo ofensivo dos cónegos. Já sabe marcar com a camisola dos minhotos e combinou muito bem com os colegas. Promete ser uma das figuras da equipa esta época.
O médio foi o elemento mais inconformado do leão do Almirante e, sobretudo nos primeiros minutos, orquestrou a manobra ofensiva dos madeirenses. Foi perdendo algum fulgor com o passar dos minutos, à semelhança dos colegas. Na temporada de regresso à Liga, o centrocampista que regressou a terras lusas na época passada é peça-chave para van der Gaag.
As notas dos jogadores do Moreirense: André Ferreira (5); Dinis Pinto (5), Maracás (5), Gilberto Batista (5), Francisco Domingues (5); Mateja Stjepanovic (5), Nile John (5); Kiko Bondoso (6), Manuel Mendonça (7), Tiago Andrade (6); Leonardo Vonic (7). Kevyn (—), Rodrigo Alonso (5), Parsemain (6), Landerson (6) e Chipyoka (—).
As notas dos jogadores do Marítimo: Alfonso Pastor (4); Igor Julião (5), Romain Correia (5), Rafael Fernandes (4), Paulo Henrique (4); Rodrigo Andrade (5), Raphael Guzzo (6), Vladan Danilovic (5); Bryan Limbombe (4), Adrián Butzke (5) e Martín Tejón (5). Ayuma (5), Dominguez (5), Bamba (5), Boakye (—) e Bassouamina (—)
Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense)
Muito contente. Esta vitória é para os nossos adeptos. Muito satisfeito com o jogo, já vimos a espaços o que queremos ser: uma equipa forte com bola, que cria muitas situações junto da baliza adversária. Temos um plantel homogéneo e com muita qualidade. Vou ter muitas dores de cabeça ao longo da época...
Mitchell van der Gaag (treinador do Marítimo)
Começámos bem no jogo. Sofremos o golo e tornou-se mais difícil, com o segundo ainda mais. Foi uma lição para nós, ficámos mais tempo com a bola. Nunca deixámos de acreditar, arriscámos e sofremos o terceiro golo. Sabíamos que a caminhada não ia ser fácil, temos de levantar-nos e olhar para o próximo jogo.
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