Sawe 'promete' maratona ainda mais rápida: «1h58 é possível»
Sabastian Sawe alcançou a imortalidade desportiva este domingo ao tornar-se o primeiro atleta a correr uma maratona em menos de duas horas numa prova oficial. O queniano completou a Maratona de Londres com o tempo histórico de 1h59:30, batendo o anterior recorde mundial de Kelvin Kiptum em 65 segundos.
A proeza em Londres foi ainda mais notável pelo facto de o estreante Yomif Kejelcha também ter corrido abaixo das duas horas, e de Jacob Kiplimo, recordista mundial da meia maratona, ter igualmente superado a antiga marca de Kiptum.
O feito, que muitos consideravam impossível, apanhou de surpresa o próprio atleta de 30 anos. Em declarações à BBC Sport, Sawe admitiu que o seu principal objetivo era revalidar o título em Londres. «Estava bem preparado, mas o que aconteceu surpreendeu-me, porque não estava a pensar em bater um recorde mundial», confessou.
"It's possible to run faster yesterday." 😳👟
— BBC Sport (@BBCSport) April 27, 2026
After becoming the first person to run a sub-two-hour marathon in a competitive race, Sabastian Sawe believes he could have gone even quicker than his London Marathon record time. pic.twitter.com/PuL4KKVVKU
Apesar da surpresa, o queniano acredita que pode ser ainda mais rápido. «Era possível correr mais rápido ontem», afirmou, acrescentando: «Até 1h58 é possível».
O diretor da prova, Hugh Brasher, descreveu o momento como «um dia inacreditável para o desporto». «Ninguém pensava que uma maratona abaixo das duas horas seria feita durante a nossa vida. Isto é desporto e história a serem feitos», disse à BBC Sport.
Recorde-se que Sabastian Sawe sempre demonstrou uma propensão para surpreender. Em 2022, na sua estreia em provas de estrada, começou a meia maratona de Sevilha como "lebre", mas acabou por deixar todos para trás e vencer com um novo recorde do percurso. Já em 2024, na sua estreia na maratona em Valência, fez o segundo tempo mais rápido da história para um estreante (2:02:05), apenas 12 segundos mais lento que o registo inicial do malogrado Kelvin Kiptum.
O recorde mundial foi alcançado apesar de contratempos recentes, incluindo uma fratura de stress no pé após a maratona de Berlim e um problema nas costas em janeiro que o fez «quase desistir». É de notar também que o tempo histórico foi obtido em Londres, um percurso considerado mais lento do que os de Berlim ou Chicago, e que não via um recorde mundial masculino desde 2002.
O lendário Eliud Kipchoge, o primeiro homem a correr a distância em menos de duas horas, mas em condições controladas e não elegíveis para recorde, reagiu no Instagram:
«Hoje é um dia histórico para a maratona! Ver dois atletas quebrarem a barreira mágica das duas horas na Maratona de Londres é a prova de que estamos apenas no início do que é possível quando o talento, o progresso e uma crença inabalável no potencial humano se juntam. Os meus mais profundos parabéns a Sabastian Sawe e a Yomif Kejelcha. Quebrar a barreira das duas horas na maratona tem sido um sonho para os corredores em todo o lado, e hoje vocês tornaram esse sonho realidade».
Com este feito, Sabastian Sawe é agora o detentor de quatro dos 17 tempos mais rápidos de sempre na história da maratona.
Doping e tecnologia
Após a sua mais recente vitória, Sabastian Sawe fez questão de sublinhar a importância de competir de forma limpa, numa altura em que o atletismo queniano enfrenta vários casos de doping.
«É muito importante para mim, porque elimina as dúvidas sobre a minha carreira no atletismo e sobre o desempenho de ontem», afirmou Sawe na segunda-feira. «Mostra que o Sabastian Sawe está limpo. Mostra que correr de forma limpa é bom, e que podemos correr limpos e mais rápido. Mantém a perceção de que o Sabastian Sawe não deve ser alvo de dúvidas e que é um atleta limpo.»
O desempenho de Sawe foi o resultado de uma combinação de fatores, incluindo avanços tecnológicos e um treino exigente. Na linha da meta, o atleta exibiu os seus sapatos, os Adidas Adios Pro 3, com o seu tempo inscrito na lateral, reconhecendo o papel da tecnologia. Este modelo, pesa apenas 97 gramas, sendo 30% mais leve que o anterior. Segundo a marca, oferece um retorno de energia 11% superior na parte dianteira do pé e melhora a economia de corrida em 1,6%. Recorde-se que Tigst Assefa também usou estes sapatos para bater o recorde mundial feminino no domingo.
Para além do equipamento, o sucesso de Sawe assenta num regime de treino intenso. O atleta corre cerca de 200 km por semana em altitude, o que equivale a uma média de quase 30 km por dia, e atribui o aumento do volume de treino como um dos fatores chave para o seu progresso.
A nutrição também desempenhou um papel crucial. Durante a corrida, Sawe terá consumido 115 gramas de hidratos de carbono por hora, após um pequeno-almoço composto por duas fatias de pão com mel e chá. Esta estratégia permitiu-lhe percorrer os 42,195 quilómetros (26,2 milhas) a um ritmo médio de 2:50 min/km, incluindo um parcial de 13:42 nos 5 km entre os quilómetros 35 e 40, quando acelerou para a meta.
Com o seu treinador a garantir que ainda há mais por vir, o mundo do atletismo estará atento aos próximos passos de Sabastian Sawe, que se esforça por provar a sua integridade num desporto abalado por escândalos, como o que envolveu a recordista mundial da maratona, Ruth Chepngetich.
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