Rúben Dias esteve 12 anos ligado ao Benfica. Foto: Miguel Nunes
Rúben Dias esteve 12 anos ligado ao Benfica. Foto: Miguel Nunes

Rúben Dias lembra saída do Benfica: «Emocionei-me... »

Internacional português revisitou o percurso desde a formação até à afirmação no Manchester City, explicou a exigência diária de querer ser «o melhor do mundo» e recordou a despedida emotiva das águias

Rúben Dias olha para trás sem perder o foco no que ainda quer conquistar. Numa conversa com o Canal 11, no programa 'Soltinhos pelo Mundo', o central do Manchester City revisitou o crescimento desde os tempos de formação, a despedida emotiva do Benfica e a forma como construiu a sua liderança - sempre com a ideia de que nada está garantido.

«Quando era miúdo tinha sonhos mas não imaginava todo este cenário. Tinha a ambição de alcançar algo de extraordinário, mas não visualizava tudo isto. De qualquer modo, ainda falta muito», assumiu. «Mais do que achar que sou, em cada momento eu quero ser o melhor do mundo. Tem sido isso que me tem ajudado a chegar onde cheguei e a estar onde estou. O que custa mais é manter neste patamar», acrescentou.

Recordou o percurso desde o Estrela da Amadora, a ida para o Benfica e as seleções jovens, até à chegada a Manchester: «Comecei num clube pequeno, o Estrela da Amadora, mas consegui tudo o que precisava e cheguei ao Benfica. Tive o meu irmão numa situação diferente da minha que me fez dar sempre valor ao que alcancei. Ou seja, conquista de títulos no Benfica e presença na Seleção em todos os escalões de formação e em fases finais. Estamos a falar de sacrificar a minha vida pessoal, conscientemente, a partir dos 10 anos. Não me arrependo de nada, por um lado por aquilo que conquistei mas porque me tornei a pessoa que gosto ser.»

«Todo este processo é duro, intenso e exigente mas atinges aquele momento de transição para uma equipa profissional e chegas a uma conclusão importante: fizeste um trajeto brilhante mas isso não te dá mais do que um ponto de partida para essa nova etapa. No fundo apenas ganhaste o teu lugar para uma nova corrida. E é esse mesmo princípio apliquei que quando cheguei ao Manchester City: tudo o que tinha conseguido no Benfica valia zero. Era apenas um novo ponto de partida. Esta época é um bom exemplo disso. Foi um novo ponto de partida. Fizemos um rebulding especialmente após o Mundial de clubes. Tenho estado num nível muito alto, sinto-me superbem do ponto de vista físico. Tive este contratempo da lesão e até por isso agora parto de novo, pois nada do que fiz para trás me garante alguma coisa», afirmou.

Após 12 anos de águia ao peito, a saída do Benfica, em 2020 - marcada por um discurso carregado de emoção - continua a tocar-lhe. «Cada palavra que digo a um colega ou ao grupo é sentida. Por isso me emocionei…», confessou, lembrando o carinho especial por Tiago Pinto, antigo diretor das águias.

Rúben Dias deixou o Benfica em 2020

Sou agressivo perante uma situação que não pode acontecer

Sobre liderança, explicou que foi algo que cresceu «de forma natural». «Saber reconhecer o contexto, ter a noção de quando devem ser dadas certas mensagens, dar uma dura quando é preciso, de forma construtiva.»

Inspirado pelo pai - «sempre a puxar por todos, a enviar mensagens positivas» - aprendeu cedo a comunicar e a adaptar-se: «Na equipa principal do Benfica percebi que tinha de fazer um funil da informação para ser mais específico, porque ali havia mais egos e era preciso interagir com todos.»

«Como reagem os colegas? À partida até pode haver aquela impressão de que é só para o show mas rapidamente percebem que sou mesmo assim e que faço o que faço porque é essencial para ganhar e conectar a equipa. Sou agressivo perante uma situação que não pode acontecer. Muitas das mensagens que passo são individuais. Temos egos fortes porque temos personalidades fortes e jogadores que já ganharam muito Quando falamos de performance estamos a falar de bem estar mas também de estarmos unidos por um objetivo comum e aí às vezes podes entortar o cano e conseguires que te ouçam porque eles também querem ganhar», concluiu.