Rúben Dias lembra saída do Benfica: «Emocionei-me... »
Rúben Dias olha para trás sem perder o foco no que ainda quer conquistar. Numa conversa com o Canal 11, no programa 'Soltinhos pelo Mundo', o central do Manchester City revisitou o crescimento desde os tempos de formação, a despedida emotiva do Benfica e a forma como construiu a sua liderança - sempre com a ideia de que nada está garantido.
«Quando era miúdo tinha sonhos mas não imaginava todo este cenário. Tinha a ambição de alcançar algo de extraordinário, mas não visualizava tudo isto. De qualquer modo, ainda falta muito», assumiu. «Mais do que achar que sou, em cada momento eu quero ser o melhor do mundo. Tem sido isso que me tem ajudado a chegar onde cheguei e a estar onde estou. O que custa mais é manter neste patamar», acrescentou.
Recordou o percurso desde o Estrela da Amadora, a ida para o Benfica e as seleções jovens, até à chegada a Manchester: «Comecei num clube pequeno, o Estrela da Amadora, mas consegui tudo o que precisava e cheguei ao Benfica. Tive o meu irmão numa situação diferente da minha que me fez dar sempre valor ao que alcancei. Ou seja, conquista de títulos no Benfica e presença na Seleção em todos os escalões de formação e em fases finais. Estamos a falar de sacrificar a minha vida pessoal, conscientemente, a partir dos 10 anos. Não me arrependo de nada, por um lado por aquilo que conquistei mas porque me tornei a pessoa que gosto ser.»
«Todo este processo é duro, intenso e exigente mas atinges aquele momento de transição para uma equipa profissional e chegas a uma conclusão importante: fizeste um trajeto brilhante mas isso não te dá mais do que um ponto de partida para essa nova etapa. No fundo apenas ganhaste o teu lugar para uma nova corrida. E é esse mesmo princípio apliquei que quando cheguei ao Manchester City: tudo o que tinha conseguido no Benfica valia zero. Era apenas um novo ponto de partida. Esta época é um bom exemplo disso. Foi um novo ponto de partida. Fizemos um rebulding especialmente após o Mundial de clubes. Tenho estado num nível muito alto, sinto-me superbem do ponto de vista físico. Tive este contratempo da lesão e até por isso agora parto de novo, pois nada do que fiz para trás me garante alguma coisa», afirmou.
Após 12 anos de águia ao peito, a saída do Benfica, em 2020 - marcada por um discurso carregado de emoção - continua a tocar-lhe. «Cada palavra que digo a um colega ou ao grupo é sentida. Por isso me emocionei…», confessou, lembrando o carinho especial por Tiago Pinto, antigo diretor das águias.
Sou agressivo perante uma situação que não pode acontecer
Sobre liderança, explicou que foi algo que cresceu «de forma natural». «Saber reconhecer o contexto, ter a noção de quando devem ser dadas certas mensagens, dar uma dura quando é preciso, de forma construtiva.»
Inspirado pelo pai - «sempre a puxar por todos, a enviar mensagens positivas» - aprendeu cedo a comunicar e a adaptar-se: «Na equipa principal do Benfica percebi que tinha de fazer um funil da informação para ser mais específico, porque ali havia mais egos e era preciso interagir com todos.»
«Como reagem os colegas? À partida até pode haver aquela impressão de que é só para o show mas rapidamente percebem que sou mesmo assim e que faço o que faço porque é essencial para ganhar e conectar a equipa. Sou agressivo perante uma situação que não pode acontecer. Muitas das mensagens que passo são individuais. Temos egos fortes porque temos personalidades fortes e jogadores que já ganharam muito Quando falamos de performance estamos a falar de bem estar mas também de estarmos unidos por um objetivo comum e aí às vezes podes entortar o cano e conseguires que te ouçam porque eles também querem ganhar», concluiu.