Froholdt em exclusivo: «Agora somos campeões e toda a gente vai querer vencer-nos»
— Na primeira época fora da Dinamarca, o Victor é campeão no FC Porto. Que significado tem este título?
— Significa muito. Quando vim para cá, sabia qual era a ambição: lutar pelo título e estar no topo da corrida. Olhando para a época, estou muito orgulhoso e feliz por tudo o que fizemos, especialmente pelos adeptos e pela cidade. Demos tudo o que tínhamos nos treinos e nos jogos ao longo de toda a época. Jogámos a um nível elevado durante toda a temporada, não foi apenas em alguns momentos. Conseguimos manter um nível estável e melhorar semana após semana. Por isso, estou muito, muito feliz e orgulhoso por já ter conquistado este campeonato com o FC Porto.
— Que sensações lhe deu aquela festa junto ao Dragão após a vitória sobre o Alverca? Até vimos uma versão mais relaxada do Victor…
— Na verdade, recuando um pouco no tempo, quando cheguei aqui ouvia dizer que os adeptos, os portistas, eram loucos por futebol, pela cidade e pelo clube. Mas quando cheguei e percebi o que era jogar no Dragão, ao ver todos os adeptos que temos, fiquei realmente surpreendido pela energia... Sinto isso todos os dias quando ando pela cidade. Toda a gente no Porto respira futebol. Por isso, estou muito feliz por poder dar-lhes este campeonato. Depois do jogo com o Alverca, a festa foi muito boa, que recordarei para sempre como o momento em que celebrámos todos juntos.
— Quais foram os pontos-chave do sucesso deste FC Porto?
— Acho que há muitos aspetos a considerar. Se tiver de destacar alguns dos mais importantes, nos períodos em que ganhámos muito conseguimos sempre encontrar uma forma de trabalhar de forma ainda mais árdua. Ao longo de uma época, o desempenho de uma equipa e de um jogador tem altos e baixos, mas quando baixámos um pouco o ritmo e entrámos, de certa forma, em piloto automático, encontrámos uma forma de trabalhar ainda mais e de sermos ainda melhores. Depois, claro, nos momentos decisivos, nos jogos grandes, estivemos como queríamos estar. Vencemos o jogo de Braga e também derrotámos o Sporting fora de casa, logo ao quinto jogo. Por isso, acho que houve muitos aspetos, mas, em termos globais, tenho de falar sobre a união que criámos entre todas as pessoas no clube, mas especialmente entre jogadores e equipa técnica, assim como do facto de termos trabalhado juntos e dado tudo, sempre.
— Apontou para dois jogos em específico. Essas vitórias em Braga e Alvalade foram as mais importantes na caminhada do FC Porto para o título?
— No papel, talvez se possa dizer que foram os mais importantes, mas o que me deixa mais orgulhoso são todos os jogos que fizemos pelo meio. Também conseguimos vencer esses jogos. Não é fácil jogar fora de casa contra o Estoril ou contra o Famalicão, como também não é fácil jogar com eles no Dragão. A liga é competitiva e conseguimos formar uma equipa muito forte para competir todas as semanas e em todas as competições. Estou muito contente por termos conseguido manter o nível alto.
— Quando o Victor chegou, estava a par do momento menos positivo que o clube atravessava? Teve noção da marca que a época anterior tinha deixado no FC Porto?
— Sim, sabia que o FC Porto e a cidade estavam sem conseguir ganhar o título há alguns anos, mas também acho que esta época é a prova de que não se pode mudar o passado, mas que se pode olhar para o futuro e, se deres tudo por esse futuro, podes mudar muita coisa. Esta época, mostrámos que as coisas podem mudar muito rapidamente. Creio que o objetivo agora é fazer o mesmo na próxima época, porque agora toda a gente vai olhar para nós como campeões, toda a gente vai querer vencer-nos. Não acho necessário olhar muito para o passado, mas eu estava ciente dos últimos anos do FC Porto, embora ache que, agora, o clube está numa posição muito boa, também por aquilo que temos feito.
— E havia também a questão de Farioli ter deixado escapar o título no Ajax. Ao longo da época, aliás, não faltou quem lembrasse o «fantasma do Ajax». Também foi uma motivação extra para o grupo?
— Não senti a equipa nervosa ou ansiosa com a possibilidade de perder o título, porque acredito que, se começares a pensar no que podes perder ou falhar, o desempenho começa a cair… Acho que o grupo, o clube, o treinador e a união que criámos entre nós tinham um só foco: vencer e seguir essa direção, sem preocupações com nada mais. Não acho que tenhamos pensado no que aconteceu na época passada com o Ajax. No jogo do título, estávamos com a mentalidade certa.
«Farioli tem uma visão tática superior»
— Qual a percentagem de mérito do treinador, Francesco Farioli?
— Estou muito feliz por termos um treinador deste nível. O míster conseguiu criar uma atmosfera à volta do clube que faz com que toda a gente dê 100% em tudo. Criou um grupo que dá tudo em campo e trabalha em conjunto, e tem uma visão e capacidade tática de nível superior. Isso torna tudo mais fácil para nós, jogadores, e ajuda a que consigamos perceber a direção que queremos seguir. O facto de ele ter conquistado este campeonato connosco também me deixa muito feliz, assim como pela equipa técnica que tem à sua volta. Não nos podemos esquecer deles.
— Olhando para essa equipa técnica, encontramos dois antigos médios: Castro e Lucho González. Qual a importância de ambos no seu processo de crescimento?
— Não é só a nível individual. Fizeram um trabalho muito bom em termos de evolução coletiva e continuam a fazer, para manter o grupo unido e a trabalhar na mesma direção. E é como mencionou, eles também foram médios e têm algumas dicas importantes. Sabem o que é preciso para jogar neste clube e para me tornar um jogador melhor. E o que mais me surpreende é que, se eu quiser fazer algum trabalho extra num dia de folga ou algo do género, eles estão sempre lá para me ajudar e querem fazer tudo por nós, médios, mas também por mim, para que possamos tornar-nos ainda melhores.