Farioli: «Pensei largar tudo e voltar para trás»

Treinador do FC Porto faz viagem pela carreira

Um mapa à frente, na secretária, e um post-it por cada destino por onde passou até agora, para que Francesco Farioli pudesse descrever as experiências da carreira. Foi esse o desafio lançado ao treinador do FC Porto pela Prime Video Sport Italia, depois da visita guiada ao Olival.

ITÁLIA

«Origens. Origens familiares, os meus pais e os amigos com quem cresci, as pessoas com quem comecei claramente o meu percurso de trabalho, muitos campos de província. Portanto, diria que sim, a Itália representa isto, claramente muito mais, mas se houver uma palavra a escolher é origens.»

QATAR

«Yallah». Uma expressão que, se a quisermos traduzir para inglês, quer dizer «let's go». «Vamos!». Na verdade, para mim foi um salto sair pela primeira vez de Itália, e foi seguramente uma daquelas encruzilhadas que mudam a vida. Passei o primeiro mês com a mala sempre pronta atrás da porta, porque foi, objetivamente, um choque bastante forte. Pensei em largar tudo e voltar para trás, mas felizmente decidi ficar no final.»

TURQUIA

«Curiosidade. Curiosidade porque, se falamos de saltos no vazio, como foi a passagem pelo Qatar, também a Turquia, em certos aspetos, foi uma passagem a meio caminho entre a coragem e a inconsciência. Em menos de sete meses passei de treinador de guarda-redes a treinador-adjunto e a treinador principal, e a dinâmica foi bastante rápida. Istambul vivi-a pouco como turista, vivi-a muito no trânsito. Tínhamos um motorista que nos vinha buscar de carrinha, com toda a equipa técnica, e ao fim de três dias pedimos para instalar uma televisão na carrinha para podermos ter o nosso escritório móvel, trabalhar e rentabilizar aquelas três ou quatro horas diárias que passávamos no carro a caminho do campo. Portanto, muita, muita estrada.»

FRANÇA

«Escutar. Obviamente escutar para compreender, escutar para aprender. Foi uma época que funcionou um pouco como uma montanha-russa em certos aspetos: grandes picos, momentos de dificuldade, algumas histórias particulares, algumas delas que não se estudam nos livros nem nos cursos que tiramos como treinadores, pelo que foi mais uma experiência de vida muito, muito significativa.»

AMESTERDÃO, PAÍSES BAIXOS

«Aqui a palavra é futuro. O Ajax foi onde compreendi que estava a desempenhar um trabalho diferente, um clube com uma dimensão enorme, fui o primeiro treinador italiano da sua história. Tivemos muitos altos e um baixo que chegou na fase final, onde nos faltou o último metro para concretizar algo que era inesperado no início da temporada e longe dos objetivos. Esse final abriu um futuro que me trouxe hoje àquela que é a etapa seguinte.»

PORTO

«Mística, por tudo aquilo que representa outro clube gigantesco. Aqui o futebol torna-se vida, a vida torna-se motivo e modo de viver. A Agata e as crianças estiveram sempre presentes, mas aqui é a primeira vez onde realmente assentámos as nossas raízes na família portista. Aquela frase que nasceu dentro de uma conferência de imprensa e que depois se transformou na nossa imagem de marca sobre aquilo que é o nosso modo de viver o clube. Claramente, agora estamos num momento no qual os troféus já estão no museu e existe a necessidade e a vontade de seguir em frente para continuar a empurrar com força rumo a novas metas e a novos horizontes.»

A fechar o treinador do FC Porto foi desafiado a dizer qual a palavra que lhe vinha à cabeça ao falar-se em Liga dos Campeões. «Desafio», respondeu, antes de deixar uma mensagem para o Francesco que saiu, muito jovem, para o Qatar. «Yallah».

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