Cristiano Ronaldo bisou por Portugal ao Uzbequistão no Mundial 2026
Cristiano Ronaldo bisou por Portugal frente ao Uzbequistão no Mundial 2026 - Foto: IMAGO

«Ronaldo? Não sei como um jogador pode marcar tantos golos e ser o problema»

Rio Ferdinand defendeu a importância de Cristiano, admitindo que não deveria ser sempre titular no Mundial aos 41 anos, e recordou como impactou o seu regresso ao Manchester United. Explicou ainda o que falhou com Amorim, usando Guardiola

Rio Ferdinand, antigo capitão do Manchester United, abordou a sua relação com Cristiano Ronaldo e a gestão do avançado português no Mundial 2026. «Eu não colocaria o Ronaldo a titular em todos os jogos», afirma, sugerindo que Roberto Martínez deveria substituí-lo por volta dos 70 minutos para o poupar.

Para o antigo internacional inglês, a chave está na comunicação. «A forma como se apresentam estas situações ao jogador determina como ele as recebe. Se não se discutir com alguém como o Cristiano, conhecendo o seu temperamento, e o tiras aos 70 minutos quando ele tem dois golos, ele vai olhar e pensar: 'Espera aí...'», analisa. «Acho que é um erro deixá-lo em campo quando se está a ganhar por três ou quatro a zero», atirou, em referência ao que aconteceu no jogo com o Uzbequistão.

Nessa partida, o capitão da Seleção Nacional bisou e tornou-se num dos melhores marcadores de sempre em Mundiais, como pode conferir na galeria abaixo:

Galeria de imagens 26 Fotos

O antigo capitão do Manchester United revelou ainda o seu papel crucial no regresso de Cristiano Ronaldo ao clube, impedindo a sua transferência para o rival Manchester City. O ex-defesa confessou ter atuado como intermediário em diversas negociações, incluindo as de Paul Pogba, Edinson Cavani e, mais recentemente, Leny Yoro.

Ferdinand contou como a negociação por Ronaldo o apanhou de surpresa. «Estava na cama com a minha mulher e ela disse: 'Rio, tens de te levantar agora, vá lá, estou a tentar dormir e tu estás a tentar fechar um contrato com o Ronaldo.'»

O antigo jogador detalhou a conversa com Matt Judge, então diretor de negociações do clube. «Ele [Ronaldo] disse: 'Podes ajudar?'. Então, falei com o Matt Judge, e o problema era o timing, porque os Glazers (os donos do clube) estavam nos Estados Unidos. Eu disse: 'Se o querem, têm de apresentar um determinado valor, e ele voltará. Ele não quer ir para mais lado nenhum'».

A resposta do clube não tardou. «Ele disse: 'Dá-me um pouco de tempo para falar com os Glazers quando eles acordarem'. Falou com eles, voltou a contactar-nos e disse: 'Sim, eles aceitam'», recordou Ferdinand, que não escondeu o seu alívio. «Para mim, foi uma alegria, porque o pior teria sido ver o Cristiano Ronaldo a aparecer no Man City», explicou.

Ferdinand explicou que a sua intervenção em transferências não é um cargo oficial, mas sim um ato de dedicação ao clube. «Não tenho um papel fixo nem nada. No caso do Leny Yoro, pediram-me: 'És um defesa-central, Rio, ele é um jovem negro, acho que serias a pessoa certa para falar com ele'», afirmou. «Isto já aconteceu com vários jogadores antes, alguns dos quais não falei. É porque amo o clube e quero o melhor», admitiu.

O ex-internacional inglês também defendeu Cristiano Ronaldo, cuja segunda passagem pelo United terminou de forma conturbada sob o comando de Erik ten Hag, apesar de ter marcado 24 golos numa época. «Não sei como um jogador pode marcar tantos golos e ser o problema», questionou.

Problema de Amorim

Refletindo sobre a gestão de equipas, Ferdinand sublinhou a importância da adaptabilidade, citando Pep Guardiola, Ruben Amorim e Michael Carrick. «Acho que os melhores treinadores são adaptáveis. Uso sempre o Pep como um grande exemplo. Ele chegou a Inglaterra, no primeiro ano não ganhou nada. Percebeu que nunca tinha ouvido falar em segundas bolas e adaptou-se».

Para Ferdinand, a rigidez foi um problema no passado do clube. «Se o melhor do mundo pode ser adaptável, todos têm de o ser. Acho que esse foi o problema com o regime anterior [Amorim] e penso que o Michael [Carrick] vem dessa escola de ser adaptável», analisou, acrescentando que Casemiro lhe confidenciou: «Dá para ver que o Michael Carrick conhece o clube, jogou futebol ao mais alto nível, sabe o que isto representa».

No entanto, o antigo defesa é pragmático quanto ao peso da história de um jogador ou treinador. «O Roy Keane podia entrar no balneário do Man United e impor respeito imediatamente. Mas se não se obtêm resultados, esse respeito desaparece rapidamente», alertou. «A tua história não conta para nada depois de um certo tempo. Se mostrares que não és o homem certo, não importa o que fizeste».

A iniciar sessão com Google...