Mundial
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O recorde no Mundial que nem Cristiano Ronaldo estaria à espera
Respeito. Em 1987, Mark Twain, o genial criador de Tom Sawyer e Huckleberry Finn, recebeu um telegrama de um jornalista a perguntar-lhe se… tinha morrido, como alguma imprensa estava a noticiar. A reposta ficou para a história: «As notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas».
Respeito. Quando Cristiano Ronaldo se virou para a câmara no final do jogo com o Uzbequistão e gritou «estou de volta» foi uma outra forma de dizer que as notícias sobre a sua morte futebolística eram manifestamente exageradas. Dois golos com a marca Cristiano - o primeiro histórico porque o tornou no primeiro jogador a marcar em seis mundiais – e uma exibição qualitativamente bem acima da média recente.
Respeito. Não sou, não quero ser nem Ronaldo precisa que seja advogado dele. Para ser honesto, não acho piada nenhuma ao rol de elogios que todos na seleção lhe fazem. Tantos e tão carregados que quase o menorizam, num tom em que o risco é que soe a caridade, pena ou obrigação. Tal como as irmãs de Cristiano Ronaldo perderam uma oportunidade de ouro de saborearem uma enorme vitória. Bastava o silêncio, os golos têm uma voz mais eloquente do que qualquer publicação nas redes sociais.
Respeito. A minha posição sobre Cristiano Ronaldo é pública. O maior jogador de sempre (friso uma vez mais que não uso a palavra melhor) merece um profundo respeito. Acredito mesmo que no dia em que todos os portugueses tiverem metade da ambição, foco, capacidade de trabalho, inteligência ou espírito de sacrifício, Portugal será o mais desenvolvido país do Mundo.
Respeito. Neste Mundial há 128 jogadores que ainda não eram nascidos quando Cristiano Ronaldo se estreou pela Seleção. Jun-ho-Bae, da Coreia do Sul, e Youssef Anyn, do Iraque, nasceram no dia seguinte à estreia. E quando o mexicano Gilberto Mora nasceu, Ronaldo já tinha cinco anos de Seleção e estava a semanas de vencer a primeira Bola de Ouro.
Respeito. Nunca nenhum ser humano neste planeta teve a capacidade de impacto de Cristiano Ronaldo em qualquer parte do mundo. Basta vermos as redes sociais, onde tem um número imbatível de seguidores. Basta olharmos para os jogos da seleção no Mundial, com milhares de camisolas 7. Basta percebermos que dos muitos milhares de adeptos, mais de metade não são portugueses e a maioria deles vão apenas apoiar Cristiano Ronaldo. E será que eles não percebem nada de futebol? Não vêm o mesmo que nós? Que Ronaldo já não é o mesmo jogador? Claro que sim. Mas continuam a fazer 16 mil quilómetros, como um adepto de Singapura que ouvi há dias em A BOLA TV, só para o verem.
Respeito. Ronaldo é tão grande, que já tem um outro recorde que nem sonharia: a de ter provocado o maior ruído nas bancadas, em decibéis, neste mundial, a primeira vez que tocou na bola no jogo com a RD Congo! Só quem for surdo não quer ouvir.
Respeito. Não percebo como Portugal é o segundo país do Mundo com mais adeptos a não gostarem de Cristiano Ronaldo. Jogar ou não é com o selecionador e é discutível. Aceito as duas teses. Aceito que se discuta se a Seleção joga melhor ou pior com Ronaldo. Que seja titular ou fique no banco. Já tenho dificuldade em aceitar a falta de memória ou de noção de quem é Cristiano Ronaldo.
Respeito.