Roberto Martínez venceu Taça de Inglaterra no Wigan frente ao Manchester City
Roberto Martínez venceu Taça de Inglaterra no Wigan frente ao Manchester City

Roberto Martínez lembra conquista histórica em Inglaterra: «Foi muito especial»

Atual Selecionador de Portugal venceu Taça de Inglaterra no Wigan frente ao Manchester City. Recordou ainda passagem pela Bélgica

Antes de iniciar o percurso como selecionador, na Bélgica, Roberto Martínez treinou três clubes: Swansea, Wigan e Everton. Foi em 2013 que o atual Selecionador de Portugal deu que falar em todo o Mundo ao conquistar a Taça de Inglaterra pelo Wigan, vencendo o Manchester City na final, por 1-0. Contudo, a época acabou com a descida ao segundo escalão. 

«Reflito sobre isso com muito orgulho. Os sonhos podem mesmo tornar-se realidade. E acho que naquele jogo... jogas contra os campeões de Inglaterra, com todas essas estrelas. Acho que todos gostam disso. Percebi que tínhamos muitos adeptos neutros naquele dia, é assim que funciona na Taça de Inglaterra. Mas conseguir jogar bem e merecer a vitória foi muito especial», lembrou, em entrevista à BBC Sport, apontando diferenças entre orientar um clube e uma seleção. 

«Treinar na Premier League é pensar no amanhã e em preparar o jogo que está por vir, preparar os jogadores para que possam fazer a diferença e vencer o jogo. O futebol internacional é sobre descobrir os melhores talentos e, então, desenvolvê-los de forma estruturada, para torná-los competitivos – e tens três dias para fazer isso. É muito diferente de fazer isso num clube. Tudo é mais sincronizado taticamente e pode ser mais metódico. O futebol internacional é sobre criar um bom ambiente, orgulho, criar equipas com um alto desempenho que inspirem os adeptos a segui-las nos seus sonhos, porque quando representas a tua seleção, isso afeta sua família... os vizinhos. Se ganhas, o país inteiro ganha. Quando perdes, o país inteiro perde. É uma maneira completamente diferente de desfrutar do jogo. Eu era fascinado pela ideia de participar num Mundial – esse era um dos meus sonhos de criança. O primeiro Mundial de que me lembro foi o de 1978, na Argentina – com o golo de Mario Kempes na final. Depois, o de 1982 foi em Espanha, foi um grande impacto. Para mim, a mudança para o futebol internacional foi simplesmente para vivenciar um Mundial. E gostei tanto que fiquei por quase 10 temporadas», afirmou. 

A primeira experiência de Roberto Martínez como selecionador foi na Bélgica, com um grupo incrível de jogadores, que foi chamado de geração de ouro. 

«Tínhamos de lidar com o rótulo de geração de ouro. Não era uma pressão com a qual os jogadores não estivessem acostumados, porque obviamente estamos a falar de jogadores que estiveram nos balneários mais exigentes. De Eden Hazard a Kevin De Bruyne, Dries Mertens, Romelu Lukaku, Axel Witsel, Jan Vertonghen, Thomas Vermaelen, Vincent Kompany, Thibaut Courtois, Yannick Carrasco... Mas acho que conseguimos concentrar-nos em: ‘OK, vamos ser o melhor que pudermos juntos e vamo-nos tornar na geração de ouro», comentou Roberto Martínez, recordando a «linda jornada» até ao Mundial 2018. 

«Só perdemos a meia-final contra França por 0-1, foi uma diferença mínima, mas depois conquistamos o terceiro lugar, levando a medalha de bronze. Foi nesse momento que surgiu a geração de ouro. A partir daí, vimos uma mudança e percebemos o que poderíamos fazer dali em diante e aquela equipa manteve-se quatro anos consecutivos na liderança do ranking. Foi um período muito interessante, em que todos se concentraram num objetivo comum: fazer história para o futebol belga. Foi realmente muito gratificante», disse, assumindo ser «fascinado» por Johan Cruyff «pela maneira como comandava o Barcelona». 

«Chegou e mudou completamente a forma como o jogo era jogado. Acho que muitas pessoas nos últimos 100 anos influenciaram o futebol, mas não creio que alguém o tenha influenciado da maneira como Johan Cruyff o fez, porque o futebol mudou. Adoro Pacho Maturana – o que fez com a seleção colombiana. Arrigo Sacchi – tão estruturado, rigoroso e metódico. Sempre gostei da maneira como os treinadores transmitem as suas mensagens aos jogadores e de uma forma diferente», completou.