Os festejos do golo de Nehuén Pérez
Os festejos do golo de Nehuén Pérez

Resultadismo deste dragão é daqueles que dá títulos…

Em relação à época anterior só não é possível dizer que estamos perante o mesmo porque a equipa de Farioli exibe automatismos mais trabalhados e os jogadores conhecem a filosofia do treinador, que passa, sobretudo, pelo facto de três pontos com nota artística valerem o mesmo que três pontos sem ela. Rio Ave, honesto mas demasiado macio (uma falta em 90 minutos).

O FC Porto de Farioli obedece a uma ideia de futebol que nos remete para o cinismo dos italianos e para o pragmatismo dos alemães.

No fim do dia, o mais importante é criar mecanismos para não sofrer golos, nem que para isso seja colocado mais um central (Nehuén Pérez) a lateral, para dar mais altura à retaguarda, ou um trinco a formar uma linha de cinco mais recuada, impedindo espaços livres na grande área (Pablo Rosário).

Para garantir a segurança defensiva que tanto preza, Francesco Farioli nunca precisou de pressionar o Rio Ave, porque um bom posicionamento no meio-campo azul-e-branco mostrou-se mais do que suficiente; e soube aproveitar os espaços nas costas dos donos da casa, com diagonais de difícil execução e tremenda eficácia.Ao ser forte no ar defensivamente (o Rio Ave bem tentou a sua sorte através de cruzamentos, mas só por uma vez, Tamble, à beira do intervalo, obrigou Diogo Costa a dizer porque é dos melhores guarda-redes do Mundo), o FC Porto fazia deslocar as mesmas unidades - Kiwior, Bednarek e Nehuén Pérez - para as bolas paradas ofensivas, e aí realizava o dois em um: mandava nos ares a defender e era capaz de decidir jogos a atacar.

Foi o que aconteceu em Vila do Conde onde, logo aos 11 minutos, na sequência de um pontapé de canto apontado por Gabri Veiga, Pérez marcou (muito mal o guarda-redes e mal os defesas), colocando a fasquia dos pontos muito mais alta para os rioavistas.

ARRUMAÇÕES

O problema do Rio Ave não esteve no 4x2x3x1 que levou para o confronto com o FC Porto, bem executado até ao quarto de hora final, quando a equipa se desuniu - os dragões melhoraram a cada substituição e os anfitriões pioraram… - mas residiu sobretudo nos ‘pés de lã’ com que encarou o encontro, sem pressionar, sem incomodar as saídas de bola dos portistas, onde Bednarek, Rosário e Froholdt viveram no melhor dos mundos, sem se encostar aos adversários, contabilizando, na estatística da Liga, uma falta cometida em 90 minutos. 

Já o FC Porto teve uma riqueza tática maior, revelando uma evolução que não se viu no Rio Ave, apesar de ambos os conjuntos terem mantido os treinadores. Partindo de uma base de 4x3x3, os dragões foram versáteis quando passaram, com o recuo sistemático de Pablo Rosário, a uma defesa a cinco, mantiveram a preocupação especial de ‘defender’ Nehuén Pérez nos lances de um-contra-um com o rápido Bezerra, chegaram a ensaiar um 5x3x2 com a inclusão de Pepê mais por dentro, perto de Gul (normalmente quem dava mais apoio ao turco era Gabri Veiga, a quem foi concedido um maior raio de ação, que aproveitou bem) e até, na ponta final, estiveram em 5x4x1, confortáveis e sem correr riscos.

É preciso ainda mais algum exemplo do pragmatismo de Francesco Farioli? Então aqui vai mais um: aos 89 minutos, a vencer por 0-2, o técnico italiano trocou Pepê por Eustáquio, colocando mais uma tranca na porta que ia dar à baliza de Diogo Costa.

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JUSTIÇA

Não haverá dúvidas da justiça da vitória do FC Porto, equipa mais madura e com mais argumentos, que apesar de ter beneficiado do adormecimento do guarda-redes e da defesa do Rio Ave no primeiro golo, foi capaz de construir variadíssimas situações de golo ao longo da partida, fazendo até com que Van der Gouw se redimisse da asneira inicial.

Aos dez minutos Nikitsher tirou o ‘pão da boca’ a Froholdt, após cruzamento de Gabri Veiga; aos 16 Gabri Veiga, em boa posição, rematou ao lado; aos 34 Kiwior meteu a bola na baliza do guarda-redes holandês do Rio Ave, mas um fora-de-jogo anterior de Gul (trabalha, trabalha, mas os progressos não são muitos) invalidou o 0-2; aos 49 William Gomes fez brilhar Van der Gouw; aos 58 Gul cabeceou ao poste; aos 78, após boa jogada portista, o guarda-redes da casa fez um ‘milagre’ a desvio de Borja Sainz; aos 82 o mesmo Sainz, após passe de classe de Hwang fez o 0-2; e aos 85, após grande ‘diagonal’ de Alberto, Borja fez Van der Gouw mostrar-se ao melhor nível.

Do lado dos donos da casa, exceção feita ao já citado cabeceamento de Tamble (45), houve alguns remates de meia-distância inócuos, um lance que deu sensação de perigo quando Jalen Blesa, sem ângulo, rematou à malha lateral; um cabeceamento de Petrasso ao lado; e por aqui nos ficámos. O FC Porto, com o estilo de ‘mais vale prevenir do que remediar’, acabou por dominar o jogo e ter as melhores ocasiões. Mas há mais uma coisa que deve ser dita…

TROCAS

Os meios à disposição de Saydopoulos e Farioli são muito diferentes e se as substituições operadas pelo Rio Ave não mostraram ser muito benéficas, apesar da maior frescura dos ‘novos’ jogadores, já do outro lado - mesmo com André Silva KO e Rodrigo Mora em ‘stand by’, os argumentos não escassearam e a verdade é que o último quarto de hora da partida foi vivido em regime de tranquilidade pelos dragões, mesmo quando a vantagem era tangencial. Alberto entrou bem e aumentou a intensidade; Borja Sainz arrancou minutos de enorme qualidade e assertividade e Hwang ainda teve oportunidade para mostrar que pertence a um futebol adulto.

Contra equipas mais exigentes do que este Rio Ave à segunda jornada, o FC Porto deverá deitar mão de argumentos mais sofisticados. Mas não se espere que os dragões fujam ao registo que fez deles campeões nacionais.  

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