Do Sporting à Premier League e a brilhar em Alverca: «Vini Jr.? Somos irreverentes»
Tem magia nos pés e combustível sem fim nas pernas. Chiquinho é um talento puro, daqueles jogadores que já nasceu com quase todas as qualidades que um desequilibrador deve ter. Formou-se no Sporting, conquistou títulos no Estoril, passou por Inglaterra e Espanha e brilha pela segunda época consecutiva no Alverca. O extremo português fala abertamente de todos os temas nesta entrevista exclusiva a A BOLA.
— Tal como acontecera na temporada passada, o melhor Alverca também tem muito de Chiquinho. Sente-se como peixe na água?
— Sinto-me bem, fui bem acolhido e isso é sempre importante. Assim, é natural que as coisas comecem a correr bem e com o passar do tempo sejam melhor ainda.
— Em 2025/2026 contraiu uma lesão que o obrigou a estar algum tempo afastado dos relvados, mas terminou essa campanha com 20 jogos, dois golos e quatro assistências. Apesar da adversidade, sente que foi um ano positivo?
— Estou a trabalhar para fazer uma época melhor do que a passada. Esse é o meu objetivo. Fora de campo tento sempre preparar-me para dentro de campo, em treino e jogo, estar sempre no meu melhor para ajudar a equipa.
— O Alverca regressou à Liga mais de 20 anos depois da última aparição e já está na segunda época consecutiva na elite nacional. Pode dizer-se que o clube estabilizou de vez entre os grandes?
— Sim. O clube tem as pessoas certas e tem ido buscar os jogadores certos. Se a isso juntarmos a mentalidade certa então torna-se mais fácil as coisas correrem bem. Trabalhamos primeiro pela permanência, mas depois tentamos sempre fazer melhor do que fizemos no passado. A estrutura é jovem, ambiciosa, e quando se tem pessoas assim é normal as coisas serem melhores. Toda a gente está focada no mesmo e sempre com ambição.
— A SAD pertence a um grupo que inclui uma estrela do futebol mundial, caso de Vinícius Júnior, jogador do Real Madrid. Já o conheceu pessoalmente?
— Alguns jogadores já tiveram contacto com ele. Eu tive no início, na altura em que tinha de tomar a decisão de vir para o Alverca...
—... foi decisivo para a sua escolha? Ou importante, pelo menos?
— Diria uns três por cento. Ele tem a sua vida e está focado no seu trabalho. Eu confiei nas pessoas que estão aqui e que vieram falar comigo na altura, o Pedro Alves [diretor-geral] e o Custódio [à época, treinador].
— Com as devidas distâncias, claro, mas dentro do campo podemos comparar o Chiquinho ao Vinícius Júnior, por jogarem ambos na mesma posição?
— [risos] Diria que somos dois jogadores irreverentes, que gostamos de ter bola e não temos medo de arriscar no um para um. Sentimo-nos felizes a jogar para a frente e a desequilibrar.
— Onde pode chegar o Alverca?
— O objetivo é sempre chegar o mais longe possível. Sabemos que é um caminho longo e duro, porque há equipas estáveis na Liga, mas sabemos que quem trabalhar mais chegará mais longe. Ninguém pode ter mais vontade do que nós. Desde o primeiro minuto da semana já estamos a trabalhar imenso para podermos derrotar os nossos adversários. Nunca estamos satisfeitos com o pouco que fazemos, queremos ir buscar sempre mais.
«Prioridade? Sempre à Premier League»
A primeira experiência de Chiquinho fora de Portugal foi em Inglaterra, para onde se transferiu a meio da época 2021/2022, onde vestiu a camisola do Wolverhampton. Ainda em terras de Tio Sam, representou o Stoke City, sendo que além-fronteiras passou também pelos espanhóis do Mallorca (2024/2025). Uma vez que passou por dois dos principais campeonatos europeus, a pergunta que se impõe é simples: Premier League ou LaLiga? A resposta foi clara: «Pelo meu estilo de jogo, prefiro Premier League. Mas entendo quem prefira LaLiga, são dois campeonatos distintos.»
«O campeonato inglês é muito competitivo, o primeiro pode perder com o último. Há esse equilíbrio entre as equipas. Já na liga espanhola são sempre os mesmos a terem vantagem», reforçou o avançado.
O futuro dos jogadores pode mudar de forma repentina, sem que os próprios estejam à espera, pelo que lançámos o desafio ao extremo luso: se tivesse um convite de uma equipa das chamadas big five, qual seria a escolha?
«Daria sempre prioridade à Premier League. É um sonho jogar lá. Claro que nem sempre é possível, mas faz falta a alguns jogadores experimentarem aquele futebol e aquela cultura, até mesmo fora dos relvados. Os jogadores são figuras importantes até do país, seja qual for o clube que representem. Conseguem mover um dia de trabalho de qualquer pessoa. Os jogadores têm esse papel na sociedade. O que nunca pode faltar é a luta pelos três pontos, isso deixa sempre os adeptos orgulhoso», justificou.
E o interesse do Sporting no verão?
Natural de Cascais, o extremo luso, que também tem origens em Cabo Verde, fez grande parte da formação no Sporting, processo que concluiu já no Estoril e no Tondela. Que recordações dos tempos passados em Alvalade?
«Boas e más, o futebol tem dessas coisas. E isso também nos molda a sermos os homens de hoje em dia. Mas foi uma boa experiência, aprendi muito e estou grato», confessou, antes de instado a falar sobre o propalado interesse do Sporting no último defeso: «Não posso abordar esses temas, mas são coisas do futebol. O meu objetivo é elevar o nível. Qualquer clube que eu sentisse que tivesse o melhor projeto para mim estaria aberto a ter qualquer conversa», analisou o ribatejano.