Sou, por norma, porque já vi acontecer quase tudo e o seu contrário, prudente nas previsões que faço. Mas desta feita arrisco-me a dizer que se Portugal ganhar, depois de amanhã, ao Uzbequistão, estará apurado - se mais não for, como um dos melhores oito terceiros classificados - para os dezasseis-avos de final do Campeonato do Mundo.

Também devo afirmar que, se depois de empatar com a RD Congo, a Seleção Nacional perder com o próximo adversário, não está a fazer nada - apenas a humilhar-se - neste Mundial.Mas, (mal) digerido o empate com os congoleses, é minha convicção que, contra o Uzbequistão, a normalidade será retomada e a equipa de Roberto Martínez surgirá mais perto daquela que há um ano ganhou a Liga das Nações.

Para que tal suceda, todos, a começar pelo selecionador, devem fazer uma autocrítica séria (e não apenas para inglês ver…) e meditar sobre o que podiam ter feito melhor na estreia, em Houston.

Se pudesse, imporia uma regra aos jogadores, desde que passassem a integrar o estágio para o Mundial, muito simples: ficariam proibidos de publicar nas redes sociais, meio que utilizam para enviar mensagens, na maior parte das vezes, cabalísticas, que alimentam especulações e não concorrem para o melhor espírito de grupo.

Por exemplo, a última mensagem, de CR7, acredito que inócua - «foca-te no que podes controlar» - foi vista como uma resposta a alguns companheiros e, mesmo defendendo que não o tenha sido, a especulação de centenas de milhares de seguidores foi imediata. Este ruído é bom para o espírito do grupo? Obviamente, não.

Num Campeonato do Mundo, a atenção mediática é tanta e com tantas variáveis, que o melhor que os jogadores devem fazer é optar por um «no profile», um degrau abaixo do «low profile». Caso contrário, correm o risco de se verem enredados em narrativas que podem ser estimulantes para os ‘media’, mas que não lhes trazem qualquer benefício.

E há mais uma coisa: agora, com a competição a decorrer, as únicas afirmações importantes são aquelas que se fazem dentro das quatro linhas, onde cada um mostra o que vale; valerá mais se colocar o que faz ao serviço do coletivo.

É isso que se exige aos jogadores de Portugal, a única coisa que se lhes exige: ajam individualmente, pensem coletivamente. Porque, no futebol, ninguém ganha nada sozinho, e personalizar vitórias ou derrotas é realidade virtual.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…

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