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Rúben Dias, o guião ficou feito até ao próximo jogo
O empate de estreia no Mundial 2026, mas sobretudo a exibição com o Congo obrigavam a uma reação da seleção portuguesa mesmo antes de entrar em campo. Era necessário alguém falar sobre o que se viu e sobretudo o que se analisou: pelos analistas externos, mas também pelos internos, equipa técnica e jogadores.
Roberto Martínez não foi feliz nas declarações após o jogo. Disse que «falar em ganhar o Mundial não ajuda a ganhar jogos», quando o próprio assumiu o título como objetivo ainda Portugal não tinha um pé nos EUA. Antes de disputar a final da Liga das Nações, relembrou-o até. Já a presença de Rúben Dias na sala de imprensa foi das melhores decisões da comitiva.
O central do Manchester City faria sempre falta em campo pela sua qualidade técnica e tática, e pelo que se ouviu nesta sexta-feira também o fez pela liderança, qualidade que há muito se lhe reconhece. Não foi um jogador qualquer que ali esteve a falar em nome do grupo. Foi um líder. E isso é o que a seleção precisa após o 1-1 em Houston: liderança.
Liderança técnica para ajudar os futebolistas a encontrarem soluções em campo, liderança dos jogadores para transmitirem confiança uns aos outros e, obviamente, liderança comunicacional. Para dar respostas, para que o ceticismo se transforme em otimismo e desse modo encarar o Uzbequistão com um estado de espírito diferente daquele com que o país ficou depois daquele 1-1.
Rúben Dias falou como o capitão que é. Sacudiu a pressão perante a normalidade dos dias de um internacional português, de um jogador, e um dos capitães, do Manchester City. É isso que se espera de um jogador profissional. A analisar e assumir falhas, receber a crítica - e ela chega de muitas formas - saber como elas têm de ficar à porta, e impor limites. «Portugal», disse, quando lhe fizeram uma pergunta sobre o Real Madrid. Pode não se gostar de algumas respostas monossilábicas que Rúben Dias deu. Mas o central estava ali para falar o suficiente sobre os temas e não mais do que isso. Se não havia nada mais a dizer, Rúben Dias não acrescentou nenhum ponto.
Mais gente falará até ao dia do Uzbequistão, mas o guião ficou feito e o que há a acrescentar é em campo. Aí haverá, necessariamente, significativa diferença. Há pessoas que não precisam de briefing antes de entrarem numa sala de imprensa, basta lá colocá-las; ter características natas raramente chegam para se ganhar um jogo, a uma equipa convém sempre levar um roteiro.