Silvino Louro ao serviço do Benfica nos anos 80. Mais tarde viria a ser treinador de guarda-redes de vários clubes, incluindo o Real Madrid
Silvino Louro ao serviço do Benfica nos anos 80. Mais tarde viria a ser treinador de guarda-redes de vários clubes, incluindo o Real Madrid

Real Madrid-Atlético Madrid, o dérbi que também será de Silvino

Antigo treinador de guarda-redes dos 'merengues' será homenageado no Bernabéu. Guardiões titulares de ambas as equipas estão lesionados. Há dez anos que os 'colchoneros' não vencem em casa do rival

Nas três temporadas que estiveram juntos no Real Madrid, José Mourinho e Silvino ganharam todos os dérbis salvo o último na final da Taça do Rei. Hoje as duas equipas madrilenas voltam a defrontar-se e Silvino, como sempre fazia desde que fixou a sua residência em Madrid, não faltaria ao Bernabéu para apoiar a equipa em que tinha trabalhado, apesar de que por culpa de uma cruel doença o seu lugar se veja vazio, ele lá estará em espírito e todo o estádio, cheio a deitar por fora, ficará durante um minuto em rigoroso e emocionante silêncio recordando-o e homenageando a sua memória.

É enorme a rivalidade entre as duas equipas da capital de tal forma que, seja em que circunstâncias for, os confrontos entre elas sempre despertam o máximo interesse. A última vez que se encontraram foi no Metropolitano no desafio da primeira volta, o Real que tinha ganho todos os jogos anteriores perdeu por um claro 2-5, uma derrota tão dolorosa que com ela começaram a surgir as primeiras dúvidas sobre o projeto que liderava Xabi Alonso. Nesse dia enganou-se, apostando em Bellingham que acabava de sair de uma lesão e estava fora de forma, as coisas correram mal, já não voltaram a endireitar-se e o técnico acabou por ser despedido. Curiosamente, hoje repete-se essa situação em relação ao jogador inglês: já pode jogar depois de ter estado lesionado e Arbeloa terá de decidir entre ele e o jovem Thiago Pitarch. «Bendito dilema», considera o técnico.

Arbeloa disputou 18 dérbis como jogador e este é o seu primeiro como treinador, mas apesar de não ter experiência nestes desafios, pode presumir de, na sua curta carreira como treinador da equipa principal, ter ganhado a Mourinho e a Guardiola duas vezes a cada um. Ao contrário, Diego Simeone chega esta noite ao seu 50º dérbi, uma continuidade que contrasta com as nove mudanças de treinador feitas pelo Real durante o tempo que o argentino tem permanecido à frente do Atlético.

Haverá algumas ausências, a mais notadas as dos guarda-redes. Courtois, que vai estar lesionado durante várias semanas, cede o seu lugar a Lunin enquanto que na baliza visitante estará o argentino Musso que substitui Oblak ainda a contas com um problema nas costas.«Quem perde mais com as ausências?» perguntaram a Simeone. «Perde o público que não pode ver em ação dois grandes guarda-redes». O técnico do Atlético também não poderá contar com o jovem Barrios, mas pior está o Real que, além do guardião belga, tem as baixas de Mendy, Ceballos, Militão e Rodrygo.

O resultado do encontro tem diferente importância para as duas equipas: o Real está obrigado a ganhar se quer manter-se vivo na corrida, com o Barcelona, para o título; para o Atlético, que há dez anos não ganha no Bernabéu, a liga já não é a sua guerra, sabe que não será campeão e que tem assegurado ficar entre os quatro primeiros e ir à próxima Liga dos Campeões.

O que lhe importa e muito é o que espera nas próximas semanas - depois do descanso para os jogos da seleção, recebe, no dia 4 de abril, o Barcelona em jogo do campeonato, três dias depois vai ao Camp Nou disputar a primeira mão dos quartos de final da Champions, na semana seguinte terá de ir jogar ao campo do Sevilha para o campeonato, disputa no Metropolitano o segundo confronto europeu com o Barcelona e no dia 18 regressa a Sevilha para defrontar a Real Sociedad na final da Taça do Rei, um difícil calendário que poderá decidir o tudo ou nada desta temporada. Mas como nem o Real nem o Atlético gostam de perder com o rival nem que seja a feijões, esta noite, os dois darão tudo o que têm para ganhar e para que Silvino, lá onde estiver, desfrute com um bom desafio, é a melhor homenagem que lhe podem fazer.