Real Madrid-Atlético Madrid, o dérbi que também será de Silvino
Nas três temporadas que estiveram juntos no Real Madrid, José Mourinho e Silvino ganharam todos os dérbis salvo o último na final da Taça do Rei. Hoje as duas equipas madrilenas voltam a defrontar-se e Silvino, como sempre fazia desde que fixou a sua residência em Madrid, não faltaria ao Bernabéu para apoiar a equipa em que tinha trabalhado, apesar de que por culpa de uma cruel doença o seu lugar se veja vazio, ele lá estará em espírito e todo o estádio, cheio a deitar por fora, ficará durante um minuto em rigoroso e emocionante silêncio recordando-o e homenageando a sua memória.
É enorme a rivalidade entre as duas equipas da capital de tal forma que, seja em que circunstâncias for, os confrontos entre elas sempre despertam o máximo interesse. A última vez que se encontraram foi no Metropolitano no desafio da primeira volta, o Real que tinha ganho todos os jogos anteriores perdeu por um claro 2-5, uma derrota tão dolorosa que com ela começaram a surgir as primeiras dúvidas sobre o projeto que liderava Xabi Alonso. Nesse dia enganou-se, apostando em Bellingham que acabava de sair de uma lesão e estava fora de forma, as coisas correram mal, já não voltaram a endireitar-se e o técnico acabou por ser despedido. Curiosamente, hoje repete-se essa situação em relação ao jogador inglês: já pode jogar depois de ter estado lesionado e Arbeloa terá de decidir entre ele e o jovem Thiago Pitarch. «Bendito dilema», considera o técnico.
Arbeloa disputou 18 dérbis como jogador e este é o seu primeiro como treinador, mas apesar de não ter experiência nestes desafios, pode presumir de, na sua curta carreira como treinador da equipa principal, ter ganhado a Mourinho e a Guardiola duas vezes a cada um. Ao contrário, Diego Simeone chega esta noite ao seu 50º dérbi, uma continuidade que contrasta com as nove mudanças de treinador feitas pelo Real durante o tempo que o argentino tem permanecido à frente do Atlético.
Haverá algumas ausências, a mais notadas as dos guarda-redes. Courtois, que vai estar lesionado durante várias semanas, cede o seu lugar a Lunin enquanto que na baliza visitante estará o argentino Musso que substitui Oblak ainda a contas com um problema nas costas.«Quem perde mais com as ausências?» perguntaram a Simeone. «Perde o público que não pode ver em ação dois grandes guarda-redes». O técnico do Atlético também não poderá contar com o jovem Barrios, mas pior está o Real que, além do guardião belga, tem as baixas de Mendy, Ceballos, Militão e Rodrygo.
O resultado do encontro tem diferente importância para as duas equipas: o Real está obrigado a ganhar se quer manter-se vivo na corrida, com o Barcelona, para o título; para o Atlético, que há dez anos não ganha no Bernabéu, a liga já não é a sua guerra, sabe que não será campeão e que tem assegurado ficar entre os quatro primeiros e ir à próxima Liga dos Campeões.
O que lhe importa e muito é o que espera nas próximas semanas - depois do descanso para os jogos da seleção, recebe, no dia 4 de abril, o Barcelona em jogo do campeonato, três dias depois vai ao Camp Nou disputar a primeira mão dos quartos de final da Champions, na semana seguinte terá de ir jogar ao campo do Sevilha para o campeonato, disputa no Metropolitano o segundo confronto europeu com o Barcelona e no dia 18 regressa a Sevilha para defrontar a Real Sociedad na final da Taça do Rei, um difícil calendário que poderá decidir o tudo ou nada desta temporada. Mas como nem o Real nem o Atlético gostam de perder com o rival nem que seja a feijões, esta noite, os dois darão tudo o que têm para ganhar e para que Silvino, lá onde estiver, desfrute com um bom desafio, é a melhor homenagem que lhe podem fazer.