Râguebi: na matemática tudo é possível, na relva a estatística é outra

Fique a saber quais as contas do apuramento para os quartos de final do Mundial França-2023 realizadas as primeiras três jornadas, sendo que o País de Gales já está qualificado e faltam sete seleções

Na edição on line e na de papel de ontem, a A BOLA escreveu, por lapso, que a Austrália (3.º lugar, seis pontos) estava fora do Mundial de râguebi após derrota (6-40) com o País de Gales.

Foi a lei das probabilidades a jogar. Mas, na realidade, matematicamente ainda não está. Está, sim, dependente de resultados no Grupo C, em concreto Fiji (2.º, 6 pontos) com Geórgia (dia 30) e Portugal (8 de outubro) e de georgianos com o País de Gales (dia 7). Depois, depende ainda partida frente a Portugal (dia 1) — a 8 de outubro os lobos defrontam as Fiji no encerramento da primeira fase da competição.

Expliquemos os múltiplos cenários no Grupo C, uns mais verosímeis do que outros face ao estatuto (pelo menos na teoria) dos países em questão. Assim, tudo está em aberto na luta pelo 3.º lugar — dá a qualificação direta para o Mundial de 2027, na Austrália — e, no limite, quiçá, pelo 2.º posto. Para Fiji (8.ª do ranking), Geórgia (14.ª) e Portugal (16.º). O primeiro critério de desempate é o confronto direto entre seleções. O segundo a diferença de pontos marcados e sofridos. O terceiro os ensaios marcados e sofridos.

Vejamos. Se as ilhas do Pacífico Sul vencerem a Geórgia (4.º, 2 pts) com ponto de bónus ofensivo, carimba de imediato a passagem à fase a eliminar. A vantagem no confronto direto atira os Wallabies para fora do França-2023, eliminação inédita na fase de grupos. Fica fechado o 2.º lugar, mas não fecha a porta do 3.º.

Se a Geórgia (defrontará Gales, já apurado) vencer os fijianos, coloca-se à espreita no jogo entre lobos e Austrália (desceu para 10.ª, o pior registo na hierarquia).

A vitória australiana frente a Portugal (5.º, 2 pts) fechará o 3.º lugar, a não ser que georgianos triunfem (muito pouco provável) duplamente com ponto de bónus. Se os lobos vencerem a Austrália, a seleção de Eddie Jones despede-se do Mundial e o duelo Fiji-Portugal ganha emoção extra na última ronda, tal como o frente a frente entre Lelos e Dragões Vermelhos. Seja para o 3.º lugar ou 2.º lugar, caso as nações do Hemisfério Norte triunfem sobre os países do Sul no primeiro e segundo round.

O País de Gales é, para já, o primeiro país apurado para os quartos de final, pelo que ficam a faltar sete. No Grupo A, o Nova Zelândia-Itália ajudará a definir quem se junta a galeses. A vida difícil dos Azzurri (2.º do grupo, 11.ª da hierarquia) prossegue com a França (1.ª do grupo), enquanto os All Blacks (3.º na luta a cinco) enfrentam o Uruguai (17.ª a nível planetário). O triunfo dos mais fortes, França (2.ª do ranking) e Nova Zelândia (4.ª na tabela dos poderosos), sela a passagem destes dois suspeitos do costume.

Irlandeses e sul-africanos são favoritos no Grupo B

A Irlanda está no topo do Grupo B e resta-lhe uma réplica do Seis Nações diante da Escócia. Só uma hecatombe (derrota sem pontuar) e uma dupla vitória escocesa recheada de duplo ponto extra nos dois jogos por disputar afastará a líder mundial dos quartos. O mesmo se aplica à África do Sul (3.ª), que tem cinco pontos quase garantidos ao entrar em campo ao lado do Tonga.

No Grupo D a Inglaterra está no bom caminho

Por fim, no Grupo D, faltam 80’ para a Inglaterra (6.ª do ranking) passar para onde costuma estar. O ponto de bónus frente ao Chile serviu de rede de trampolim para a Rosa. Japão e Argentina lutam pelo 2.º lugar.

Raffaele Storti

O primeiro português a marcar dois ensaios está na equipa da semana eleita pela World Rubgy. Curiosamente, frente a Geórgia, Jerónimo Portela foi eleito o MVP.

Austrália

A derrota por números históricos (40-6) frente ao País de Gales atirou a Austrália para o 10.º lugar do ranking mundial. É a mais baixa classificação dos Wallabies desde que há registo. Anteriormente, o pior resultado na tabela da World Rugby tinha sido o 9.º posto.

Ingleses ficam em França

A Inglaterra está (quase) nos quartos de final e terá uma pausa de 14 dias antes de defrontar a Samoa. Os jogadores foram instruídos para permanecerem a descansar em França, apesar de elementos da seleção e técnicos terem sido autorizados a regressar à ilha britânica durante esta semana. Os 33 convocados cumprem dois dias de folga (2.ª e 3.ª feira). Não ficam fechados no quartel-general, em Touquet, mas permanecem em França.

Mão cheia de ensaios

No Estádio Pierre-Mauroy, em Lille, Henry Arundell marcou cinco dos 11 ensaios ingleses no jogo de estreia com a Rosa ao peito, frente ao Chile (71-0). Aos 20 anos, igualou o recorde de toques de meta de Josh Lewsey num jogo internacional (vitória diante o Uruguai, 111-13, no Mundial 2003). O inglês lidera a tabela de ensaios do França-2023.

Recorde ‘bleu’

A vitória da França frente Namíbia por 96-0 é o maior êxito da seleção gaulesa em 10 edições do Campeonato do Mundo.

A artilharia irlandesa

A seleção irlandesa está de pontaria afinada no mundial de râguebi. A líder do ranking e 1.ª do Grupo B soma, em três jogos, 154 pontos, 21 ensaios marcados e 21 pontapés de conversão. Johnny Sexton é o líder dos marcadores: 45 pontos.