Flamengo dominou o futebol brasileiro e sul-americano - Foto: Imago
Flamengo dominou o futebol brasileiro e sul-americano - Foto: Imago

A germanização do Brasil

'JAM sessions' é o espaço de opinião semanal do jornalista João Almeida Moreira, correspondente de A BOLA no Brasil

O Brasil, dominado pela força de Flamengo e Palmeiras, duas forças, por estes dias, muito acima dos outros 10 grandes do país, teme perder uma das vantagens competitivas de que dispõe em comparação com as principais ligas da Europa: a imprevisibilidade.

Se em Inglaterra ainda há dúvidas no início de cada campeonato sobre quem vai levar o troféu da Premier League e em Itália, ultimamente, também vai havendo em relação ao scudetto, na Liga espanhola só muito de vez em quando o título escapa do duopólio Real Madrid e Barcelona, a quem vêm sendo comparados, por alguns observadores, o mengão e o verdão.

Porém, há quem sonhe com um Brasileirão em forma de monopólio — e não duopólio — decalcado dos modelos da Ligue 1 francesa ou da Bundesliga alemã, torneios de um contra todos em que o Paris Saint-Germain e o Bayern Munique são crónicos campeões — os gauleses 11 e os teutónicos 12 vezes nos últimos 13 anos.

Esse clube é o Flamengo. O portal UOL chamou-lhe até «estratégia Bayern».

Com mais de dois mil milhões de reais [acima de 300 milhões de euros] de faturação em 2025, os cariocas deixaram os paulistas, com apenas 1,6 mil milhões [cerca de 250 milhões], à distância graças aos títulos e ao volume da torcida (o Fla tem a maior do Brasil, o alviverde a quarta).

De 2024 para 2025, aliás, o atual campeão da Taça dos Libertadores da América e do Brasileirão cresceu o equivalente a 120 milhões de euros, que é a faturação do São Paulo — ou seja, num ano ficou um São Paulo mais rico.

Como o domínio no cofre vai passar para o campo é a tal «estratégia Bayern». Se ainda não consegue desviar por ora atletas do verdão, pelo menos vai enfraquecendo os plantéis dos outros emblemas que incomodam na classificação.

Já contratou Vitão, referência defensiva do Internacional, dono de um dos melhores elencos do país apesar do 16.º lugar de 2025. E agora pressiona pela aquisição de Kaio Jorge, goleador do Brasileirão pelo cada vez mais ambicioso Cruzeiro, que por acaso fizera de tudo para ter Vitão mas não conseguiu.

Assim como os bávaros são uma espécie de, se não seleção alemã, pelo menos seleção da Bundesliga, o Flamengo, embora conte com nove internacionais canarinhos no grupo, também pretende ser uma espécie de seleção do Brasileirão com um onze de sonho no campo e outro onze de sonho no banco.

E no sub-continente sul-americano? Bom, aí o projeto do Fla, já o verbalizou o presidente Luiz Eduardo Baptista, é ser «um Real Madrid das Américas», tendo em conta que o gigante espanhol levou metade das últimas 12 Ligas dos Campeões e o colosso brasileiro vai em três Libertadores das últimas sete.

Espanholização, portanto, só no plano internacional. No nacional, o objetivo flamenguista é a germanização.