Barbero marcou o único golo do Arouca na vitória sobre o Aves SAD - Foto: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA
Barbero marcou o único golo do Arouca na vitória sobre o Aves SAD - Foto: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

Quem disse que não é possível piorar o péssimo? (crónica)

Depois de uma 1.ª volta sem vitórias, o Aves SAD iniciou a 2.ª com uma expulsão aos 5 minutos e uma nova derrota, ainda para mais frente ao Arouca, rival direto na luta pela permanência

Nas primeiras 17 jornadas da Liga, o Aves SAD somou 13 derrotas e quatro empates. Além das zero vitórias, os avenses terminaram como o pior ataque (11 golos marcados) e a pior defesa (43 golos sofridos). Péssimo, sem dúvida.

Perante este cenário, qualquer pessoa de bom-senso pensaria: é impossível fazer pior na segunda volta.

Mas arriscamos dizer que o bom-senso, talvez, não seja o ponto forte de Devenish. Afinal, só isso ajuda a explicar a entrada duríssima que teve logo no terceiro minuto de jogo sobre Bas Kuipers. Se não houvesse VAR, o defesa colombiano até escaparia entre os pingos da chuva com um cartão amarelo. Mas há VAR, não é? E assim, o Aves SAD ficou reduzido a 10 jogadores durante praticamente todo o jogo. E com uma certeza: isto ainda dá para piorar!

Em inferioridade, poucas alternativas restaram à equipa de João Henriques do que recolher atrás e esperar uma oportunidade para explorar alguma transição.

E isso não foi bom para o jogo. Porque retirou espaço ao Arouca, que gosta de jogar em ataque continuado, mas que se viu com os espaços muito mais apertados. Kuipers, apesar de visivelmente limitado pela dureza da entrada de Devenish, foi explorando o corredor esquerdo, mas viu Barbero e Trezza desperdiçarem.

Aliás, em termos de oportunidades, a melhor até ao minuto 42 pertenceu à equipa da casa. Kuipers errou no cálculo de um corte e isolou Pedro Lima que rematou fortíssimo para grande defesa de Arruabarrena, guarda-redes uruguaio que regressou esta semana à Serra da Freita e entrou diretamente no onze de Vasco Seabra.

Só que aos 42 minutos apareceu o lance que deu seguimento ao tiro no pé dado por Devenish no início do jogo. Fukui recebeu com espaço à entrada da área e, descaído para a direita, levantou para as costas da defesa avense, onde Barbero surgiu a cabecear picado para marcar o primeiro golo com a camisola do Arouca, ao 18.º jogo.

Depois, ao contrário do que se poderia esperar, o intervalo não trouxe grande tranquilidade ao Arouca. Afinal, a equipa da Serra da Freita também está em posição delicada e a precisar de pontos para fugir à zona de descida. Com o passar do tempo e sem conseguir aumentar a vantagem, os arouquenses começaram a ficar nervosos e a equipa da casa foi crescendo.

Contudo, já depois de ter tido um golo anulado a Pedro Lima por fora de jogo, na melhor oportunidade de que dispôs, aos 86’, depois de receber um belo passe de Nenê, Diego Duarte conseguiu contornar Arruabarrena, mas rematou à rede lateral, também porque Tiago Esgaio conseguiu tocar ligeiramente na bola.

E assim, o cenário que já era tão mau para o Aves SAD conseguiu piorar. Sim, é possível. E a segunda volta ainda só está a começar.

O melhor em campo: Fukui (Arouca)
No dia em que somou o 50.º jogo com a camisola do Arouca, o médio japonês voltou a mostrar toda a qualidade que tem. Joga e faz jogar e quase todas as ações são bem feitas. Com pouco espaço para jogar devido ao bloco muito baixo do Aves, Fukui foi aquele que conseguiu encontrar os melhores caminhos para a baliza adversária. Quando lhe deram um pouco mais de espaço, aos 42', cruzou de forma perfeita para o cabeceamento certeiro de Barbero, que viria a revelar-se decisivo.

Notas do AroucaArruabarrena (6); Tiago Esgaio (6), Matías Rocha (6), Javi Sanchéz (6) e Kuipers (7); Van Ee (7) e Hynju (6); Trezza (6), Fukui (7) e Djouahra (6); Barbero (7); Dante (6), Gonzálbez (6), Mansilla (6), Mateo Flores (6) e Puche (-)

A figura do Aves SAD: Tomané (6)
Num daqueles jogos ingratos para os avançados, Tomané nunca se escondeu. Depois da expulsão prematura de Devenish, foi graças a ele que a equipa conseguiu respirar. Bola para a frente e o jogador de 33 anos a segurar os adversários até a restante equipa subir. Nasceu dos pés dele o lance que resultou no golo anulado a Pedro Lima. Saiu pouco depois, esgotado, e certamente com o sentimento de dever cumprido, tendo em conta o que aconteceu durante o jogo.

Notas do Aves SAD: Adriel (6); Rúben Semedo (5), Ponck (6) e Devenish (1); Kiki Afonso (6), Pedro Lima (6), Roni (6) e Gustavo Mendonça (6); Oscar Perea (5), Tomané (6) e Tunde (5); Diego Duarte (6), Algobia (5), Nenê (6), Neiva (5) e Jaume Grau (5)

DECLARAÇÕES DOS TREINADORES:

João Henriques, treinador do Aves SAD

Faltou sermos mais felizes do que o adversário, que acertou tantas vezes na baliza como nós. A nossa 2.ª parte foi digna, criámos oportunidades e o adversário não fez qualquer remate à nossa baliza. E nós é que estávamos a jogar com 10. Jogámos mais de 90 minutos com 10, mas parecia que tínhamos mais jogadores do que o adversário. A jogar assim, a sorte vai surgir. Os jogadores respiram confiança, temos de sorrir um pouco para as adversidades, e todos acreditamos que vamos conseguir dar a volta a esta situação.

Vasco Seabra, treinador do Arouca

Tenho de admitir que a 2.ª parte não teve a qualidade que temos. E isso também se deveu à importância do jogo. A equipa sentiu esse peso e não conseguiu jogar como na 1.ª parte, encolhendo-se um pouco. Mas conseguimos vencer e iniciar a 2.ª volta com três pontos.