Quando marca um português, é para 'dar' logo dois ou três (crónica)
Foi com mais gregos (três), espanhóis (três), costa-riquenhos (dois), uruguaios (dois), ingleses (dois), franceses (dois) e neerlandeses (dois) do que portugueses (um) que o Rio Ave-Arouca deste sábado começou. Tiago Esgaio era o único luso dos 22 jogadores em campo - e até foi ele a inaugurar o marcador.
O Arouca fez o primeiro remate de perigo da partida, por Fukui, naquele que foi um prenúncio do que viria a ser a história do encontro. Os arouquenses tiveram as melhores chances do primeiro tempo - ora por Fukui (12' e 43'), ora por Lee Hyunju (26'), ora por Djouahra (31'), ora por Alfonso Trezza (41') - e acabaram mesmo por chegar ao golo, com naturalidade, aos 44'.
Na sequência do pontapé de canto batido por Djouahra e de dois cabeceamentos iniciais falhados, Tiago Esgaio apareceu ao segundo poste para empurrar a bola, de cabeça, para dentro da baliza, numa assistência (também de cabeça) de Fontán. Assim se disse «golo» em bom português.
O jogo foi para intervalo com um claro ascendente dos lobos da Serra da Freita. A superioridade foi confirmada - praticamente a abrir o segundo tempo -, com mais um tento. Mas, antes disso, ainda deu tempo para o maior desperdício do jogo: aos 49', Djouahra e Trezza saíram em contra-ataque, num 2x2. O francês serviu o espanhol, isolando-o, mas este tentou picar a bola sobre Chamorro, fazendo a bola sair pela linha de fundo.
O segundo do Arouca chegaria quatro minutos depois: num lance aéreo dividido com Barbero, o defesa do Rio Ave, Lomboto, atirou, inadvertidamente, a bola para dentro da própria baliza.
Numa fase em que o forasteiros dominavam por completo o jogo e os rioavistas não sabiam sequer onde se meter, o terceiro não tardou em aparecer... Aos 66', foi a vez de Hyunju fazer o gosto ao pé: depois de uma bela combinação pela esquerda com Kuipers, o sul-coreano finalizou a jogada de pé direito, dentro de área.
O marcador não mais mexeu, até ao final da partida. Quem mexeu (e muito) foram os lenços brancos nas bancadas do Arcos. O jogo ficou marcado por muita contestação por parte dos adeptos da casa, contra o atual momento da equipa.
Nota ainda para o facto de, entre os 32 atletas que jogaram, apenas dois serem portugueses e nunca terem estado ao mesmo tempo em campo. Tiago Esgaio saiu aos 90+2' para dar lugar, precisamente, a Diogo Monteiro, que pisou o relvado durante apenas 20 segundos. Curioso.
As notas dos jogadores do Arouca (4x2x3x1): Arruabarrena (5); Tiago Esgaio (7), Javi Sánchez (5), Fontán (6) e Kuipers (6); Espen van Ee (6) e Fukui (7); Alfonso Trezza (7), Lee Hyunju (7) e Djouahra (7); Barbero (6); Popovic (5), Mansilla (5), Pablo Gozálbez (5), Diogo Monteiro (-), Yellu (-)
As notas dos jogadores do Rio Ave (3x4x3): Chamorro (6); Petrasso (4), Lomboto (4) e Nelson Abbey (5); Vrousai (4), Ntoi (5), Aguilera (5) e Omar Richards (4); Papakanellos (5), Olinho (5) e Clayton (4); Bezerra (4), Nikitscher (5), Panzo (5), Spikic (5), Zoabi (-)
Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave
«Não temos vindo a jogar como desejamos e quando assim é não há resultados positivos. Estamos a cometer os mesmos erros. Acho que hoje não foi uma questão de mentalidade. O mercado de transferência pode ter influência. Ainda assim, o pior é a lesão do Aguilera.»
Vasco Seabra, treinador do Arouca
«Tinha dito aos jogadores que tínhamos feito o melhor jogo da época contra o Sporting na semana passada e perdemos. Sabíamos que tínhamos de continuar a trabalhar, porque temos um espírito de grupo fortíssimo. Merecemos esta vitória completa, de domínio total.»