Tiago Esgaio (o único português a jogar de início) inaugurou o marcador - Foto: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA
Tiago Esgaio (o único português a jogar de início) inaugurou o marcador - Foto: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

Quando marca um português, é para 'dar' logo dois ou três (crónica)

Lobos tomaram caravelas vilacondenses e navegaram até meio da tabela, num jogo que nunca teve mais do que um português em campo. Jogaram dois, mas não em simultâneo: um fez golo, o outro jogou 20 segundos

Foi com mais gregos (três), espanhóis (três), costa-riquenhos (dois), uruguaios (dois), ingleses (dois), franceses (dois) e neerlandeses (dois) do que portugueses (um) que o Rio Ave-Arouca deste sábado começou. Tiago Esgaio era o único luso dos 22 jogadores em campo - e até foi ele a inaugurar o marcador.

O Arouca fez o primeiro remate de perigo da partida, por Fukui, naquele que foi um prenúncio do que viria a ser a história do encontro. Os arouquenses tiveram as melhores chances do primeiro tempo - ora por Fukui (12' e 43'), ora por Lee Hyunju (26'), ora por Djouahra (31'), ora por Alfonso Trezza (41') - e acabaram mesmo por chegar ao golo, com naturalidade, aos 44'.

Na sequência do pontapé de canto batido por Djouahra e de dois cabeceamentos iniciais falhados, Tiago Esgaio apareceu ao segundo poste para empurrar a bola, de cabeça, para dentro da baliza, numa assistência (também de cabeça) de Fontán. Assim se disse «golo» em bom português.

O jogo foi para intervalo com um claro ascendente dos lobos da Serra da Freita. A superioridade foi confirmada - praticamente a abrir o segundo tempo -, com mais um tento. Mas, antes disso, ainda deu tempo para o maior desperdício do jogo: aos 49', Djouahra e Trezza saíram em contra-ataque, num 2x2. O francês serviu o espanhol, isolando-o, mas este tentou picar a bola sobre Chamorro, fazendo a bola sair pela linha de fundo.

O segundo do Arouca chegaria quatro minutos depois: num lance aéreo dividido com Barbero, o defesa do Rio Ave, Lomboto, atirou, inadvertidamente, a bola para dentro da própria baliza.

Numa fase em que o forasteiros dominavam por completo o jogo e os rioavistas não sabiam sequer onde se meter, o terceiro não tardou em aparecer... Aos 66', foi a vez de Hyunju fazer o gosto ao pé: depois de uma bela combinação pela esquerda com Kuipers, o sul-coreano finalizou a jogada de pé direito, dentro de área.

O marcador não mais mexeu, até ao final da partida. Quem mexeu (e muito) foram os lenços brancos nas bancadas do Arcos. O jogo ficou marcado por muita contestação por parte dos adeptos da casa, contra o atual momento da equipa.

Nota ainda para o facto de, entre os 32 atletas que jogaram, apenas dois serem portugueses e nunca terem estado ao mesmo tempo em campo. Tiago Esgaio saiu aos 90+2' para dar lugar, precisamente, a Diogo Monteiro, que pisou o relvado durante apenas 20 segundos. Curioso.

O melhor em campo: Djouahra
Não marcou nem assistiu, mas, apesar de na ficha de jogo não aparecer isso, esteve envolvido nos três lances de golo do Arouca. Muita magia no pé deste craque francês, que demonstrou, uma vez mais, que não sabe jogar mal. Djouahra faz as delícias dos adeptos pelo lado esquerdo do ataque dos lobos e atordoou, por completo, a defensiva vilacondense, com tamanha imprevisibilidade.

As notas dos jogadores do Arouca (4x2x3x1): Arruabarrena (5); Tiago Esgaio (7), Javi Sánchez (5), Fontán (6) e Kuipers (6); Espen van Ee (6) e Fukui (7); Alfonso Trezza (7), Lee Hyunju (7) e Djouahra (7); Barbero (6); Popovic (5), Mansilla (5), Pablo Gozálbez (5), Diogo Monteiro (-), Yellu (-)

A figura do Rio Ave: Chamorro
Jogo ingrato para o guarda-redes do clube da caravela. Não foi por culpa do guardião costa-riquenho que o Rio Ave sofreu três golos… Antes pelo contrário. Chamorro impediu que a 'cabazada' tivesse sido maior, ao travar vários remates, tanto na primeira como na segunda partes. Aproveitou bem a ausência do habitual titular, Miszta, que está lesionado.

As notas dos jogadores do Rio Ave (3x4x3): Chamorro (6); Petrasso (4), Lomboto (4) e Nelson Abbey (5); Vrousai (4), Ntoi (5), Aguilera (5) e Omar Richards (4); Papakanellos (5), Olinho (5) e Clayton (4); Bezerra (4), Nikitscher (5), Panzo (5), Spikic (5), Zoabi (-)

Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave

«Não temos vindo a jogar como desejamos e quando assim é não há resultados positivos. Estamos a cometer os mesmos erros. Acho que hoje não foi uma questão de mentalidade. O mercado de transferência pode ter influência. Ainda assim, o pior é a lesão do Aguilera.»

Vasco Seabra, treinador do Arouca

«Tinha dito aos jogadores que tínhamos feito o melhor jogo da época contra o Sporting na semana passada e perdemos. Sabíamos que tínhamos de continuar a trabalhar, porque temos um espírito de grupo fortíssimo. Merecemos esta vitória completa, de domínio total.»