Mundial
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Promise David e Larin fizeram ceder a muralha (crónica)
As vozes de Alanis Morissette e Michael Bublé deram início à festa e a agressividade de um Canadá que procurou desde cedo ser feliz no jogo de estreia no Mundial 2026 empolgou os milhares de adeptos que enchiam o BMO Field, em Toronto.
Mas o empolgamento arrefeceu quando aos 21 minutos um canto colocou a Bósnia Herzegovina, que mostrou um pragmatismo gélido e capaz de ferir o adversário, na frente do marcador, num lance em que Kolasinac desvia para o tento inaugural de Lukic, aposta ganha do selecionador Sergej Barbarez.
Depois um intenso duelo tático, com duas equipas com abordagens bem diferentes ao jogo. Em desvantagem, o Canad+á subia as suas linhas, enquanto a Bósnia Herzegovina se ia defendendo e tinha em Demirovic o criador de equilíbrios e o único a conseguir levar a bola para zonas de perigo.
Olhar para o Canadá é, inevitavelmente, olhar para Stephen Eustáquio e para o homem que tem ao lado no meio-campo, o incansável Koné.
O jogo foi-se discutindo a meio-campo e do caos inicial em que duas equipas partiam em busca do golo sem demasiados cuidados, passou-se à tal abordagem das equipas que em tudo era distinta. Empurrados pelos adeptos que enchiam as bancadas, os canadianos criaram uma outra e mais outra oportunidade, com Oluwaseyi e ser o grande desestabilizador.
A muralha bósnia chegou a parecer intransponível e nesse particular uma palavra para Dedic, um jogador bem diferente daquele que foi toda a época no Benfica. Bem mais conservardor, poucas vezes subiu pelo flanco direito, mas quase nunca foi batido no um contra um e dessa forma ia sendo fundamental na resistência da formação europeia.
Nada parecia resultar para a formação canadiana, mas a Bósnia era cada vez mais empurrada para a sua área. Só faltava peso na área, até que Jesse Marsch mexeu no xadrez.
A entrada do possante Promise David deu a dimensão física necessária para estilhaçar o bloco bósnio e, aos 77 minutos, fez-se luz: assistência perfeita do recém-entrado para o golpe mortífero de Cyle Larin, resgatando um ponto de ouro que evita a desilusão no primeiro jogo do Mundial.
Nos instantes finais, exausto após uma batalha hercúlea onde correu por dois, Eustáquio saiu ovacionado para dar lugar a Osorio, ciente de que o cérebro canadiano funcionou, mesmo que o corpo coletivo tenha tremido perante a solidez de uma Bósnia.
Com este empate, ninguém sai radiante, mas ambas as seleções ficam com aspirações intactas num grupo em que a Suíça promete ser a mais forte candidata a ser primeira e o catar de Julen Lopetegui entra com o rótulo da formação mais débil. Veremos se a teoria se confirma em campo.