A gestão do caso Prestianni-Vinicius entre as duas mãos do play-off - Foto: IMAGO

Prestianni no Bernabéu, alguém acreditou... ou quis?

O motivo do Benfica de levar o argentino para Madrid foi tão-só manter a firmeza no caso, mostrar-se inabalável na solidariedade com o jogador, mantendo-o integrado. O clube fê-lo convicto de que a UEFA não voltaria atrás na suspensão, correta, que preservou o futebol do risco de se tornar teatro de hostilidade

Depois de passar o inferno das primeiras horas do caso Prestianni-Vinicius, das declarações de José Mourinho, de o Benfica ter assumido defesa incondicional do seu jogador desde o primeiro momento, e do anúncio pela UEFA de um inquérito ao alegado abuso racista do jogador encarnado ao brasileiro do Real Madrid, processo inevitável perante a impossibilidade de provar, com absoluta certeza, se a palavra mono — macaco — teria sido de facto proferida, as atenções viraram-se para o provável reencontro dos visados no jogo da 2.ª mão, em Madrid. Explosivo.   

No entanto, antes de se voltar a levantar fervura ao caso na perspetiva de novo frente a frente, a UEFA suspendeu preventivamente Prestianni, sob a justificação do inquérito. A justificação formal baseou-se no inquérito, mas a intenção era clara: impedir que o duelo se materializasse, preservando o futebol do risco de se tornar teatro de hostilidade, e protegendo tanto a integridade do jogador como a imagem da competição. Uma decisão cirúrgica, firme, mas que não deixou de gerar polémica: privava o Benfica de um dos seus melhores ativos, peça fundamental na estratégia de tentar virar a eliminatória.

O clube encarnado não se conformou e recorreu, integrando o jogador na comitiva que se deslocou à capital espanhola. Todavia, os seus responsáveis, incluindo José Mourinho, fizeram-no certamente convictos de que a UEFA não voltaria atrás na decisão. O motivo de levar o argentino para Madrid foi tão-só manter a firmeza do clube no caso, mostrar-se inabalável na solidariedade com o jogador, mantendo-o integrado.

No fim, o cenário era o mais equilibrado possível num caso carregado de tensão: a UEFA preservava a competição, o Benfica protegia o seu atleta, e o futebol manteve-se, ainda que por um fio, acima do ruído e da polémica. Porque havia, no meio de toda a tempestade, a consciência de que expor um jovem jogador à hostilidade de um estádio em ebulição seria um risco desnecessário, e que proteger o desporto às vezes passa por decisões duras, mas justas.