«Pouco depois de ser operado, levantei-me da sesta e não conseguia andar»
Bruno Soriano, antigo médio do Villarreal, recordou o calvário que viveu devido a uma grave lesão no joelho, que o forçou a retirar-se do futebol em julho de 2020, aos 36 anos. Numa entrevista recente ao podcast Listen2Inspire, o ex-jogador detalhou os mais de três anos de sofrimento.
O problema começou com uma operação a um fragmento ósseo no joelho, mas rapidamente se complicou. «Houve muitas complicações. Pouco depois de ser operado, levantei-me da sesta e não conseguia andar porque tive um Sudeck no escafoide do pé, algo que pode acontecer na operação, mas que não é comum», explicou Soriano. Esta condição, mais frequente em pessoas mais velhas, provocou-lhe dores intensas durante um ano e meio. «Estive com uma dor muito, muito forte no pé. Não me deixava apoiar. Por vezes desaparecia durante um mês, mas depois voltava», acrescentou.
A persistência da dor levou-o a uma nova cirurgia para reparar o tendão, mas a recuperação continuou a ser um processo frustrante, marcado por viagens a Barcelona e à Corunha em busca de soluções. O isolamento tornou-se uma constante na sua vida. «Isolei-me muito dos meus colegas. Estava sempre no ginásio e, para mim, era muito desconfortável ir a Villarreal nos dias de jogo, quando estava habituado a jogar os 90 minutos», confessou.
O impacto psicológico foi devastador. O que inicialmente seria uma paragem de três meses transformou-se num pesadelo de três anos. «A lesão foi, creio, o mais duro que vivi. Três anos não são três dias. É muito tempo a dar voltas à cabeça», recordou. A situação tornou-se «muito, muito desconfortável» tanto no balneário como em casa, afetando o seu bem-estar geral. «Nunca estava bem, porque para mim o principal era jogar futebol e render», afirmou.
Soriano lamentou ainda o sentimento de impotência por não conseguir retribuir a confiança do clube e dos adeptos. «Sentia-me muito mal, não estava a dar ao Villarreal, aos adeptos e a toda a gente que confiava em mim aquilo que eu era como jogador, que era pelo que me pagavam. A verdade é que passei muito, muito mal», desabafou. O desejo de uma despedida mais digna ficou por cumprir. «Gostaria de me ter retirado de forma mais digna. Eu estava muito limitado para poder simplesmente treinar e jogar um pouco para me despedir», concluiu.