Português admite regressar a casa caso conflito escale na Turquia
Miguel Cardoso, jogador português dos turcos do Kayserispor, admitiu ponderar o regresso a Portugal caso a segurança se deteriore na Turquia, após a interceção de um míssil iraniano, garantindo, contudo, sentir-se, por agora, seguro.
«Tenho esse receio, mas penso que será difícil chegar aqui, a mim, sinceramente. Mas caso haja uma escalada do conflito, claramente que vou tentar regressar ao meu país, onde penso estar mais seguro», afirmou o avançado, de 31 anos, em declarações à Lusa, sublinhando que, apesar da «normalidade» atual no clube e na cidade de Kayseri, acompanha com «receio» a escalada de tensão entre o Irão, os Estados Unidos e Israel.
As defesas aéreas da NATO na Turquia intercetaram esta quarta-feira um míssil balístico iraniano sobre o Mediterrâneo Oriental, tendo destroços da munição antiaérea caído no sul do país sem causar vítimas, informou o Governo turco que advertiu o Irão que «não hesitará em defender o território e espaço aéreo» do país e «responderá a atitudes hostis no quadro do direito internacional».
O jogador, que cumpre a quarta época no emblema turco após passagens pela B SAD e Dínamo Moscovo, revelou que o incidente com o míssil — intercetado a cerca de 400 quilómetros da sua localização, junto à fronteira — foi tema de conversa no balneário, embora sem impacto imediato na rotina de treinos.
«Por aqui está tudo normal. Soubemos da notícia pela imprensa portuguesa e comentámos antes do treino, mas não houve qualquer tipo de indicações ou comentários por parte do clube, ou do governo turco», explicou o capitão de equipa.
Miguel Cardoso, que se encontra sozinho na Turquia, reconheceu que a ausência da família facilita uma eventual saída estratégica. «Neste momento estou sozinho, o que facilita se houver uma mudança na minha segurança. Caso venham a existir alguns progressos [na instabilidade], vou ponderar o regresso», admitiu.
O avançado manifestou ainda preocupação com o possível alastramento do conflito na região, relatando contactos com colegas noutros países do Médio Oriente que enfrentam situações «complicadas e assustadoras». «Tenho amigos a jogar nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar que não podem sair de casa. Espero que isto não continue por muito mais tempo e que não alastre, para o bem de todos nós», concluiu o atleta, que se sente, para já, «protegido» por se encontrar distante das bases norte-americanas localizadas junto às fronteiras com o Irão e a Síria.
Artigos Relacionados: