«Portugal é sério candidato a ganhar o Mundial»
O Estádio Nacional vai ter um espectador muito especial a assistir ao Portugal-Chile de amanhã, pelas 20h45. Falamos de Rodrigo Tello, o chileno que representou o Sporting entre 2001 e 2007 e ajudou a levantar a taça de campeão para os leões em 2001/2002. Hoje ligado ao ramo do agenciamento dos jogadores — foi ele quem sugeriu o turco Demiral aos leões, por exemplo — continua a acompanhar de muito perto a realidade futebolística dos dois países e está convencido de que La Roja terá uma tarefa hercúlea pela frente diante do conjunto liderado por Roberto Martínez. «Vamos ter pela frente uma das melhores seleções do globo, uma séria candidata a ganhar o Mundial. Assim, a missão não será nada fácil, mas será uma oportunidade de num contexto não competitivo a seleção chilena evoluir», começa por avançar.
Cristiano Ronaldo continua a ser a referência maior da Seleção Nacional e é figura incontornável — «foi meu companheiro, ainda que por pouco tempo no Sporting e tenho grande respeito e carinho por ele e para mim vai ser sempre alguém especial». No entanto, há outro nome que encanta o canhoto, hoje com 46 anos. «O Vitinha joga uma brutalidade. Tem uma qualidade técnica acima do comum, aliada ao conhecimento tático muito apurado, o que faz dele um jogador muito acima da média», dispara. Mas no ataque também mora alguém de excelência. «O Rafael Leão no 1x1 é perigosíssimo. Pode decidir um jogo dum momento para o outro», junta.
Após duas qualificações consecutivas já neste milénio para o Campeonato do Mundo (2010 e 2014), o Chile falhou as presenças em 2018, 2022 e agora 2026. Porquê? «O Chile teve aquela geração dourada em que pontificavam craques como Arturo Vidal, Alexis Sánchez ou Matías Fernández, mas quando estes abandonaram o futebol ou começaram a ficar mais velhos o nível decaiu muito. Não houve uma substituição à altura nos atletas que chegaram a seguir», responde como explicação.
A campanha do Chile na zona sul-americana de qualificação para o Campeonato do Mundo foi deveras dececionante, pois ficou matematicamente fora da corrida logo em junho de 2025, após uma derrota frente à Bolívia, o que levou ao despedimento do então selecionador, o argentino Ricardo Gareca. Para o seu lugar entrou Nicolás Córdova, que começou a olhar para o amanhã. «É alguém muito experiente que como jogador esteve muitos anos em Itália. Já estava na federação chilena desde 2023, com o pelouro das camadas jovens. Por isso, é alguém com conhecimento profundo dos talentos mais importantes do nosso país e deve, paulatinamente, começar a incorporá-los na equipa principal. De momento, esta é uma seleção de transição, mas julgo que poderemos ter motivos para sorrir no futuro, pois está-se numa reestruturação importante. O objetivo é estarmos no Mundial 2030», diz. «As maiores figuras da seleção, de momento, são o Gabriel Suazo, que está no Sevilha, o Maripán já nos 29 anos mas muito fiável e o miúdo Dario Osorio, um extremo do Midtjylland que já é cobiçado em Itália», finaliza.