Alexia Putellas, avançada de Espanha
Alexia Putellas, avançada de Espanha

Polémica em Espanha: federação vai financiar congelamento de óvulos, medida é acusada de «machista»

Atleta Ana Peleteiro manifestou-se contra a decisão, que «condiciona» as jogadoras e incentiva o atraso na maternidade

A Federação espanhola vai, em breve, facilitar a possibilidade de jogadoras congelarem óvulos, se assim o entenderem, e está a finalizar um acordo com uma clínica de fertilidade para permitir que as futebolistas possam dar esse passo. A justificação é facilitar a conciliação entre a maternidade e a carreira desportiva e, de acordo com o jornal El País, avançou após um pedido de Alexia Putellas à federação.

Numa entrevista ao El País Semanal, a jogadora considerou a medida um «avanço enorme»: «A Federação entende que estás a servir o teu país em detrimento do teu tempo biológico, que não podes parar e não podes ser mãe porque precisas do teu corpo para trabalhar.»

Esta iniciativa, no entanto, não foi consensual. Ana Peleteiro, atleta, e já mãe, criticou a medida, questionando as suas verdadeiras intenções.

«Que não te vendam esta notícia como um progresso feminista, porque a realidade está muito longe disso», escreveu. «Vende-se esta medida como feminista quando na realidade é profundamente machista... Por que razão a instituição para a qual estas mulheres trabalham tem interesse em que adiem a sua maternidade? Pretende facilitar que as mulheres sejam mães ou pretende que não o sejam enquanto estão a jogar?», questionou Peleteiro, alertando que «uma medida que aparentemente amplia a liberdade de uma mulher pode gerar pressão sobre uma decisão que deveria pertencer exclusivamente a ela».

«A questão não deveria ser: como conseguimos que uma atleta adie a sua maternidade? Mas sim: como conseguimos que ser mãe não penalize a carreira de uma atleta?», salientou.

Maternidade em atletas

A maternidade de atletas de alta competição voltou também a ser falada em Portugal, depois de a internacional Diana Silva, jogadora do Benfica, ter anunciado que estava grávida. Pode ler na edição desta quarta-feira uma reportagem sobre o assunto.

Paralelamente, a Associação de Futebolistas Espanhóis (AFE) estabeleceu uma parceria com um hospital para oferecer aos seus associados e associadas acesso a tratamentos de medicina reprodutiva e inclui serviços como a preservação da fertilidade, inseminação artificial, fecundação in vitro (FIV) e testes genéticos, entre outros.

Noutras modalidades já existem medidas de apoio à maternidade. No ténis, a WTA implementou em junho de 2025 a Regra de Especial Proteção da Fertilidade. Esta regra permite que as jogadoras se ausentem da competição para se submeterem a procedimentos como a congelação de óvulos, regressando depois com um ranking protegido. As tenistas elegíveis recebem uma Classificação de Entrada Especial (SER) que pode ser usada para participar em até três torneios, com base na média do seu ranking nas 12 semanas anteriores à paragem.

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