Pedro Gonçalves, Ríos e o incompreensível
Os mercados de transferências guardam sempre surpresas e destinos improváveis e Pedro Gonçalves e Richard Ríos foram os protagonistas de ontem, último dia da janela de mercado em vários dos principais campeonatos.
No caso do primeiro, finalmente resolveu-se um caso bicudo. Para quem está de fora, é difícil compreender o porquê de o Sporting ter colocado na prateleira um dos melhores jogadores que teve no século 21. A humilhante derrota na final da Taça frente ao Torreense fez estremecer Alvalade e Pote foi um dos riscados na revolução que Varandas e Rui Borges deram ao plantel. Mas o passado não se apaga e Pote, tantas vezes incompreensivelmente esquecido na Seleção, foi um dos obreiros do novo Sporting pós-Alcochete. Neste século ninguém assistiu tantas vezes (58) e só Liedson marcou mais do que ele (97), números que ganham ainda maior peso se tivermos em conta que nem sequer é avançado, antes um faz tudo no ataque e que até podia ser 8.
Na reflexão após o fatídico domingo no Jamor, Pote admitiu que, a partir de março, tinha jogado com o «travão de mão» a pensar no Mundial e a honestidade, tão rara nos futebolistas, terá caído mal. Se Suárez se comportou como comportou e teve defesa intransigente do clube, Pedro foi encostado e colocado no camarote à espera que se abrisse qualquer via na Arábia Saudita. Essa não se abriu e uma Fiorentina sem brilho foi a salvação para um processo feio e demorado.
Há cerca de um ano, no memorando da campanha para as eleições, Rui Costa catalogava o mercado de 2025/26 como um que «todos reconhecem ser dos melhores de que há memória».
Por Ríos a águia pagou 27 milhões de euros para agora o emprestar, sem cláusula de compra (!), para o Al Ittihad. A época do colombiano não foi brilhante, mas, ainda assim, deu-lhe os melhores números da carreira (8 golos/6 assistências). É difícil prever que, daqui a um ano, a jogar num campeonato periférico e pouco competitivo, o problema não esteja de volta à Luz.
Rapidamente se percebeu que Ríos não era imprescindível para Marco Silva, mas a saída do médio poderá, se não for ainda colmatada até fecho do mercado, resultar num problema de profundidade. Mais lá para a frente, para o duplo pivô de meio-campo o Benfica tem Palhinha, Manu, Enzo, Aursnes e Leandro Barreiro. Parece curto para uma equipa que quer ser campeã em Portugal e tem legítimas ambições na Liga Europa.