Pogacar surpreende às vésperas do Tour e aponta mais um candidato à vitória
Tadej Pogacar causou sensação na conferência de imprensa de antevisão da Volta a França, esta quinta-feira em Barcelona, ao recusar restringir a luta pela camisola amarela ao previsto duelo com Jonas Vingegaard, apontando o jovem colega de equipa UAE Emirates, Isaac del Toro, também como um dos potenciais candidatos à vitória.
Questionado sobre se Vingegaard seria o único ciclista capaz de o acompanhar, o líder da UAE Emirates-XRG alargou o leque de favoritos. «Não creio que ele [Vingegaard] seja o único que se pode aproximar da vitória. Penso que há aqui alguns ciclistas que podem ambicionar também a camisola amarela. O rapaz ao meu lado», afirmou, gesticulando na direção de Del Toro, antes de voltar a focar-se na rivalidade com o dinamarquês.
Apesar de reconhecer a natureza «espetacular» da competição com Vingegaard nos últimos anos, Pogacar sublinhou que a rivalidade os tem impulsionado mutuamente. «Penso que nos elevamos, um ao outro, a novos patamares todos os anos. Veremos até onde vamos este ano», comentou.
O ciclista esloveno chega ao Tour com apenas 16 dias de competição esta época, mas garantiu sentir-se preparado, salientando que os quilómetros de treino foram suficientes. «Sinto-me muito bem. Apenas 16 dias de corrida, mas os quilómetros de treino também contam. Foram muitos, por isso penso que estamos prontos», assegurou.
Pogacar abordou também a importância de encontrar um equilíbrio entre os métodos modernos de melhoria de desempenho e a recuperação, alertando para o perigo de os atletas se excederem na busca por ganhos marginais.
«A maior vantagem para qualquer ciclista é saber quando é suficiente parar de explorar coisas novas e decidir o que é melhor para si, encontrar o equilíbrio entre fazer demasiado e fazer demasiado pouco», explicou, acrescentando que «por vezes, a melhor recuperação é simplesmente ficar no sofá e não fazer nada».
Tadej Pogacar revelou que a preparação para o Tour sofreu uma alteração de última hora, com a ausência nos campeonatos nacionais. No entanto, Pogacar desvalorizou o impacto, explicando que a mudança de planos lhe permitiu passar tempo em casa. «Era suposto ir aos campeonatos nacionais, mas infelizmente as coisas não correram como planeado. O mais importante foi estar em casa e passar algum tempo juntos», afirmou, acrescentando que a pausa foi benéfica. «Aprendi alguns pratos novos e treinei com alguns amigos, mas foi bom estarmos juntos. Acho que isso também me ajudou a preparar para o Tour».
Questionado sobre se a formação da UAE Emirates é a mais forte que já teve a apoiá-lo no Tour, Pogacar foi diplomático, elogiando as equipas dos anos anteriores. «Acho que tivemos uma grande equipa em todos estes anos. Nunca diria que tivemos uma equipa má. Às vezes há problemas, outras vezes os ciclistas lesionam-se e, no final, a equipa pode parecer menos forte», considerou.
Ainda assim, o ciclista esloveno mostrou-se confiante no grupo deste ano, que considera ao mesmo nível do anterior. «Este ano, penso que é mais ou menos como no ano passado. O Isaac é um membro muito importante desta equipa. O nosso objetivo é vencer a Volta a França e vamos tentar alcançá-lo. Não será uma corrida fácil, mas temos muitas táticas», garantiu.
O Grand Départ em Barcelona tem um significado especial para Pogacar, que venceu a Volta a Catalunha em 2024. «Gosto muito de Barcelona. É uma das cidades mais interessantes do mundo. É bom estar aqui», disse, embora com uma ressalva bem-humorada: «Seria melhor estar aqui de férias, mas estou ansioso pelo Grand Départ. Estou muito entusiasmado por correr por aqui».
A familiaridade com o terreno é outro ponto a seu favor. «As estradas são semelhantes às da Catalunha. Nestes dias, estamos no mesmo hotel em que estivemos para uma etapa na Catalunha. Parece tudo bastante familiar. Estou ansioso pelo início».
Por fim, quando lhe perguntaram o que desejava para o colega de equipa Isaac nas próximas semanas, a resposta de Pogacar foi curta e direta, revelando a ambição da equipa: «Que ele ganhe a Volta a França».