Alphadjo Cissé estreou-se oficialmente pelo Milan com um golo - Foto: IMAGO

Pérola moldada por ex-Sporting encanta Amorim e tem sonho bem definido

Alphadjo Cissé, de apenas 19 anos, foi aposta do treinador português e respondeu com o golo que abriu caminho ao triunfo na estreia oficial do Milan na Serie A

O golo que Alphadjo Cissé marcou na estreia oficial pelo Milan, com apenas 19 anos, foi bom. Mas não foi um sonho. Pelo menos não foi «o» sonho. Porque esse está bem definido na cabeça do novo menino-bonito do Milan.

«Agradecer não basta. Quero retribuir aos meus pais por todos os sacrifícios que fizeram por mim e pelos meus irmãos. Quero comprar-lhes uma casa e espero ter forças para conseguir que deixem de trabalhar», confessou, ainda antes de ser lançado por Amorim, em entrevista ao jornal La Repubblica.

Filho de pais guineenses, o pai operário fabril e a mãe funcionária de um hotel, Alpha, como é tratado pelos amigos, nasceu em Treviso e tem agora o mundo do futebol aos pés.

O caminho até aqui, porém, fez-se de talento, sim, mas também de perseverança. E à boleia de uma personalidade decididida de quem sabe bem aquilo que quer. 

Ainda com 13 anos trocou Treviso e o Giorgione, clube no qual iniciou a formação, pelo Hellas Verona, partindo para cerca de 140 quilómetros de casa em busca de um sonho. Ali, desde cedo se destacou na formação e, por isso, foi sem grande surpresa que chegou à equipa principal, estreando-se com 17 anos. 

Seria, porém, ao dar um passo atrás, ao escolher o Catanzaro, da Serie B, que Alpha ganhou a consistência que agora lhe permitiu não tremer ao ser chamado por Amorim. E curiosamente, quem moldou o talento da pérola italiana, e o fez explodir com seis golos e uma assistência em 22 jogos até fevereiro foi um tal de… Alberto Aquilani. Esse mesmo, o antigo médio internacional italiano que foi figura importante no Sporting de Jorge Jesus na temporada 2015/16. 

Tal como agora no Milan, o início de Cissé no clube da cidade costeira do sul de Itália também deslumbrou, com quatro golos nos primeiros nove jogos, o que chamou a atenção do selecionador de sub-21, ele que somara duas internacionalizações nos sub-19 e uma nos sub-16. 

E isso não surpreendeu quem o conhece há mais tempo.

«Alpha joga na Serie A como se estivesse no recreio com os amigos. Não sente qualquer tipo de pressão. É incrível como se adapta a diferentes níveis. Connosco, era três anos mais novo do que os companheiros, mas já parecia o jogador mais experiente. Quer sempre a bola, parece ter uma necessidade física de estar em contacto com ela, e tem muita personalidade», revelou Paolo Sammarco, treinador da equipa Primavera do Hellas Verona, em entrevista à Gazzetta dello Sport.

Milan ‘desviou-o’ do avião do PSV

Foi ao serviço do Catanzaro que Cissé começou a despertar a atenção em Itália e noutros pontos da Europa. Tanto que o Verona chegou a acordar a transferência do jovem para o PSV, que já tinha preparado um avião para ir buscar o jogador a Itália.

Só que o Milan estava mais perto. Num raide relâmpago, o CEO Giorgio Furlani e o diretor do scouting Geoffrey Moncada viajaram para Verona, ofereceram os 10 milhões que o clube pedia pelo jovem jogador e asseguraram a contratação do menino que agora faz as delícias de Amorim. 

«Era suposto eu ter ido para o PSV. Já tinha tudo acertado, mas depois apareceu o Milan e eu não hesitei», contou, algum tempo depois.

De resto, também era suposto Alpha ter permanecido no Catanzaro, uma vez que o Milan decidiu respeitar o ano de empréstimo que tinha sido acordado pelo Verona, só que uma lesão na coxa direita fez com que chegasse mais cedo a Milanello, logo em fevereiro, para ser operado e fazer tratamento.

«Espero que ele não ouça, mas adoro Cissé!»

Cisse, porém, parece ter uma capacidade invulgar para fintar o destino. O mesmo que o apontava a um novo empréstimo… até surgir Amorim. 

O treinador português deixou-se encantar pelo jovem extremo, fã de Messi e de Pogba, que também pode jogar como médio ofensivo, posição na qual brilhou na formação do Hellas Verona.

Na pré-época, o talento, a criatividade e, sobretudo, a personalidade de Cisse garantiram-lhe um lugar bem perto do treinador português, que promete não o largar. O golo apontado ao Manchester United, que ajudou na pequena 'vingança' contra o antigo clube do técnico, foi apenas o sinal mais evidente do crescimento do menino.

E ainda antes do jogo que marcou também a estreia oficial de Amorim no Milan, o técnico assumiu que Alpha o tinha conquistado. 

«Eu adoro o Cissé. Adoro-o! Mas espero que ele não me ouça porque vai ficar demasiado convencido», atirou, sorridente.

Perante isto, e apesar de se tratar de um jogador que tinha 14 minutos na Serie A, somados na última jornada da época 2024/25, ao serviço do Verona, ninguém estranhou a inclusão de Cisse no onze inicial.

A resposta não demorou muito a chegar. Depois de uma primeira parte em que «Cissé parecia o jogador mais experiente em campo», como definiu Amorim, aos 63’ foi ele quem desbloqueou o jogo e abriu caminho ao triunfo do Milan.

Claro que todos sabemos como funciona o futebol. Isto é apenas o início de uma história que pode seguir vários caminhos. Mas nada parece capaz de travar o sonho de Cisse.

A casa para oferecer aos pais está cada vez mais perto. E Amorim sorri e agradece ao menino que adora.  

Alphadjo Cisse estreou-se oficialmente pelo Milan com um golo

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