Pelotão do Giro aponta culpado da moda de urinar nos bidões
A recente e insólita advertência da organização do Giro d'Italia, que proíbe os ciclistas de urinar para dentro dos bidões e de os atirar para a estrada, já tem um alegado protagonista. No seio do pelotão, um nome surge repetidamente como o pioneiro desta prática.
Após o colégio de comissários ter emitido um comunicado oficial a lembrar que é «estritamente proibido» usar os bidões como urinóis improvisados, o tema tornou-se um dos mais comentados entre os corredores. Vários ciclistas vieram a público explicar a origem do hábito e apontar um dos seus inventores.
Segundo o portal Sporza, que falou com vários ciclistas belgas, muitos no pelotão associam esta prática a Victor Campenaerts.
Arjen Livyns on UCI warning for peeing in bidons: "It doesn’t happen often. I’ve never done it myself, and I actually only know one rider who definitely does: Victor Campenaerts. I think he invented the concept, because he was already doing it at Lotto"https://t.co/TdpNgMSUmy
— La Flamme Rouge (@laflammerouge16) May 20, 2026
Arjen Livyns, da XDS Astana, não hesitou em nomeá-lo: «Acho que já sei quem foi o inventor. Penso que o Victor Campenaerts foi um dos primeiros que vi fazer isso». Livyns explicou a razão por detrás do ato: «Há muitos locais com público e nem sempre é agradável urinar à frente das pessoas. O Victor resolvia isso abrindo o bidão e fazendo as suas necessidades lá dentro».
A new chapter in “Pee-gate”: several riders have pointed to Victor Campenaerts 🇧🇪 as the mastermind behind the method.
— Domestique (@Domestique___) May 21, 2026
🗣️ “Pee bidons in the race? I have no idea what you’re talking about,” Campenaerts said with a smile.
📰 https://t.co/0XcTWxUjOS
📸 Cor Vos pic.twitter.com/mYnXGDvykw
Confrontado com as declarações do seu colega, Dries Van Gestel corroborou, entre risos, a ideia de que o ciclista da Visma Lease a Bike está na origem da tendência. «Sim... o Victor é um criador de tendências», afirmou.
A principal preocupação da UCI e da organização do Giro não reside tanto na prática em si, mas nas suas consequências. É comum os ciclistas atirarem os bidões vazios para as bermas, onde os adeptos os recolhem como recordação. Oliver Naesen, da Decathlon CMA CGM, compreende o aviso dos comissários. «Toda a gente se atira para os apanhar. Os bidões são muito cobiçados entre os adeptos italianos. Posso imaginar que algumas pessoas fiquem bastante surpreendidas», disse ao Sporza.
Naesen acrescentou que o hábito não é novo, mencionando outro nome sonante. «Já conhecia isto da época do Peter Sagan, ele fazia-o com frequência», comentou, concluindo: «Só conheço dois que o fazem, o Campi e o Sagan».
O próprio Victor Campenaerts, quando questionado diretamente sobre o assunto pelo Sporza, respondeu com ironia e um sorriso revelador: «Não faço ideia do que estás a falar».
Além das brincadeiras, vários atletas admitem a crescente dificuldade em encontrar locais e momentos adequados para parar e urinar durante as etapas. As sanções por o fazerem em público e as estradas repletas de fãs complicam a tarefa. «Tentamos encontrar locais onde não haja gente, mas quando está bom tempo, os adeptos aparecem por todo o lado para ver a corrida», explicou Livyns. «Assim, é difícil encontrar um bom sítio para parar».
Dries Van Gestel também reconheceu que a UCI «não facilita propriamente» a vida aos ciclistas, argumentando que em certas etapas quase não existem momentos discretos para uma pausa. No entanto, há um consenso geral: após o aviso oficial do Giro, os dias dos chamados plasbidons parecem estar contados no pelotão.