Jogo no Brasil interrompido por insultos de maqueiro a jogadora

Sarah Aysha queixou-se à árbitra de ter sido assediada verbalmente por funcionário em jogo sub-20

A meia-final do Brasileirão Feminino Sub-20 entre a Ferroviária e o São Paulo ficou marcada por um incidente que levou à interrupção da partida e à ativação do protocolo antirracista.

O episódio ocorreu aos 45 minutos da segunda parte, quando a defesa Sarah Aysha, do São Paulo, solicitou assistência médica. Enquanto era transportada de maca para fora do campo, a jogadora acusou um dos maqueiros de a ter insultado. Visivelmente abalada e a chorar, a atleta aguardava autorização para regressar ao jogo quando a árbitra, Talita de Freitas, interveio.

Aos 47 minutos, a juíza da partida paralisou o encontro, cruzou os braços em forma de 'x' e ativou o protocolo antirracista. De seguida, procurou obter mais informações junto das jogadoras, equipas técnicas e do quarto árbitro. Sarah Aysha foi chamada para relatar o que tinha acontecido.

As câmaras captaram o depoimento das companheiras de equipa e da jogadora: «Ele mandou-me tomar no c* e chamou-me de biscate [oferecida, ou até, mais grave, prostituta]!»

Durante a paragem, Sarah Aysha sentiu-se mal e foi sentar-se no banco, mas foi acalmada pela equipa técnica e regressou ao campo para os minutos finais.

A árbitra mandou então retirar o funcionário do campo.

Após o apito final, reiterou a acusação na entrevista rápida da Sportv. «É inadmissível! Estamos numa categoria de formação, estamos aqui para aprender sobre futebol. Num momento daqueles, é inadmissível. É a única coisa que digo. Passamos o ano inteiro a treinar longe da família, para chegar um tipo daqueles e chamar-me de biscate fora de campo? É inadmissível», desabafou a defesa do São Paulo.

Após o jogo, ambos os clubes emitiram comunicados oficiais. O São Paulo repudiou o ato de misoginia, declarando que «não tolera nenhum tipo de preconceito» e que prestará todo o apoio necessário à atleta. O clube aguarda que «as autoridades cumpram com a sua responsabilidade para que a justiça seja feita».

Por sua vez, a Ferroviária informou que o indivíduo em questão prestava serviços pontuais ao clube e que, «diante da gravidade da conduta, o vínculo foi encerrado de imediato». O clube anfitrião assumiu a responsabilidade pelo ocorrido, pediu desculpas à jogadora e ao São Paulo, e comprometeu-se a rever os seus procedimentos para evitar que situações semelhantes se repitam.

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