Rui Costa - Foto: SL Benfica
Rui Costa - Foto: SL Benfica

Pedro Proença, arbitragem e centralização: Rui Costa esclarece posição do Benfica

Presidente do clube da Luz recusou que encarnados estejam «amarrados», rejeitou ser «papagaio falante» e prometeu ir «até às últimas instâncias» no capítulo dos direitos televisivos. Considerou parcas intervenções um «bom sinal»

Três temas dominaram as intervenções dos sócios do Benfica durante a Assembleia Geral deste sábado: a relação do clube com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, a arbitragem e a centralização dos direitos televisivos. Rui Costa procurou responder às inquietações encarnadas no discurso final, que se afastaram da atualidade da própria equipa. «O facto de não se ter falado hoje aqui de jogadores e do plantel é um bom sinal. É um sinal que estamos todos otimistas perante aquilo que a equipa está a fazer, esperando que seja um ano onde possamos festejar o tão almejado 39», frisou.

O presidente do Benfica começou por abordar o tema Pedro Proença, com várias garantias de «independência» pelo meio. «Não estamos nem nunca estaremos amarrados a alguém, não estamos nem nunca estaremos dependentes de alguém. Não estamos nem nunca vamos estar reféns de quem quer que seja porque a nossa defesa é a do Benfica e não de qualquer outra entidade, presidente ou instituição», frisou.

Rui Costa exaltou a independência total dos encarnados: «Tomaremos as decisões que teremos de tomar no futuro com a liberdade que nós, enquanto Benfica, temos de ter e teremos sempre, pelo menos enquanto eu aqui estiver.»

Terminado o tema Pedro Proença, seguiu-se uma reflexão sobre arbitragem: «É algo que nos preocupa e não é de hoje. Não me lembro de estarmos aqui em assembleias gerais anteriores satisfeitos com aquilo que era o relacionamento com a arbitragem.»

Rui Costa frisou que, «mais do que falar publicamente», os encarnados procuram «travar uma batalha nas instituições». «Não sou um papagaio falante como muitos que andam aí no futebol português. Nasci com uma cultura aqui dentro, somos um bocadinho superiores nesta matéria. Às vezes poderemos dizer mais qualquer coisa, concordo com isso e não tenho problemas nenhuns a assumir essa responsabilidade e essa culpa, mas essencialmente o que precisamos de fazer é combater nas instituições para se mudar algo que está instalado há muitos e muitos anos», explicou.

«Não vamos combater isto por uma simples palavra do presidente ou do treinador a seguir ao jogo», salientou.

Rui Costa reiterou que a «tolerância zero» encarnada reflete-se na proposta de reforma total da arbitragem apresentada à Federação Portuguesa de Futebol, a 11 de setembro. O dirigente encarnado destacou várias medidas de um documento que visa blindar o setor, com uma bicada aos rivais à mistura: «Alterar completamente o modelo de governação, criar uma cultura de auditorias na arbitragem nacional, separar as nomeações das avaliações, e modernização tecnológica, para não vermos mais golos validados com 1 centímetro em jogo, com o fora de jogo semiautomático. Publicação dos áudioS DO var, houve uma altura que isso foi feito e que depois deixou de ser por alguma razão. Critérios de nomeações auditados e escrutinados textualmente, entre outras alíneas.  Acreditamos que irá trazer uma transparência completamente diferente.»

«São anos e anos em que nós não nos sentimos satisfeitos», apontou.

Por fim, Rui Costa relembrou a luta do Benfica contra a centralização dos diretos televisivos: «Não começámos a reclamar há dois meses quando fomos à Assembleia da República ou quando fizemos a petição. Estamos neste o processo essencialmente desde percebemos que a primeira promessa, de que todos os clubes iriam beneficiar, poderia não vir a ser cumprida. Desde o dia em que percebemos que isto poderia não acontecer, entramos nesta batalha.»

O Benfica continua a encetar esforços para travar o processo: «Iremos recorrer a todas as instâncias. Já temos vários programas de ações judiciais para para interpelar este processo.» A posição solitária encarnada nesta luta tem uma explicação, na ótica de Rui Costa: «Na chave de repartição que foi criada, toda a gente está ganhar mais ou o mesmo em relação ao passado. O único que está a perder é o Benfica e por isso é o único que está nesta batalha, pelo menos para já.»

As águias, ainda assim, não fecham a porta a futuros aliados não acreditam que «os valores hoje apresentados sejam aqueles que vão chegar ao fim». «Quando processo avançar e se perceber que estes valores não são reais, o Benfica não estará sozinho nessa batalha. Mas até lá, vai fazer tudo o que estiver ao alcance para defender os seus direitos. Jamais aceitaremos, de ânimo leve, que o Benfica perca valor com a centralização dos direitos», frisou.

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