Corredores da W52-FC Porto à conversa com Adriano Quintanilha. Foto A BOLA
Corredores da W52-FC Porto à conversa com Adriano Quintanilha. Foto A BOLA

Patrão da equipa W52-FC Porto e inspetor da PJ julgados por falsificação

Segundo a acusação, Adriano Quintanilha, de 73 anos, e um amigo da PJ forjaram um Código de Conduta, que todos os corredores assinaram, com o objetivo de fazer crer que desconheciam o esquema de doping

Adriano Quintanilha, antigo patrão da equipa de ciclismo W52-FC Porto, e um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) vão a julgamento em outubro, acusados de terem criado um plano para ilibar o empresário no processo de doping conhecido como Prova Limpa. O início do julgamento está marcado para 7 de outubro, no Tribunal de Felgueiras.

A decisão de levar os arguidos a julgamento foi tomada em setembro de 2025 pelo Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel, que acolheu na íntegra a acusação do Ministério Público (MP). Ambos os arguidos tinham requerido a abertura de instrução, mas a pretensão não foi atendida.

De acordo com a agência Lusa, segundo a acusação, Adriano Sousa, de 73 anos e mais conhecido como Adriano Quintanilha, e o inspetor da PJ, de 57 anos, terão forjado um Código de Conduta. O objetivo era fazer crer que tanto Quintanilha como a Associação Calvário Várzea, entidade que presidia e que deu origem à equipa, desconheciam por completo o esquema de doping.

O plano terá sido delineado após as buscas da Operação Prova Limpa, em abril de 2022. A acusação do MP, citada pela Lusa, refere que Adriano Sousa, «alarmado com as consequências penais e disciplinares», procurou a ajuda do seu amigo inspetor da PJ, que exercia funções na Diretoria do Norte e partilhava o «mesmo sentimento de apego à equipa W52-FC Porto e ao ciclismo».

Juntos, terão criado o referido Código de Conduta com uma data falsa, janeiro de 2022, para ser anterior às buscas. O documento continha cláusulas que visavam atestar que qualquer violação das regras antidopagem por parte do diretor desportivo e dos ciclistas teria sido feita «à revelia, contraindicação e com o total desconhecimento da Associação» e do seu presidente.

Posteriormente, o documento foi entregue ao então diretor desportivo, Nuno Ribeiro, e aos ciclistas para que o assinassem. Para os convencer, Quintanilha terá argumentado que estariam a «proteger a equipa de ciclismo» e o seu trabalho. A acusação revela ainda que um dos ciclistas só assinou o documento após ser ameaçado por Quintanilha de que não receberia o seu ordenado.

Em consequência, Adriano Quintanilha, a Associação Calvário Várzea e o inspetor da PJ enfrentam a acusação de falsificação de documento. Quintanilha é também acusado de coação, enquanto o inspetor da PJ responde ainda por favorecimento pessoal.

No processo principal da W52-FC Porto, tanto Adriano Quintanilha como Nuno Ribeiro já foram condenados a penas de prisão efetiva de quatro anos e nove meses, tendo ambos recorrido da decisão.

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