Parabéns ao FC Porto campeão
Parabéns ao Futebol Clube do Porto, campeão nacional 2025/26. Um vencedor justo, indiscutível, que confirmou em campo qualidade e pragmatismo. E, no fim, os números não deixam margem para dúvidas: 27 vitórias, quatro empates e duas derrotas.
Este título tem um peso simbólico evidente: é o primeiro grande triunfo do FC Porto na era pós-Pinto da Costa, figura maior da história do clube e do futebol português. André Villas-Boas assumiu uma herança exigente, quase insuperável para muitos, e prometeu um clube vencedor. Cumpriu.
O FC Porto não deixou dúvidas. Foi a melhor equipa do campeonato e sagrou-se campeão com duas jornadas de antecedência. Mérito de Francesco Farioli e de todo o seu grupo de trabalho. O treinador conseguiu algo que é, no Dragão, uma exigência permanente: fazer a equipa jogar à Porto — pressionante, intensa, competitiva, ambiciosa e, sobretudo, mentalmente forte. Depois há tudo o resto, as polémicas com o grande rival Sporting — bolas, toalhas, cheiros, insultos entre presidentes — mas o troféu vai para o museu azul e branco.
Mais do que isso, potenciou jogadores e elevou rendimentos individuais. Diogo Costa voltou a afirmar-se como um guarda-redes de nível excecional, talvez o melhor do mundo à data. Bednarek foi uma presença sólida na defesa, intransponível em muitos momentos. Froholdt destacou-se pela consistência e influência no jogo, o melhor da equipa. E depois há o caso de Pietuszewski, o jovem de apenas 17 anos, de nome difícil, mas talento fácil de reconhecer, com participação direta em nove golos — enquanto, ironia do futebol moderno, ainda cumpre os exames do secundário na Polónia. Sem esquecer Rodrigo Mora, Deniz Gul e tantos outros que contribuíram para este título coletivo.
O FC Porto não vencia o campeonato desde 2021/22. Para um clube com a sua cultura ganhadora, parece muito tempo. Mas, na prática, e tendo em conta a transição profunda na liderança, a resposta foi até relativamente rápida. Suceder a Pinto da Costa não era uma tarefa simples, pelo contrário. O mais natural seria um período de instabilidade prolongado. Não aconteceu para bem dos seus adeptos.
Villas-Boas imprimiu uma nova matriz: maior modernização estrutural, aposta em novos projetos como o futebol feminino e uma reconfiguração técnica clara. Teve decisões difíceis, como o fim do ciclo de Sérgio Conceição, treinador fortemente associado ao período anterior. A aposta em Vítor Bruno não produziu o efeito desejado, tal como o curto percurso de Martín Anselmi. Mas a escolha em Farioli revelou-se decisiva.
Mas nem tudo foi linear. O ano ficou também marcado por muita tensão institucional e episódios de fricção com Frederico Varandas. Dois presidentes jovens que mantêm uma relação de forte antagonismo público. Divertido para alguns, incendiário para outros. Mas honestos, não gostam um do outro, assumem, não há hipocrisia. Ou então são grandes atores, o que seria uma surpresa digna de óscar. No fim o que conta no futebol continua a ser o resultado. E o FC Porto venceu.
O desafio agora será outro. Os sócios portistas são exigentes por natureza: não basta ganhar uma vez. Exige-se continuidade, competitividade europeia e presença regular na UEFA Champions League em patamares elevados. Num contexto de limitações financeiras face às principais ligas europeias, o grande teste será manter o nível competitivo acima do investimento. Essa talvez seja a herança mais pesada de Pinto da Costa: a capacidade de transformar recursos limitados em troféus internacionais. O tempo dirá se a nova estrutura conseguirá manter esse padrão. Para o ano vamos ver se Sporting e Benfica respondem a esta vitória.
O Direito ao Golo vai, naturalmente, para o FC Porto, para Farioli, para André Villas-Boas e para toda a equipa. Uma palavra também para Jorge Costa, que entretanto nos deixou, mas que faz igualmente parte desta história.
Não menos importante, parabéns à equipa de hóquei em patins do FC Porto, vencedora da Liga dos Campeões da modalidade, e à equipa de futsal do Sporting, que conquistou o troféu pela terceira vez. Enormes.
Por último, um grande aplauso para o canoísta Fernando Pimenta, que conquistou, no passado domingo, a segunda medalha de ouro na Taça do Mundo de canoagem de velocidade de Szeged, em K1 5000 metros, um dia depois de ter triunfado no olímpico K1 1000 metros.